Estudantes são premiadas em concurso
TJMT premia melhores textos em concurso de redação da Ceja

Nesta quarta-feira (10 de outubro), a estudante Isabella Falcão da Silva Campos, da 8ª série do Plural Centro Educacional, voltou para casa com uma bicicleta nova e com a certeza de que conseguiu transmitir em seu texto, a importância da adoção. Isabella foi a primeira colocada no concurso de redação 'O Direito de ser filho', promovido pela Comissão Judiciária Estadual de Adoção (Ceja), vinculada à Corregedoria Geral da Justiça.
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"Apesar de todas as dificuldades enfrentadas por aqueles que desejam adotar, tais como a burocracia e o preconceito, quem adota conclui que tudo vale a pena e que a recompensa dessa atividade é um sorriso alegre, puro e verdadeiro de seu tão esperado filho. Adotar seria, portanto, a forma mais sublime que o homem tem de se eternizar", escreveu a adolescente no texto ‘O direito de ser filho’ (confira aqui a íntegra). |
O concurso foi realizado com estudantes de 5ª a 8ª séries de 10 escolas de Cuiabá. Ao todo, foram selecionadas para a etapa final 36 redações. A banca examinadora, formada por professores e operadores do direito, levou em consideração, além da capacidade de redigir um bom texto, a criatividade e a abordagem do assunto.
Para o presidente do TJMT, desembargador Paulo Lessa, o concurso serve como uma iniciação das crianças no exercício da cidadania. "É uma iniciativa ímpar, inédita no Estado, que deve ser ressaltada sempre. A Justiça está empenhada em fomentar a consciência da cidadania desde a tenra idade", destacou.
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O corregedor-geral da justiça, desembargador Orlando Perri, que é o presidente da Ceja, afirmou que ficou maravilhado com o nível de qualidade dos textos produzidos pelos alunos. A meta, segundo ele, é que na próxima edição o número de escolas participantes seja ampliado. "Eu sou bem-aventurado porque tive e tenho o direito de ser filho, de sentir o tato e o cheiro de meus pais. Mas não se esqueçam que existem tanto irmãos que não têm esse direito. Temos que contribuir para o esvaziamento dos orfanatos", disse o corregedor-geral aos estudantes. |
Outras premiações - O segundo lugar ficou para a aluna Jéssica Sayuri Natori, da 8ª série do Colégio Coração de Jesus, com a redação 'Precisa-se de atenção'. A estudante ganhou como prêmio um MP4. Em seu texto, ela destacou as dificuldades enfrentadas pelas crianças na conquista de um novo lar.
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"As características físicas podem ajudar ou não na adoção das crianças. Mas são essas diferenças que fazem de cada uma um ser especial e único, embora todos sejam iguais na sede de amor. E não é muito difícil saciá-los, já que a pureza e inocência da infância são capazes de enxergar o rastro de amor existente em cada gesto, e que é ignorado por nós". Veja aqui a íntegra do texto. |
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"Adotar vai muito além da caridade. É preciso que haja amor e compromisso (...) Devemos estar cientes do que é adoção antes de praticá-la. Assim como devemos estar cientes de que esta criança tem tanto direito de ser filho quanto as outras. E estar ciente, também, de que tudo que é feito com e por amor vale a pena", escreveu a garota, que ganhou um aparelho de DVD como prêmio. Leia mais aqui. |
E as crianças que participaram do concurso, mas não foram premiadas com as primeiras colocações também receberam brindes doados por empresas parceiras do Judiciário. Elas receberam kits com livros infanto-juvenis para estimular o gosto pela leitura.
Experiências - Na cerimônia, a juíza Maria Erotides Kneip Baranjak, emocionada, proferiu palestra sobre o direito das crianças e também sobre a própria experiência como mãe adotiva. Em 1998, ela adotou um menino carente, vítima de violência doméstica praticada pelo padrasto. Na época, ele tinha nove anos, não era alfabetizado e apresentava sinais de desnutrição. Hoje é biólogo, trabalha e está prester a ser pai pela primeira vez.
"Ele me ensinou que todas as crianças têm direito a ouvir canções de ninar. Ensinou meus outros três filhos a dividir. Ensinou que todas as crianças têm direito a ter magistrados promotores que tenham sensibilidade para entendê-las. Todas as crianças têm direito de ter um país mais justo e viver num mundo muito mais feliz".
O promotor de justiça José Antônio Borges Pereira, da 19ª Promotoria da Infância e Juventude da Comarca de Cuiabá, avaliou positivamente o concurso de redação. "É uma forma criativa de se mostrar à sociedade que existem crianças sem família. A instituição, por melhor que seja, só pode ser considerada casa de passagem. Criança institucionalizada é como um réu preso, não tem convívio familiar nem comunitário. Essas crianças possuem uma carência enorme. Então, ao ganhar um pai e uma mãe, o salto de qualidade de vida delas é fantástico", frisou.
De acordo com a secretária-geral da Ceja, Lindacir Bernardon, o diálogo com as crianças durante as visitas às escolas sobre o concurso foi marcante e enriquecedor. "Foi emocionante perceber nos trabalhos destes pequenos cidadãos quantos aspectos nos levam a meditar sobre o tema 'O direito de ser filho'. Foi um sonho da equipe da Ceja, que hoje propõe que todos sonhemos juntos por uma sociedade mais justa e fraterna para ver cada criança em um lar de amor", finalizou.
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