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 10/10/2007   18:10 

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Estudantes são premiadas em concurso

 

TJMT premia melhores textos em concurso de redação da Ceja

 

 

Nesta quarta-feira (10 de outubro), a estudante Isabella Falcão da Silva Campos, da 8ª série do Plural Centro Educacional, voltou para casa com uma bicicleta nova e com a certeza de que conseguiu transmitir em seu texto, a importância da adoção. Isabella foi a primeira colocada no concurso de redação 'O Direito de ser filho', promovido pela Comissão Judiciária Estadual de Adoção (Ceja), vinculada à Corregedoria Geral da Justiça.  

 

              "Apesar de todas as dificuldades enfrentadas por aqueles que desejam adotar, tais como a burocracia e o preconceito, quem adota conclui que tudo vale a pena e que a recompensa dessa atividade é um sorriso alegre, puro e verdadeiro de seu tão esperado filho. Adotar seria, portanto, a forma mais sublime que o homem tem de se eternizar", escreveu a adolescente no texto ‘O direito de ser filho’ (confira aqui a íntegra).

 

 A cerimônia de premiação das três primeiras colocadas, realizada na tarde de hoje, contou com a participação do presidente do TJMT, desembargador Paulo Lessa, e do corregedor-geral, desembargador Orlando Perri. Os pais, diretores e professores das escolas também compareceram para a entrega dos prêmios.

 

O concurso foi realizado com estudantes de 5ª a 8ª séries de 10 escolas de Cuiabá. Ao todo, foram selecionadas para a etapa final 36 redações. A banca examinadora, formada por professores e operadores do direito, levou em consideração, além da capacidade de redigir um bom texto, a criatividade e a abordagem do assunto.

  

Para o presidente do TJMT, desembargador Paulo Lessa, o concurso serve como uma iniciação das crianças no exercício da cidadania. "É uma iniciativa ímpar, inédita no Estado, que deve ser ressaltada sempre. A Justiça está empenhada em fomentar a consciência da cidadania desde a tenra idade", destacou.

 

              O corregedor-geral da justiça, desembargador Orlando Perri, que é o presidente da Ceja, afirmou que ficou maravilhado com o nível de qualidade dos textos produzidos pelos alunos. A meta, segundo ele, é que na próxima edição o número de escolas participantes seja ampliado. "Eu sou bem-aventurado porque tive e tenho o direito de ser filho, de sentir o tato e o cheiro de meus pais. Mas não se esqueçam que existem tanto irmãos que não têm esse direito. Temos que contribuir para o esvaziamento dos orfanatos", disse o corregedor-geral aos estudantes.

 

  

Outras premiações - O segundo lugar ficou para a aluna Jéssica Sayuri Natori, da 8ª série do Colégio Coração de Jesus, com a redação 'Precisa-se de atenção'. A estudante ganhou como prêmio um MP4. Em seu texto, ela destacou as dificuldades enfrentadas pelas crianças na conquista de um novo lar.

  

              "As características físicas podem ajudar ou não na adoção das crianças. Mas são essas diferenças que fazem de cada uma um ser especial e único, embora todos sejam iguais na sede de amor. E não é muito difícil saciá-los, já que a pureza e inocência da infância são capazes de enxergar o rastro de amor existente em cada gesto, e que é ignorado por nós". Veja aqui a íntegra do texto.

  

 Já a aluna Pâmela Ingrid Costa, da 8ª série do Colégio Salesiano Santo Antônio, ficou em terceiro lugar com a redação 'Adoção: um ato de coração', na qual ela discorre sobre a necessidade da adoção consciente.

 

            "Adotar vai muito além da caridade. É preciso que haja amor e compromisso (...) Devemos estar cientes do que é adoção antes de praticá-la. Assim como devemos estar cientes de que esta criança tem tanto direito de ser filho quanto as outras. E estar ciente, também, de que tudo que é feito com e por amor vale a pena", escreveu a garota, que ganhou um aparelho de DVD como prêmio. Leia mais aqui.

 

E as crianças que participaram do concurso, mas não foram premiadas com as primeiras colocações também receberam brindes doados por empresas parceiras do Judiciário. Elas receberam kits com livros infanto-juvenis para estimular o gosto pela leitura.

 

 

Experiências - Na cerimônia, a juíza Maria Erotides Kneip Baranjak, emocionada, proferiu palestra sobre o direito das crianças e também sobre a própria experiência como mãe adotiva. Em 1998, ela adotou um menino carente, vítima de violência doméstica praticada pelo padrasto. Na época, ele tinha nove anos, não era alfabetizado e apresentava sinais de desnutrição. Hoje é biólogo, trabalha e está prester a ser pai pela primeira vez.

 

"Ele me ensinou que todas as crianças têm direito a ouvir canções de ninar. Ensinou meus outros três filhos a dividir. Ensinou que todas as crianças têm direito a ter magistrados promotores que tenham sensibilidade para entendê-las. Todas as crianças têm direito de ter um país mais justo e viver num mundo muito mais feliz". 

 

O promotor de justiça José Antônio Borges Pereira, da 19ª Promotoria da Infância e Juventude da Comarca de Cuiabá, avaliou positivamente o concurso de redação. "É uma forma criativa de se mostrar à sociedade que existem crianças sem família. A instituição, por melhor que seja, só pode ser considerada casa de passagem. Criança institucionalizada é como um réu preso, não tem convívio familiar nem comunitário. Essas crianças possuem uma carência enorme. Então, ao ganhar um pai e uma mãe, o salto de qualidade de vida delas é fantástico", frisou.

 

De acordo com a secretária-geral da Ceja, Lindacir Bernardon, o diálogo com as crianças durante as visitas às escolas sobre o concurso foi marcante e enriquecedor. "Foi emocionante perceber nos trabalhos destes pequenos cidadãos quantos aspectos nos levam a meditar sobre o tema 'O direito de ser filho'. Foi um sonho da equipe da Ceja, que hoje propõe que todos sonhemos juntos por uma sociedade mais justa e fraterna para ver cada criança em um lar de amor", finalizou.

 

 

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