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 15/06/2012   15:10 

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Primeiros colocados atribuem sucesso à dedicação

Muita dedicação, estudo e perseverança. Esses foram os motivos mais citados pelos candidatos aprovados nos três primeiros lugares no Concurso Público Para Ingresso na Carreira da Magistratura de Mato Grosso para explicar o bom resultado na classificação geral. Os futuros juízes Ramon Fagundes Botelho (1º colocado, com 8,644 pontos), Maria Lucia Prati (2ª colocada, com 8,354 pontos) e João Filho de Almeida Portela (3º colocado, com 8,199 pontos) contam na entrevista a seguir o longo caminho que percorreram até a realização de um sonho, que é o de se tornar magistrado.
 
           
           Para Ramon Fagundes Botelho, 32, o sonho de se tornar um magistrado teve início no 3º ano da Faculdade de Direito, que ele cursou na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). O desejo ganhou força com as aulas do desembargador aposentado e professor universitário Mauro José Pereira. Enquanto ainda era estudante, fez estágio no Poder Judiciário de Mato Grosso, o que o ajudou a confirmar a vocação para a magistratura.
 
            Para ganhar experiência, depois de formado Ramon Botelho atuou por três anos como advogado em Cuiabá, e depois foi fazer mestrado em Direito Constitucional, na Universidade de Coimbra, em Portugal. Ao retornar, foi chamado para assumir o cargo de analista do Tribunal Regional Eleitoral, para o qual havia feito concurso. Ali ficou por quatro anos e, nesse período, voltou a sonhar com a carreira da magistratura. Comprou livros, tomou coragem e passou a estudar diariamente.
 
Prestou concursos para a magistratura no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, onde não apenas foi aprovado como conquistou o primeiro lugar. Também nesse período participou e foi aprovado no concurso para defensor público, função que exerceu até o desligamento. “Foi muito melhor ter ficado no meu Estado”, comemorou o futuro magistrado, que apesar de não ser mato-grossense, vive no Estado desde os seis meses de vida.
 
Casado, sem filhos, Ramon Botelho escolheu a Vara Única da Comarca de Poconé (104km a sul de Cuiabá) para atuar. Ressaltou muitas qualidades da comarca, entre elas a tradição histórica, o prédio novo do Fórum, a qualificação dos servidores, a competência do atual magistrado, Cássio Luis Furim, que deixou o trabalho bem encaminhado, e a proximidade com a Capital.
 
A candidata Maria Lucia Prati diz que sempre sonhou com a magistratura e por isso escolheu a faculdade de direito. Formada pela Universidade de Cuiabá (Unic) em 2004, ela foi considerada a melhor aluna da turma. Nascida em Jaciara, Maria Lúcia sempre viveu com a família em Campo Verde. Na época da faculdade trabalhava como oficial administrativa da Prefeitura, para a qual havia prestado concurso. Trabalhava de dia e vinha para Cuiabá toda noite, para estudar, de ônibus.
 
Depois de formada, trabalhou no Tribunal de Justiça de Mato Grosso, tendo assessorado os desembargadores José Luiz de Carvalho e em seguida o desembargador Teomar de Oliveira Corrêa, aposentado recentemente. A futura magistrada era servidora efetiva do Poder Judiciário, tendo sido aprovada para o cargo de analista judiciária no concurso de 2008. Maria Lucia conta que desde o início do curso superior estudava e continuou estudando ao sair, sempre almejando ser aprovada no concurso da magistratura. Também “rezou muito”, como afirmou.
 
Em 2009, se inscreveu para o Concurso Público Para Ingresso na Carreira da Magistratura de Mato Grosso. Em 2010, prestou o concurso para Defensoria Pública de Mato Grosso e foi aprovada, tendo atuado nas comarcas de Querência e Ribeirão Cascalheira. Ao ser aprovada para o concurso da magistratura, desistiu da Defensoria Pública e escolheu para jurisdicionar a Vara Única da Comarca de Dom Aquino (166km a sul de Cuiabá). A escolha se deu em virtude de toda a família da futura magistrada morar em Campo Verde, que fica a apenas 40 quilômetros de Dom Aquino. A candidata é casada e não tem filhos.
 
Nascido na cidade de Oliveira dos Brejinhos, na Bahia, o candidato João Filho de Almeida Portela, 29, mora há 10 anos em Mato Grosso. Cursou direito em Diamantino e Rondonópolis e conta que desde o início do curso superior almejava a magistratura. Por seis anos e meio ele também atuou como assessor de magistrados, primeiro do juiz Antônio Veloso Peleja Júnior, que então atuava em Diamantino, e depois do juiz João Alberto Menna Barreto Duarte, em Rondonópolis, o que lhe garantiu experiência e incentivo para lutar pelos seus sonhos.
 
Em 2009 ele assumiu o cargo de defensor público em Mato Grosso do Sul, onde permaneceu até ser aprovado no concurso para magistrados de Mato Grosso. João Filho escolheu atuar na Vara Única da Comarca de Sapezal (480km a noroeste de Cuiabá) por considerar que a cidade tem uma boa estrutura, está em franco desenvolvimento e possui boas escolas. Casado, o futuro magistrado é pai de dois filhos.  
 
Além do forte desejo de ser um magistrado, de muito estudo e dedicação, o futuro juiz acredita que a intervenção de Deus também foi responsável pela sua conquista. A partir de agora, o que ele quer é trabalhar em prol da causa da Justiça e tentar através dela tornar a vida de todas as pessoas melhor, diminuindo as desigualdades sociais.
 
Todos os 43 candidatos aprovados no Concurso Público Para Ingresso na Carreira da Magistratura de Mato Grosso tomarão posse nesta sexta-feira (15 de junho), a partir das 14 horas. A solenidade de posse será realizada no Plenário 1 do Tribunal de Justiça de Mato Grosso. Eles entrarão em exercício já a partir de segunda-feira (18).
 
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Fotos: Jocil Serra/Agência Phocus
 
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