Audiência reúne usuários de drogas
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“Meu filho é usuário de drogas há 10 anos, tentei de tudo para tirá-lo do vício, mas não consegui. Não sabia mais o que fazer, então mandei prendê-lo. Prefiro ver meu filho preso do que morto”. O depoimento é do vendedor A.J.S., 56 anos, que há um mês mandou prender o filho de 27 anos, em uma tentativa desesperada de afastá-lo das drogas.
A.J. compareceu na manhã desta quarta-feira (2 de outubro) ao Juizado Especial Criminal Unificado de Cuiabá (Jecrim), onde foi realizada a primeira audiência coletiva voltada para pessoas que respondem processos na Justiça por envolvimento com drogas (porte ou consumo).
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“A Justiça mandou uma intimação para meu filho comparecer na audiência, como ele está preso eu vim em busca de ajuda, pois preciso tirá-lo desse mundo, a Justiça é a minha esperança, pois não sei mais o que fazer. Achei a iniciativa muito boa, não tenho condições de pagar um tratamento para ele, mas agora fiquei sabendo que posso conseguir sem nenhum custo”, diz o vendedor.
Ao todo 50 pessoas foram intimadas para participar da audiência coletiva. “Queremos sensibilizar os dependentes químicos para que eles vejam os malefícios que as drogas trazem, não apenas para a vida deles, mas também para os familiares. Estamos aqui para ajudar”, destaca a juíza do Jecrim, Ana Cristina Silva Mendes.
A magistrada buscou apoio junto ao governo e a clínicas que oferecem tratamento para dependentes químicos. “Conseguimos 29 vagas, que estão sendo disponibilizadas para essas pessoas se tratarem. A nossa ideia não é prender ninguém, queremos ajudá-los a se livrarem do problema. Mas com aqueles que não atenderem o chamamento da Justiça teremos que ser mais severos”, diz a magistrada, completando que o tratamento será gratuito e terá o acompanhamento da Justiça.
“Eu achei a palestra muito boa, acho que valeu a pena ter vindo. Não quero essa vida para mim”, afirma C.C., 23 anos, ajudante de pintor. Ele foi preso por assalto. O dinheiro era para pagar dívidas contraídas em bocas de fumo. “As amizades da escola me levaram para esse mundo, mas eu não quero mais, já parei de usar”, garante o rapaz.
Durante a audiência foi exibido um vídeo mostrando os malefícios das drogas, histórias de dependentes que estão no fundo do poço e de ex-dependentes químicos que conseguiram vencer o vício e hoje tentam retomar a vida.
“Para sair desse mundo é preciso muita força de vontade. Nenhum tratamento vai dar certo se não tiver colaboração do dependente químico. É preciso lutar diariamente e pelo resto da vida”, destaca o promotor de Justiça Roosevelt Pereira Cursine.
Para o defensor público David Brandão Martins, os usuários que participaram da audiência são privilegiados pela oportunidade. “Na audiência eles puderam ver como a sociedade os enxerga e ainda ter uma oportunidade de buscar tratamento”.
O projeto realizado pelo Jecrim vem ao encontro da Lei nº 11.343, de 23 de agosto de 2006, mais conhecida como Lei Antitóxicos ou Lei de Drogas, que em seu artigo 28, estabelece, entre outros pontos, que os usuários de drogas sejam submetidos às medidas educativas. No dia 23 de outubro será realizada outra audiência coletiva.
Janã Pinheiro/Fotos: Adilson Cunha
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
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