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 27/03/2013   17:45 

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Ceja entrega ovos de páscoa em casas de passagem

  
Neste final de semana não só o chocolate vai marcar a páscoa das 100 crianças e adolescentes abrigados nas instituições de Cuiabá e Várzea Grande, mas também o sentimento de auto-estima, de resgate da identidade e da alegria de ser lembrado como ser importante. Tudo isso por conta de um ato simples realizado pela equipe da Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja) do TJMT, que nesta quarta-feira (27 de março) entregou ovos de páscoa para crianças e adolescentes de zero a 18 anos abandonados pelos pais ou que sofreram alguma violência e, por isso, corriam risco se continuassem a morar com a própria família.
  
De acordo com a psicóloga Nayara Pessoa da Costa, do Projeto Vida Nova, em Várzea Grande, essas atitudes agem positiva e diretamente no emocional desses jovens que sempre têm uma história triste no passado. “Todos que estão aqui sofreram algum tipo de violência que não podemos apagar, mas nós buscamos amenizar esses sentimentos com muito trabalho psicológico e social e com algumas atividades que fazem com que eles tenham vida próxima da normal, como qualquer pessoa. Essas visitas das equipes e a entrega de ovos reforçam a idéia de que eles são amados e lembrados não só pelas tias que trabalham no projeto, mas também por quem está lá fora [da casa]. E essas atitudes ajudam inclusive na inserção social e no desenvolvimento psicológico”.
 
A psicóloga que atua há sete anos na casa lembra que desde que chegam os internos são orientados no sentido de superar o passado que causou grande dor e focar no futuro que os aguarda.  
 
Nesta sexta, as crianças, uma a uma, receberam os ovos após serem chamadas pelas servidoras da Ceja, Nadir Nadaf, Onizete Monteiro e Letícia Fonseca. Muito espontâneos alguns gritavam, e, outros, mais tímidos, apenas agradeciam. Lucas (6 anos), Diego (7) e Vítor (6), muito entusiasmados, não paravam de falar e juntos afirmavam que no domingo vão comer todo o ovo e que ainda querem mais. “Eu fiquei muito feliz com a surpresa. Tem mais? Eu vou comer todo o meu ovo, mesmo que dê dor de barriga!”
 
A equipe da Ceja aproveitou a ocasião para oferecer uma palavra positiva para os presentes, lembrando que a Páscoa é um momento de renovação e transformação. “Este período, é um momento ímpar para lembrarmos da ressurreição de Jesus Cristo. É um momento para pensarmos em renovação e transformação”.
 
O projeto de entrega de ovos de páscoa faz parte do calendário das campanhas sociais desenvolvidas pela Ceja em prol dos abrigados. Neste ano, os 100 ovos foram comprados a partir da colaboração dos servidores da Corregedoria Geral da Justiça do TJMT e beneficiaram as quatro casas do Projeto Vida Nova, a Casa de Retaguarda e também o Projeto Nossa Casa, esses dois últimos em Cuiabá. O Lar da Criança (Cuiabá) não foi beneficiado este ano, pois a instituição vai participar de uma comemoração realizada pelo Estado.
 
Como ajudar – Nadir Nadaf, assistente social da Ceja, lembrou que existem outras formas de ajudar no desenvolvimento intelectual e social das crianças e adolescentes internos nos abrigos. Uma modalidade que está dando certo é o apadrinhamento das crianças, que pode ser realizada de três formas diferentes: afetiva, provedora e prestadora de serviços.
 
Os padrinhos afetivos podem levar as crianças para casa nos finais de semana e feriados e trabalhar com eles o lado mais emocional. O provedor ajuda as crianças financeiramente pagando cursos ou aulas, comprando roupas ou material escolar. Já o prestador de serviço é aquele que ajuda com sua profissão, como médico, professor, cabeleireiro etc. A assistente ressalta ainda que o apadrinhamento não está vinculado à adoção e aqueles que se candidatam podem ajudar crianças específicas, que eles podem conhecer previamente.
 
Nesse sentido, Nayara da Costa, psicóloga, ressalta que muitos dos internos que têm padrinhos sabem que não serão adotados por eles, mas mesmo assim estão felizes somente por receber uma atenção especial.
 
Um exemplo de apadrinhamento é o caso de Alessandro, um adolescente de 14 anos que chegou no Lar da Criança com oito meses, juntamente com outros quatro irmãos e mais tarde foi transferido para o Projeto Vida Nova. Ele chegou no local tomando remédios para melhorar o temperamento e com um histórico de dificuldade de relacionamento, situação, segundo a psicóloga, que logo foi modificada, pois ele começou a receber mais atenção e carinho.
 
Ele foi apadrinhado por um casal que o leva para casa aos finais de semana e já chegou até a viajar para São Paulo. “A casa é muito boa e abriga as crianças que foram abandonadas como eu, mas a vida pode ser melhor. Eu já viajei para Praia Grande (SP) com os meus padrinhos e foi um momento ótimo, pois foi possível conhecer o mundo lá fora. Daqui a pouco vou fazer 18 anos e sei que tenho que caminhar com meus próprios pés. Os passeios me dão experiência”.
 
O programa foi criado em 2008, e, desde então, 13 crianças que eram afilhadas acabaram sendo adotadas e 26 já foram apadrinhados, sendo 10 afetivos, 7 prestadores e 9 provedores.
 
 
Keila Maressa/Juliana Polippo
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
(65) 3617-3393/3394