O ‘Dia do Trabalho’ na ótica de um servidor
Vinte e um de outubro de 1975. Este foi o primeiro dia de trabalho do servidor público Wdelson Ferreira Marques, 65 anos, que há quase quatro décadas é motorista no Tribunal de Justiça de Mato Grosso, seu primeiro e único emprego.
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“Seo” Wdelson, que é o segundo funcionário mais antigo do Poder Judiciário na ativa, diz que o segredo para estar há tantos anos em um único local de trabalho, na mesma função, é “gostar do que faz, estar de bem com a vida, tratar bem a todos e deixar os problemas pessoais em casa”.
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Ele lembra como se fosse hoje seu primeiro dia no TJ, que naquela época funcionava na Av. Getúlio Vargas, onde hoje está instalado o Arquivo Público. “Recebi um paletó completo, com gravata e tudo, achei muito estranho, porque não tinha costume de usar. Era muito calor, eu suava muito (rs....) sofri, mas com o tempo me acostumei”, diz o servidor, que está sempre com o uniforme impecável. “Falam até que eu sou engomadinho” (...rs...).
Para ser motorista do TJ ele conta que passou por um teste rigoroso. “Naquela época para ser motorista tinha que ser quase um mecânico, pois quando saíamos para viajar se o carro quebrasse tínhamos que saber consertar, era quase tudo estrada de chão, não tinha onde buscar socorro, Mato Grosso ainda não tinha sido dividido, tudo era muito longe”.
Em 1976, quando a sede do Tribunal de Justiça mudou para o Centro Político Administrativo, Wdelson ajudou fazer a mudança. Na memória estão guardados detalhes da antiga Cuiabá. “A avenida do CPA era uma estradinha de chão, aqui nas proximidades do TJ só tinha o Palácio do Governador, o resto era mato”.
Com uma estrutura menor, formada por apenas 10 desembargadores e um número pequeno de servidores, todos se conheciam. “A gente sabia quem era quem, onde cada um trabalhava e todos se chamavam pelo nome. Hoje tudo mudou, o Poder Judiciário cresceu e a maioria das pessoas se conhece apenas de vista”. Atualmente 5.394 servidores ativos trabalham na Justiça Estadual na Capital e nas outras 78 comarcas do interior do Estado.
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Como motorista Wdelson levou e buscou praticamente todos os desembargadores que passaram pelo TJ ao longo desses 39 anos de trabalho. “Naquele tempo tinha um carro para sete desembargadores, eu fazia um roteiro para conseguir levar todos para o Tribunal, passava na casa de um, depois pegava o outro, até lotar o carro, que era uma Brasília. Eu atendi a desembargadora Shelma Lombardi durante 15 anos, ela dizia que eu já era da família”, lembra com saudades.
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Durante todos esses anos Wdelson se orgulha de nunca ter se envolvido em um acidente de trânsito. “Na minha ficha não consta nada, graças a Deus nunca arranhei um carro do Tribunal de Justiça. Eu dirijo, mas Deus me guia. O trânsito está muito ruim, os motoristas não têm paciência, então eu fico na minha, além de muita atenção, não ando colado e deixo os apressadinhos passarem”.
Dentro do Tribunal, “seo” Wdelson é conhecido por todos, com sorriso largo e sempre de bom humor, é considerado amigo leal e exemplo de servidor. “Essa figura ilustre e simpática é um excelente funcionário. Trabalhamos juntos há 20 anos, é um grande servidor, um grande pai e um grande avô. Está sempre de bem com a vida, nunca o vi reclamando de trabalho”, assegura o auxiliar judiciário Rubens Mauro Lisboa de Araújo, o “PC”, 45 anos.
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Trabalhando juntos no mesmo setor, o motorista Nelson Antunes, 65 anos, também convive com Wdelson há duas décadas. “Ele, além de um bom funcionário, está sempre feliz, traz alegria pra gente, porque aqui somos uma grande família, trabalhando juntos por tantos anos não tinha como ser diferente”.
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Wdelson já pensa no dia em que deixar o Tribunal. “Chega uma época que a gente tem que pendurar a ‘chuteira’ e esse dia vai chegar, mas já posso dizer que vou sentir saudades, vou sentir falta da rotina de trabalho, dos colegas, porque a gente se acostuma. Mas vou aproveitar para passear com a família e curtir a minha aposentaria”, diz o servidor, que se emociona só de pensar em deixar a profissão que exerceu durante tantos anos. “É de emocionar sim, entrei aqui novinho, o Tribunal foi um pai para mim, passei aqui a maior parte da minha vida, minha história está ligada a história do Tribunal, não tem como separar e eu me orgulho disso”.
1º de Maio - O Dia Mundial do Trabalho foi criado em 1889, por um Congresso Socialista realizado em Paris. A data foi escolhida em homenagem à greve geral, que aconteceu em 1º de maio de 1886, em Chicago, o principal centro industrial dos Estados Unidos naquela época.
Milhares de trabalhadores foram às ruas para protestar contra as condições de trabalho desumanas a que eram submetidos e exigir a redução da jornada de trabalho de 13 para 8 horas diárias. Naquele dia, manifestações, passeatas, piquetes e discursos movimentaram a cidade. Mas a repressão ao movimento foi dura: houve prisões, feridos e até mesmo mortos nos confrontos entre os operários e a polícia.
Em memória dos mártires de Chicago, das reivindicações operárias que nesta cidade se desenvolveram em 1886 e por tudo o que esse dia significou na luta dos trabalhadores pelos seus direitos, servindo de exemplo para o mundo todo, o dia 1º de maio foi instituído como o Dia Mundial do Trabalho.
Assista aqui a matéria sobre o Dia do Trabalho da TV.JUS.
Fonte: IBGE/Ministério do Trabalho
Janã Pinheiro/Juliana Polippo
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
(65) 3617-3393/3394














