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 10/06/2013   12:30 

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Artigo destaca esforço da magistrada

 
Por dez anos, a juíza Glauciane Chaves de Melo, de Alto Taquari, estudou para tornar o sonho profissional realidade. Para isso, abriu mão de muitas coisas, entre elas o sonho de ser mãe. O sacrifício da magistrada é lembrado pelo juiz auxiliar da Corregedoria-Geral da Justiça, Antônio Veloso Peleja, em um artigo lamentando a tragédia da qual Glauciane Melo foi vítima. Leia abaixo o texto na íntegra.
 
 
 
 
Glauciane Chaves de Melo: um Exemplo
 
Uma notícia inesperada caiu no Judiciário Mato-grossense como uma bomba: assassinaram Glauciane Chaves de Melo, a juíza de Alto Taquari.  O assassino, ao que tudo indica, foi seu ex-marido, provavelmente inconformado com a separação.  O “anjo da morte” nos retirou um exemplo.
 
Glauciane ingressou na magistratura em 2012. Era de Minas Gerais e lutou muito para se tornar juíza. Disso sabíamos. Anos de estudo, experiência e renúncia. Foi professora, advogada e assessora. Em prol de um sonho, renunciou ao prazer de ser mãe.
 
Exemplo de estudo e dedicação que o passar dos anos não titubearam. Trabalhava de dia e estudava à noite, o que é mais custoso, pois exige dedicação e perseverança. É ver o tempo passar, mas acalentar o sonho no fogo ardente da vontade. É moldar-se em experiência, o que só os anos nos trazem. É construir a sabedoria na ávida leitura, tijolo por tijolo, ao longo das primaveras. É fazer-se melhor a cada dia.
 
Glauciane era tudo isso. Depois de dez anos, veio-lhe a conquista: a tão almejada realização de um sonho. Mas a insensatez retirou-lhe tudo. Experiências, sonhos, conquistas e mais: o direito de ser feliz, de escolher seus passos, de ditar seu próprio caminho, de dizer não...
 
Tinha sorriso bonito e um olhar firme. Descobria-se na magistratura como quem se completa um pouquinho mais a cada dia, no prazer de vivenciar um sonho. Para os colegas, sempre nos mantinha atualizados sobre novos posicionamentos e novas leis.
 
Falta de segurança, tragédia, brutalidade, fatalidade. Discussões... Mas para ela tudo acabou com dois pontos finais de estanho, um pleonasmo porque o primeiro já foi fatal.
 
Seu nome será imortalizado no fórum da Comarca de Alto Taquari. Que Glauciane não fique na memória como a juíza de Alto Taquari assassinada, mas como um exemplo de Mulher de fibra, vibrante, perseverante e vencedora.
 
 
Antônio Veloso Peleja Júnior é juiz auxiliar da Corregedoria-Geral da Justiça em Cuiabá.
 
 
 
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