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 08/06/2013   13:11 

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Cuiabá é oportunidade para haitianas

 
 
Em busca de melhores condições de vida e emprego, sete haitianas começam a trilhar um novo caminho com apoio da empresa terceirizada Luppa - Limpeza e Conservação, que presta serviço para o Tribunal de Justiça de Mato Grosso, que aposta na mão de obra estrangeira para compor o quadro de funcionários.
 
A oportunidade de emprego é vista com bons olhos pelas mulheres que deixaram família e amigos na terra Natal e chegaram ao Brasil com a expectativa de uma vida melhor. Cada uma das haitianas tem uma história para contar e, em comum, elas driblam as dificuldades de estarem em um país desconhecido, não conhecerem o idioma e se acostumam com o tempero da comida, do país que julgam dar oportunidades para os estrangeiros.
 
Diretora do Departamento de Manutenção, serviço e Transporte do TJMT, Neide Camilo da Silva afirma que está satisfeita com o trabalho desenvolvido pelas haitianas e destaca que pelos corredores só houve elogios dos funcionários às mulheres. “Vemos que todos receberam as funcionárias muito bem, estão bastante solidários com elas, têm paciência para ensinar, explicar. Param para tentar comunicar, uma vez que elas não sabem falar o português”.
 
A supervisora geral da Luppa no TJMT, Vanderlea Gonçalves, aponta que a contratação das haitianas vem para suprir a necessidade da empresa em ter mão de obra para realização do trabalho, além da oportunidade de emprego a elas. A Luppa frisa que todos os direitos são garantidos às estrangeiras, que desempenham bem o serviço e aprendem rápido.
 
Gladys Manigat, 41, deixou na cidade de Fort-Liberté dois filhos pequenos, o marido e a profissão. Do grupo, ela é uma das poucas que fala e entende o português, quando pronunciado devagar. Professora de Literatura Haitiana, hoje ela atua na limpeza e planeja aprender bem a língua portuguesa para aprender uma profissão no Brasil, onde pretende adotar como morada. “Quero trazer meus filhos para cá. O menino de 3 anos está muito triste, não quer ir a aula, chora muito de saudade”.
 
 
Conta que veio para tentar algo melhor para a família e com pesar relata a precariedade instalada no Haiti após o terremoto ocorrido em 2010. As empresas faliram, os empregos diminuíram e as poucas ofertas de trabalho oferecerem salários muito baixos. A moeda haitiana, o gourdes, é desvalorizada e as condições de vida não são boas. Cada gourdes é equivalente a R$ 20.
 
Antes de chegar em Cuiabá, Gladys passou por Porto Velho (RO), mas a notícia de vagas de emprego a trouxe para Mato Grosso. Em uma semana foi contratada e alugou uma casa, que divide com a colega de trabalho e também haitiana Violette André, 32.
 
Também por Rondônia passou Manuricheka, 27, que agora também ocupa uma vaga na empresa terceirizada que presta serviço no TJMT. Traz com ela foto dos três sobrinhos e comenta que trabalhava na administração de uma escola em Porto Príncipe, onde vivia com a família. O Brasil não era a primeira opção de Manuricheka, que esteve no Equador, mas o frio intenso não agradou.
 
 
 
Pelo país, também passou Marie Ginane Miody, 37, que acabou vindo para o Brasil, mais precisamente Cuiabá. Alegre e de sorriso fácil, a mulher deixou o ofício de professora de informática para tentar uma vida nova longe da miséria que assola o Haiti. Fotos dos irmãos e sobrinhos fazem parte da bagagem dela.
 
 
 
Lourdeline Petit Frere, 35, veio com a família e, assim como ela, o marido também está empregado, atuando na construção civil. Da vida de Jriscar Loreiserrè, 34, pouco se sabe, uma vez que não fala e não entende português. Limita-se a poucas palavras: oi, desculpa e não falo português.
 
Raquel Ferreira
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
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