Justiça vistoria pontes do Aguaçu
A situação de pelo menos 70 crianças e adolescentes que passam por dificuldades para ir à escola na região do Aguaçu, em Cuiabá, por falta de pontes de acesso, foi vistoriada pela coordenadora da Justiça Comunitária em Cuiabá, juíza Gleide Bispo Santos. A intenção da Justiça é negociar com a Prefeitura da Capital para que sejam tomadas medidas definitivas para o problema que existe há vários anos. A vistoria foi acompanhada por uma equipe da Secretaria Municipal de Obras e pelo morador Benedito de Lima, que faz denúncias constantes do problema.
A magistrada destaca que as reclamações são antigas e compõem um processo iniciado pelo Ministério Público do Estado. Na ação existem divergências de informações prestadas pela gestão municipal e MP. “A Prefeitura fala que as pontes e estradas estão boas e a situação resolvida, o órgão ministerial diz que nada mudou. Vim no local ver qual a realidade e pedi a presença da Secretaria de Obras”.
O processo é relacionado à região Barra Grande, onde pelo menos quatro pontes e passagens apresentam problemas. Na época da seca, o acesso é possível por meio de caminhos improvisados. Porém, no período chuvoso, a água transforma as passagens em rios e lama. Benedito destaca que há muito tempo luta para garantir o direito de ir e vir da comunidade e destaca que o maior problema é a quantidade de crianças e adolescentes que deixam de estudar, porque o transporte não tem como buscar. “Com as pontes e passagens do jeito que estão todos esses anos, o ônibus ou a van não conseguem buscar as crianças. Na época da chuva ficamos ilhados”.
No trecho percorrido pela magistrada, foi identificada a necessidade de recuperar duas pontes, melhorar a passagem em vários pontos e criar uma passarela para permitir o acesso da população ao Aguaçu. O diretor de Infraestrutura da Secretaria de Obras, Gervásio Madal de Assis, afirma que a gestão atua para melhorar a vida dos moradores e recentemente fez o patrolamento e encascalhamento de pelo menos 90% das estradas de terra do entorno do núcleo habitacional.
Quanto às pontes e passagens, destaca que o levantamento das necessidades é realizado e alguns projetos já foram iniciados a exemplo da ponte sobre o Rio Forte, que deve ficar pronto em 40 dias. Assis anuncia ainda que o problema das pontes com seis metros de extensão é mais fácil de resolver, uma vez que existem madeiras dessa dimensão. Já as passagens com 8 metros ou mais serão recuperadas com apoio de vigas metálicas.
A Secretaria de Obras tem um prazo de 45 dias para apresentar um cronograma com datas para tomada de medidas. A intenção da magistrada é resolver o problema de forma amistosa, por meio de conciliação. A reunião para nova conversa entre Justiça e Prefeitura foi marcada para o dia 15 de outubro.
“Precisamos resolver isso definitivamente, não é certo que crianças e adolescentes deixem de frequentar a escola por um problema tão antigo de falta de acesso”, frisou a juíza.
Raquel Ferreira
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