Desembargadores discutem Planejamento Estratégico
O Planejamento Estratégico do Poder Judiciário 2015/2020 foi discutido na manhã desta sexta-feira (10 de outubro) pelos desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso. Durante quase duas horas os integrantes da Corte fizeram sugestões, críticas e propuseram uma série de melhorias que devem constar nas diretrizes que irão nortear os trabalhos do Judiciário Mato-Grossense nos próprios seis anos.Tudo foi anotado pela equipe da Coordenadoria de Planejamento do TJ e pela empresa de consultoria 3GEN Gestão Estratégica, que antes de ouvir os desembargadores fez uma apresentação mostrando a importância de elaborar o Planejamento e dos próximos passos a serem seguidos.
O consultor da empresa, Roberto Campos de Lima, destacou que o Judiciário não precisa de planos de gestão, mas sim de planos de governo, que vão muito além, pois não estão vinculados a quem está no comando da instituição.
A reunião com os desembargadores deu início à segunda fase da construção do Planejamento. A primeira foi o diagnóstico da instituição, realizado por meio de audiências públicas nas 11 comarcas polo do Estado, onde foram ouvidos servidores, magistrados, instituições como Ministério Público, Defensoria, Ordem dos Advogados do Brasil e a população em geral.
Nesta segunda fase (prescritiva), iniciam as reuniões dos grupos de trabalho temáticos, compostos por desembargadores, magistrados e servidores, em que será finalizado o planejamento. A expectativa do presidente do TJ, Orlando Perri, é levar a minuta para apreciação do Tribunal Pleno ainda na primeira semana de dezembro.
Vários desembargadores apresentaram sugestões, que vão desde temas considerados macro, até questões menores, mas que impactam diretamente no dia a dia do Judiciário.
A desembargadora Clarice Claudino, por exemplo, disse que gostaria que constasse no próximo Planejamento Estratégico um investimento massivo na cultura da conciliação e da mediação. “Já temos 24 centros judiciários instalados no interior do Estado, é uma semente que estamos plantando, já estamos colhendo os frutos, mas precisamos investir mais”.
O desembargador Paulo da Cunha destacou a importância de investir em três diretrizes: gestão de pessoas, infraestrutura e tecnologia. “Se olharmos a nossa posição no Judiciário em Números de 2013 nós vemos que progredimos, mas se fizermos uma autocrítica, sabemos que as ações foram paliativas e não decorrentes de uma estrutura que caminha por si só”.
Já o desembargador Rondon Bassil disse que os investimentos devem ser focados na gestão de pessoas. “Queria pelo menos um servidor para cada cargo, que a informatização fosse completa e que o processo digital funcionasse bem”.
Além de propostas, os desembargadores também fizeram críticas, a começar pelo próprio presidente. “Penso que temos que produzir mais e que podemos produzir mais. O Tribunal de Justiça melhorou muito, mas ainda estamos longe do ideal. Precisamos investir em gestão de processos, ou seja, na revisão de rotinas, para não termos retrabalho. Isso necessariamente passa pela melhoria das condições salariais de nossos servidores”, afirmou Perri.
O desembargador Gilberto Giraldelli pediu que as políticas sejam direcionadas para a atividade fim. “Qual é nosso papel? Julgar, dar resultados, atender o jurisdicionado com celeridade, efetividade e segurança. Para isso precisamos de servidores melhor qualificados e com melhores salários. É preciso investir, treinar e fazer acompanhamento de produtividade”.
Para ele, a solução não é abrir concurso para mais juízes e servidores, mas sim investir em assessoria bem qualificada. “Um magistrado precisa ter estrutura qualificada. Se ele tiver estrutura qualificada apresentará bons resultados”.
O consultor Roberto Campos de Lima avaliou a reunião como extremamente positiva. “Tudo o que foi coletado aqui será debatido nos grupos temáticos, para que possamos, a partir de grandes temas, que serão os pilares da estratégia institucional, desenvolver uma análise aprofundada de quais serão as prioridades. Transformar isso em metas claras, metas essas que sejam suportadas por uma carteira de projetos, que sejam pequenos e restritos, mas que tenham alto impacto para gerar resultados”.
Janã Pinheiro
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
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