Enapa debate a importância das equipes técnicas
Na tarde desta sexta-feira (02 de maio) “O papel das equipes técnicas nos processos de adoção” foi o tema da mesa redonda realizada durante o 19º Encontro Nacional de Apoio à Adoção (Enapa), que este ano está sendo realizado em Cuiabá.
Para o juiz auxiliar da Corregedoria Geral da Justiça, José Antônio Bezerra, que mediou o debate, as equipes são fundamentais, pois elas são os olhos do magistrado in loco. “São elas, as equipes, formadas por assistentes sociais e psicólogas que fazem às visitas as famílias que têm interesse em adotar. Elas vêm à realidade de cada uma, se estão preparadas para receber uma criança ou não. Essas informações ajudam muito o juiz no momento de decidir”.
Antônio Bezerra destaca que o trabalho das equipes técnicas é muito importante, isso, porém não impede o magistrado que atua na Vara da Infância e Juventude de sair do gabinete e ir ver de perto a realidade daquela família pretendente. “O juiz que tem atribuição na Vara da Infância, tem que ser sensível e sempre que possível fazer visita in loco. É preciso que o magistrado seja pró-ativo, é preciso ter uma visão diferenciada do passado”.
Ele frisou também a importância da celeridade nos processos de adoção. “Um dia a mais em um abrigo para significar muito na vida de uma criança. Sem essa visão célere do judiciário o dano pode ser cada dia maior e muitas vezes irreversível na vida desse menor”.
A mestre em psicologia, Verônica Petersen, do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, falou sobre a institucionalização das crianças. Ela começou a apresentação mostrando um vídeo da Febem, onde era ressaltado que aquele lugar traria um diferencial de aprendizado na vida das crianças e adolescentes que passassem por lá.
“Antes acreditava-se em uma grande máquina governamental, de assistência social, que desse conta de resolver a problemática das crianças institucionalizadas. Vemos que esse modelo não funcionou. Acreditamos hoje na convivência social. É preciso abandonar o modelo de sistema institucional de governo, é no centro das famílias que nossas crianças devem estar, daí a importância da adoção”.
Para a psicóloga, o Poder Judiciário é o grande responsável pela efetivação da adoção, só que para ela (a adoção) se efetivar de fato é preciso que o trabalho da rede de proteção de base aconteça. “Precisamos preparar nossas equipes técnicas, capacitá-las, oferecer subsídios suficientes para que as ações aconteçam’.
A desembargadora do Tribunal de Justiça do Mato Grosso do Sul, Maria Isabel de Matos Rocha, elogiou o trabalho realizado pelas equipes técnicas e destacou que as salas onde elas atendem, assim como os gabinetes dos juízes, “são verdadeiros altares de sofrimento e de dor”, relatadas por crianças, adolescentes e familiares. “Temos que ter o amor competente e profissional por nossas crianças”.
Ela ressaltou que meninos e meninas que vão para instituições para serem adotadas vivem um conflito interior muito grande, “para elas é muito difícil se separar de uma família para se apegar a outra, mesmo que a família biológica seja a causadora de tanto sofrimento”.
A desembargadora defende que o magistrado que atua nessa área deve olhar a situação de cada criança, “mas olhar com cuidado, e nesse ponto o papel da equipe técnica é fundamental para auxiliar o juiz”.
O 19º Enapa termina neste sábado. Confira a programação:
Janã Pinheiro
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