Palestra do 19° Enapa discute parentalidade
Pais de cinco filhos de coração, o psicólogo Luiz Schettini e sua esposa e presidente da Associação Nacional dos Grupos de Apoio à Adoção (Angaad), Suzana Sofia Moeller Schettini, ministraram a palestra ‘A rede de proteção e a maturidade para os grupos de apoio à adoção (GAAs)’, que abriu o segundo dia do 19° Encontro Nacional de Apoio à Adoção – Enapa.
Luiz Schettini iniciou sua fala explicando que o papel do cuidador é essencial no desenvolvimento da personalidade de qualquer criança ou adolescente, independente dela ser adotada ou biológica. “Nem todo cuidado é positivo. Há cuidados que são prejudiciais, porque interferem muito na vida do outro e o impede de desenvolver todas as suas potencialidades”, explica o psicólogo e escritor. O palestrante contou ainda que “muitos pensam que o filho adotivo vem de fora, mas não é verdade. Eles vêm de dentro. Eles devem ser uma escolha interna, baseada no desejo de formar uma família e de ter um filho”.
Suzana Schettini falou sobre os desafios de presidir uma associação como a Angaad e sobre os desafios da maturidade no processo de adoção e cuidado da criança. “Para começar é preciso saber que os pais adotivos não são especiais. A adoção deve ser feita pelo desejo intenso de ter um filho, nunca de fazer caridade. Os casais que adotam por caridade ou por qualquer outra razão que não seja o amor estão em um grande perigo. Pois passam a exigir demais da criança e o objetivo não pode ser este”, adverte Suzana.
Sobre a formação do GAAS, Suzana relatou que a ideia nasceu da necessidade que eles mesmos tinham como pais adotivos de trocar experiências com outros pais. “Não havia literatura ou grupo de apoio que nos ensinasse a como proceder naquela época. E esse indicativo nos levou a desenvolver o GAAS”, contou.
Para finalizar a palestra, o casal reforçou a necessidade de se exterminar o preconceito que envolve a adoção. “Algumas pessoas têm medo de adotar, pois acreditam que somente através da consanguinidade será possível prever problemas futuros que seus filhos possam ter. Entretanto, isso é uma inverdade. Nem nos filhos biológicos é possível determinar que tipo de problemas e desafios serão enfrentados. É preciso levar informação à sociedade, para que todos entendam que os problemas sempre existirão independente do tipo de ligação”, finalizou Luiz.
Pela primeira vez na Capital, o Enapa é organizado pela Associação Mato-grossense de Pesquisa e Apoio à Adoção (Ampara), em parceria com o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) e a Associação dos Grupos de Apoio à Adoção (ANGAAD). Entre os dias 1 e 3 de maio, profissionais da Justiça, saúde, educação, grupos nacionais de amparo à adoção, Conselhos Tutelares, Poder Legislativo e sociedade em geral estarão reunidos para discutir políticas voltadas para adoção no Centro de Eventos do Pantanal, em Cuiabá.
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Mariana Vianna
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
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