Jecrim encaminha 660 dependentes a tratamento
Uma oportunidade para recomeçar. Assim podem ser consideradas as 12 audiências coletivas realizadas pelo Juizado Especial Criminal de Cuiabá, de outubro de 2013 até agora. Neste período, 660 dependentes químicos foram encaminhados para tratamento. O Jecrim atendeu, em média, 55 usuários por audiência, além de familiares que acompanharam todo o processo.
O trabalho começou há nove meses, mas os resultados já são tidos como vitoriosos. A juíza responsável pelo Juizado, Ana Cristina Silva Mendes, conta que o projeto teve um início tímido, mas que hoje o espaço é pequeno para atender a demanda. “Tem sido um trabalho gratificante e o balanço é o melhor possível. Conseguimos muitos encaminhamentos, seja para tratamento ambulatorial, em comunidade terapêutica, internação em unidade hospitalar ou participação em grupo terapêutico”, explica.
A magistrada conta que, ao chegarem à audiência coletiva, os dependentes químicos assistem a um vídeo institucional produzido pelo Poder Judiciário, que relata histórias e depoimentos de pessoas que encararam a luta contra as drogas, além de reunir diversos especialistas que falam sobre o assunto. A partir de então, inicia-se uma discussão acerca da nocividade dos entorpecentes.
Em seguida, começam os atendimentos individuais realizados pela juíza Ana Cristina e quatro juízes leigos. Os encaminhamentos são feitos conforme a história de vida de cada um, sendo que a pessoa com dependência pode ser tratada em entidades como Narcóticos Anônimos, Alcoólicos Anônimos, Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD), no próprio Grupo Terapêutico do Jecrim, dentre outras.
“Na audiência coletiva as pessoas percebem que não são as únicas a passarem por esse problema e se deparam com uma realidade. Quando se deparam com tanta gente, se dão conta de que não são as únicas e isso tem uma cerca importância para que elas possam querer um tratamento”, destaca. Participam das audiências pessoas que foram detidas por uso ou porte de entorpecente para consumo.
Judiciário dinâmico – Para a magistrada, a iniciativa também mostra um Judiciário dinâmico, que não está atrelado ao rigor formal da lei, mas, sobretudo, que busca a solução de conflitos e está próximo da população. “Uma sociedade que se preocupa com a dependência química se preocupa com a diminuição da criminalidade, com a sociedade de forma geral, não apenas com números, mas acima de tudo com a qualidade de vida das pessoas”, ressalta.
As próximas audiências coletivas serão realizadas nos dias 14 de agosto, 10 e 30 de setembro, 30 de outubro e 13 e 27 de novembro.
Camila Cecílio
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