Parceira dá oportunidade a recuperandos
Uma nova chance para a ressocialização dos recuperandos de Cuiabá foi tomada na tarde desta terça-feira (12 de agosto) na sala da presidência do TJMT. O Pode Judiciário, em parceria com a Prefeitura e o Estado de Mato Grosso assinaram um termo de cooperação que permitirá aos presos prestarem trabalho nas áreas de serviços urbanos da cidade. A oportunidade deve estar implantada até o próximo mês e será feita de forma voluntária. A parceria integra o projeto “Conquistando a Liberdade” e consiste no trabalho dos reeducandos em prestar serviços de poda de árvore, limpeza de avenidas, revitalização das praças públicas e reforma de escolas durante um dia da semana. Eles serão monitorados por meio de tornozeleiras e também terão aulas em cursos técnicos. A ideia é que ao deixar a prisão, eles tenham uma profissão e consigam se inserir no mercado de trabalho.
O presidente do TJMT esclareceu durante a reunião que o trabalho é necessário, mas é preciso que haja também estudo para diminuir a discriminalização. “Nós só vamos superar a discriminalização seguindo o tripé trabalho (que dá dignidade humana), educação (por meio de cursos profissionalizantes) e quebra de paradgmas (diminuindo o preconceito). Precisamos ir muito além, porque eles precisam de cursos profissionalizantes”, explicou o magistrado.
Na oportunidade Perri citou o cientista Albert Eisten quando afirmou que é mais fácil quebrar a partícula de um átomo que quebrar o preconceito.
Sebastião de Moraes Filho, Corregedor Geral da Justiça mato-grossense, ressalta que o perfil dos reeducandos que serão escolhidos são aqueles que apresentam bom comportamento, aptidão para o trabalho ou que tenham vontade de trabalhar. Ele destaca também que todos aqueles que se candidatarem terão um dia de pena descontado (remido) a cada três dias trabalhados.
“Eles não podem ser classificados como páreas da sociedade, todos os recuperandos têm o direito de ao sair da prisão ter uma direção para seguir. Não podemos simplesmente colocá-los na rua e dizer adeus”, pontua o corregedor.
Durante a reunião, Luis Antônio Possas, secretário de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), lembrou que cada preso custa à máquina pública cerca de R$ 2,4 mil e este valor é muito alto apenas para "guardar" as pessoas. “Eles precisam dessa oportunidade e é o Judiciário quem vai liberar aqueles que vão participar do projeto para que eles possam ter a oportunidade de ganhar dignidade”, explica.
Com o termo, os parceiros esperam também diminuir o índice de reincidência criminal entre a população carcerária. De acordo com a Pôssas, estudos brasileiros afirmam que somente 17% dos presos se recuperam, sendo que 83% voltam a cometer crimes. Em Mato Grosso existem atualmente 9,8 mil presos, e pelo menos 47% estão nas penitenciárias de Cuiabá.
Também participaram da reunião o prefeito de Cuiabá, Mauro Mendes, o procurador-geral de Justiça, Paulo Prado, secretários de Estado e Município, além dos diretores dos presídios.
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Keila Maressa
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