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 10/09/2014   19:04 

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Jecrim realiza novas audiências coletivas

Ângelo Alves Machado, 33, trabalhava como motorista pelas estradas do país quando teve seu primeiro contato com as drogas. Há cerca de cinco anos ofereceram cocaína a ele e, a partir daquele momento, sua vida mudaria para sempre. O rapaz conta que aceitou porque disseram que a substância ajudaria a melhorar o desempenho no trabalho, de modo que conseguiria passar mais horas acordado. No entanto, um dia ele foi pego pela polícia e hoje responde a um processo por porte de entorpecente.
 
O motorista é uma das 140 pessoas que foram intimidadas a comparecer nas audiências coletivas realizadas na tarde desta quarta-feira (10), pelo Juizado Especial Criminal de Cuiabá (Jecrim). “O objetivo disso é mostrar a essas pessoas a nocividade e os aspectos negativos das drogas. Para isso, exibimos um vídeo institucional para sensibilizá-las e muitas acabam refletindo sobre o comportamento delas, no sentido de buscar ajudar, esclarecimentos e se livrar de um mal que atinge tantos jovens na sociedade”, explica a responsável pelo Jecrim, juíza Ana Cristina Silva Mendes.
 
Dezenas de dependentes químicos e seus familiares passaram pela sala da magistrada e de outros quatro juízes leigos que auxiliam na condução dos usuários para tratamento em grupos terapêuticos. O trabalho começou em outubro do ano passado e já direcionou mais de 660 pessoas à possibilidade de uma nova vida. Após o vídeo, são iniciadas as audiências individuais, nas quais todos são ouvidos e falam sobre o que levou ao contato com as drogas. Em seguida, cada história é analisada para receber o encaminhamento mais adequado, segundo Ana Cristina.
 
A aposentada Célia Regina Benetes é mãe de um rapaz de 20 anos que foi pego portando drogas. Ela e o filho foram os primeiros a passarem pela audiência individual, na qual o jovem recebeu a determinação para se tratar. Para ela, a conversa com a juíza trará bons resultados. “Ele começou a sair com 16 anos com más companhias, e o que aconteceu aqui hoje vai ajudar muito para que ele tome um caminho certo”, comenta.
 
A auxiliar de serviços gerais Roselene da Silva vive uma experiência semelhante. O filho dela também está com 20 anos e teve que comparecer ao Jecrim por conta das drogas. Apesar da situação delicada, ela garante que está esperançosa quanto à recuperação do garoto. “Achei a apresentação muito boa porque ajuda quem quer ser ajudado. Acho que todas as famílias podem contar e recorrer ao Judiciário para resolver isso”, afirma a mãe, que também adianta que fará parte de um dos grupos terapêuticos destinados aos familiares.
 
A juíza Ana Cristina destaca que a iniciativa promovida pelo Poder Judiciário de Mato Grosso é maravilhosa por ir além dos processos que tramitam nas unidades judiciárias. “O tratamento dispensado pela Justiça estadual é mais humanizado e isso traz muito benefícios tanto para nós quanto para a sociedade. A cada vida recuperada, é uma festa para o mundo”, reforça.
 
Quem está em festa é a aposentada Maria do Socorro Alves da Costa Machado, mãe do motorista Ângelo. Isso porque o filho aceitou o tratamento para se livrar das drogas e ela faz questão de acompanhar esse processo de perto. “Eu quero o melhor para ele, não quero isso nem para quem está lá fora. Ele tem que querer melhorar e sempre diz isso, então eu acredito que essa melhora é possível”, diz, confiante.
 
Camila Cecílio
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
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