Câncer: diagnóstico precoce eleva chances de cura
Apesar de todos os avanços da medicina, ainda não há nenhum tipo de tratamento de prevenção ao câncer de mama. É claro que uma série de cuidados com a saúde pode evitar, mas não excluir em 100% as chances de ter um diagnóstico positivo. O que vai garantir o sucesso ou não do tratamento é a descoberta precoce da doença, essa é a palavra de ordem quando o assunto é câncer de mama. Se descoberto precocemente as chances de cura são de 95%. Já nos casos em que o diagnóstico é tardio a taxa de sobrevida do paciente cai para 10%, em cinco anos.
De acordo com o mastologista e diretor clínico da MTmamma, Wilson Garcia, é importante ressaltar que na fase precoce a doença não revela nenhum tipo de sintoma. Mas se o corpo não apresenta nenhuma reação – como ocorre na maioria dos casos –, como se proteger? Procurando o serviço de saúde, público ou privado, regularmente.
Ele explica que o câncer de mama acomete, na maioria dos casos, mulheres a partir dos 50 anos. Isso não significa, porém, que mulheres mais jovens não possam ter a doença. Levando a média geral dos 50 anos, o médico preconiza que as mulheres façam sua primeira mamografia entre os 35 e 40 anos. A partir dos 40 anos a mamografia deve ser realizada anualmente, juntamente com os demais exames preventivos que as mulheres costumam fazer.
“A mamografia é a nossa grande ferramenta para o diagnóstico precoce da doença. Ela pode ser feita tanto na rede pública quanto na rede privada”, salienta.
Apesar de o médico prescrever a mamografia como o melhor exame de diagnóstico precoce da doença, ele ressalta a importância do autoexame. Mesmo não detectando todos os tipos de nódulos, principalmente na fase inicial do câncer, ele não pode ser ignorado pelas mulheres, pois tem a sua eficácia.
O autoexame é um forte aliado da descoberta da doença, se for feito corretamente. Pouco vale um autoexame realizado esporadicamente. Conforme o mastologista, ele deve ser feito todos os meses, depois do período menstrual, quando a densidade da mama melhora e as dores reduzem.
“É importante a mulher se examinar, ter noção do seu corpo, porque ela, conhecendo a densidade das suas mamas, qualquer nódulo, por menor que seja, qualquer alteração do tecido mamário, será percebido por ela. Conhecendo bem sua mama, a mulher vai perceber qualquer alteração, por menor que ela seja, e é isso que desejamos”.
Para o mastologista, tanto a mamografia quanto o autoexame são fundamentais para o diagnóstico precoce. “Fazer o rastreamento é muito importante. A mulher que faz isso tem altas chances de cura, com a menor mutilação possível, com tratamento menos sofrível possível. É isso o que nós esperamos”.
As campanhas feitas, entre elas o “Outubro Rosa”, são fundamentais, já que o câncer de mama é a doença que mais mata mulheres no Brasil. E os números continuam alarmantes. No ano passado 58 mil brasileiras receberam o diagnóstico do câncer de mama. Em Mato Grosso foram 610 mulheres.
Apenas no consultório do mastologista, em média, de duas a três mulheres recebem, por mês, o diagnóstico da doença. Por ano, esse número pode chegar a 30. Mas como dar esse tipo de notícia para a paciente?
“Nós médicos que atuamos nesta área acabamos sendo um pouco psicólogo também. Temos que ouvir muito, escutar o choro, os questionamentos e avaliar bem o perfil de cada paciente, já que umas querem saber absolutamente tudo sobre a doença e outras não querem saber absolutamente nada. Nessas horas é preciso ter tato e saber o que dizer, quando dizer e a maneira certa de falar as coisas, pois cada uma reage de maneira diferente. Tem 20 anos que trabalho como mastologista e aprendi a lidar, junto com as minhas pacientes, com esse momento difícil da vida delas”.
MTmamma – O mastologista é diretor clínico na MTmamma, uma instituição filantrópica, formada por voluntários com o objetivo de auxiliar as mulheres diagnosticadas com câncer. Atualmente a entidade tem 148 assistidas e mais de 100 voluntários, entre eles o médico Wilson Garcia, que ministra palestras e passa informações para as assistidas.
“Não podemos adivinhar quem vai ter câncer de mama. Ele acomete ricos e pobres, indistintamente. E é exatamente aí que entre a MTmamma, dando apoio às mulheres que estão com câncer de mama, independente da classe social que elas se encontram. A MTmamma faz esse acolhimento, durante e no pós-tratamento, o que faz toda a diferença na recuperação da paciente”, explica o médico.
A MTmamma oferece diversos serviços para essas mulheres, entre eles: reuniões mensais do grupo de psicoterapia, oficinas de artesanato e pintura em tecido, sessões de reiki, meditação, yoga, pilates, hidroginástica, fisioterapia, aulas de dança do ventre, grupo de madrinhas das assistidas, informação, auxílio no encaminhamento para o tratamento (médicos e exames), consultoria jurídica sobre direitos da pessoa com câncer, coral, palestras educacionais e cursos de capacitação de voluntários.
A entidade conta ainda com um banco de perucas e próteses externas para as pacientes que passaram pela mastectomia e estão aguardando a recomposição da mama. “Muitas das assistidas vêm do interior do Estado, quando chegam aqui, além de enfrentar o tratamento, estão sozinhas. A MTmamma faz esse trabalho de amparo, de ouvir, de ajudar e de auxiliar essas pacientes, um trabalho lindo e muito importante”.
Dia ‘D’ no TJMT – O Programa Bem Viver, em parceria com a MTmamma, realizará no dia 29 de outubro o dia “D” do “Outubro Rosa” no Tribunal de Justiça de Mato Grosso. Para isso, será realizada uma palestra pelo mastologista Wilson Garcia, às 10h, no auditório Gervásio Leite.
O objetivo da palestra é divulgar informações sobre o câncer de mama, fomentar a realização do autoexame, abordar mitos e verdades sobre a prevenção e detecção da doença, além de informar sobre a importância da realização da mamografia. Na oportunidade o Bem Viver estará sorteando brindes e entregando panfletos educativos aos participantes.
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Janã Pinheiro
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
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