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 27/10/2015   16:30 

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Curso de confecção profissionaliza detentos

A união de esforços entre o Poder Judiciário de Mato Grosso, Conselho da Comunidade, Defensoria Pública e Ministério Público do Estado tem ajudado a mudar o dia a dia dos 36 detentos – entre condenados e provisórios – que ocupam a Cadeia Pública de Alto Garças (357 km ao Sul de Cuiabá).
 
Por meio do Projeto “Recuperando para Vida” os detentos são estimulados a estudar e fazer cursos profissionalizantes que possam ajudá-los na reinserção social quando deixarem a cadeia.
 
A unidade prisional conta agora com uma pequena fábrica de confecção de roupas. Os equipamentos foram doados pela prefeitura municipal. Instrutores do Senai de Rondonópolis estão ministrando o curso de corte e costura para 19 detentos, que já estão confeccionando seus próprios uniformes.
 
“Nosso projeto é de ampliação. Queremos que eles produzam uniformes para outras instituições públicas, além de sacolas ecológicas. Sabemos da importância do trabalho na recuperação dessas pessoas. As parcerias têm sido fundamentais para o sucesso do projeto”, destaca o juiz da Comarca de Alto Garças, Pedro Davi Benetti, que está há três anos trabalhando na comunidade.
 
Conforme a diretora da unidade penal, Maria Gicelma, os detentos foram selecionados para participar deste projeto tomando como base o bom comportamento de cada um. “À principio eles estão tendo aulas com os professores do Senai, onde estão aprendendo esse oficio. As aulas acontecem de segunda a sexta-feira. As turmas foram dividas em duas, no período matutino e a outra no período vespertino”.
 
 
Nas primeiras aulas os detentos irão confeccionar os uniformes dos presos da unidade. O objetivo, porém, é que mais tarde eles possam atender também escolas, creches, hospitais, entre outras instituições da rede pública de Alto Garças.
 
 
Para o projeto ter início foram instaladas cinco máquinas de costura industriais. “Nossa ideia depois é fazer uniformes para as unidades penais do Estado que ainda não possuem esse projeto”, destaca a diretora.
 
O juiz Pedro Benetti explica que assim que chegou à comarca, a cadeia não tinha espaço para melhorias. Uma das primeiras ações para mudar essa realidade foi fazer parcerias, entre elas com o Conselho da Comunidade, que é bastante atuante.
 
“Nós tínhamos muita madeira apreendida, que foi repassada ao Conselho para que ele realizasse um leilão. Com os recursos arrecadados construímos duas salas de aula e as coisas começaram a mudar”, relata o magistrado.
 
A mão de obra foi toda ofertada pelos detentos. Antes de literalmente colocarem a mão na massa, eles passaram por um curso de pedreiro, oferecido por professores do Senai de Rondonópolis. “Eles construíram e cobriram as duas salas, fizeram tudo sozinhos após a capacitação”.
 
Com o espaço pronto chegou a vez da Fundação Nova Chance iniciar o trabalho de educação. Atualmente a unidade oferece ensino até o 4º ano, já que a maioria dos detentos que chega à cadeia é semianalfabeta. No local foi instalada uma sala de informática, que deverá estar funcionando em breve. Os detentos têm também aula de música e trabalham com horta.
 
Com essas melhorias os resultados começaram a aparecer. A autoestima dos recuperandos aumentou, a reincidência caiu, e o clima na cadeia é outro, já que os detentos ficam ocupados e mais calmos. Reduzindo a tensão, diminuem os motins.
 
Além disso, os detentos que estudam ou trabalham têm direito à remissão da pena. A cada três dias de trabalho um dia é reduzido na pena. A cada 12 horas de estudo, um dia a menos na cadeia.
 
“O Conselho da Comunidade da Execução Penal está funcionando muito bem. O conselho é devidamente constituído, tem um trabalho sério e consegue obter recursos para investir na unidade. Os bons resultados já começam a aparecer”, afirma o juiz.
 
O presidente do Conselho, defensor público Rubens Vera Fuzaro Júnior, ressalta que considera importante a participação da comunidade em projetos desta natureza, tendo em vista que o trabalho de ressocialização do detento começa dentro da unidade prisional, oferecendo a estas pessoas a chance de, ao saírem da prisão, serem reinseridas de fato na sociedade.
 
“O Conselho é composto por membros da sociedade civil, que acaba colaborando com esta recuperação e vendo o recuperando com outros olhos. O juiz Pedro Benetti ajudou a reconstruir o Conselho, que estava desativado tinha dois anos e os resultados estão aí”.
 
Ele destaca ainda que muitos detentos estão tendo na cadeia a oportunidade que não tiveram quando estavam em liberdade. “Muitos estão aprendendo a ler e escrever agora. Outros tiveram dentro da unidade prisional a chance de aprender uma profissão. Isso é ressocializar. Trazendo ocupação, trazendo dignidade para essas pessoas ajudamos a mudar o comportamento delas e as chances de recuperação aumentam”.
 
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Janã Pinheiro
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
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