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 27/11/2015   11:43 

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Guiratinga: projetos combatem violência doméstica

No Dia Internacional da Não-Violência Contra a Mulher – 25 de novembro, o juiz e diretor do foro da comarca de Guiratinga (328 km ao sul de Cuiabá), Jean Garcia de Freitas Bezerra, lançou o ‘Justiça pela paz em casa, para além das protetivas’. O projeto consistiu em reuniões com mulheres e homens que são partes de processo com medidas protetivas vigentes, ajuizadas a partir de 2011.
 
Na quarta-feira (25 de novembro), o encontro foi com as mulheres, no Auditório da Secretaria de Educação do município. Vestidos com camiseta personalizada do projeto, os organizadores distribuíram folhetos sobre violência doméstica e familiar. O magistrado falou com as participantes e a superintendente de Políticas das Mulheres de Mato Grosso, Isabel Silveira, fez uma palestra com o tema ‘Despertando seu potencial’.
 
Para Isabel Silveira, a ideia do projeto é louvável. “Temos uma iniciativa inédita no município de Guiratinga, e eu tenho certeza que estamos construindo um novo tecido social, um tecido social humano, e resgatando a relação da família. Percebo que pode haver uma mudança efetiva a partir da qual a mulher possa ser vista com cidadania e dignidade, respeitando também o homem lado a lado. Porque o homem passa a reconhecer a importância da mulher à medida que percebe a sua importância numa condição de igualdade”, argumentou.
 
Na sequência, foi apresentada uma peça e uma dança pelo grupo teatral da Igreja Presbiteriana da cidade, relacionada à violência doméstica e familiar contra a mulher. As mulheres ainda foram entrevistadas por vários profissionais. Segundo o juiz Jean Bezerra, foi aplicado um questionário para apurar se a vítima retornou ao convívio com o agressor, se as medidas protetivas estavam sendo cumpridas, a forma de eventuais descumprimentos, e se havia interesse na manutenção das medidas.
 
“Verificamos também se a vítima e seus filhos necessitavam regularizar questões inerentes a divórcio, como alimentos, guarda e direito de visitas, se necessitavam de alguma assistência, tanto material como psicológica, como eventual tratamento contra dependência alcoólica ou química”, contou o magistrado, acrescentando que a partir das respostas foram proferidas decisões judiciais mantendo ou revogando as medidas protetivas. Todos os encaminhamentos à rede de proteção também foram feitos, em seguida.
 
No fim do evento, houve sorteio de brindes e entrega de cartões elaborados por alunos da rede pública com poesias redigidas por eles, em tom de valorização da mulher, como também cartinhas com o mesmo conteúdo.
 
"Se nós não agirmos contra a violência doméstica, atacando os problemas na sua raiz, como a quebra da cultura patriarcal e machista ensinada na infância e adolescência, e o combate às drogas e o alcoolismo, que também são responsáveis pelo ânimo exaltado do agressor e potencializam a personalidade violenta do mesmo, infelizmente continuaremos a perder nossas mulheres para a violência doméstica. E, além disso, também muito importante, é que as mulheres vítimas de violência doméstica rompam a barreira do medo, quebrando o silêncio, denunciando seus agressores, porque só assim poderemos dar uma resposta adequada e uma punição justa ao ofensor", defendeu o juiz idealizador do projeto.
 
Nesta quinta-feira (26 de novembro), o encontro foi com os homens. Os requeridos em medidas protetivas ouviram um breve discurso do juiz e tiveram palestra com Isabel Silveira. Também foram submetidos a um questionário para análise de eventual necessidade de acompanhamento pelo Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) ou pelo Centro de Referência de Assistência Social (Cras), como também de algum auxílio da Defensoria Pública.
 
Concurso de redação – Outro projeto da comarca, chamado ‘Redigindo o respeito’, trabalhou a temática da violência familiar. Alunos de três escolas da rede pública municipal de ensino, a partir do 5º ano, participaram de um concurso de redação aplicado pelos professores de português, com o tema ‘Violência doméstica e familiar contra a mulher, um mal a ser combatido’. Os autores das melhores redações de cada escola receberam um certificado e foram premiados com um tablet, no dia 25 de novembro.
 
 
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