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 08/12/2015   13:47 

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10ª Vara Criminal oferece curso em parceria com AA

Terminou na sexta-feira (4 de dezembro) o ‘Curso sobre técnica dos Alcoólicos Anônimos para controle da dependência química’ realizado pela 10º Vara Criminal de Cuiabá em parceria com o AA, no Fórum da Capital. O curso é destinado a 110 condutores que são réus em processos judicias por dirigirem alcoolizados ou sem habilitação. A quinta e última aula foi realizada no auditório.
 
De acordo com a juíza Flávia Catarina Oliveira de Amorim Reis, essa é uma iniciativa inédita no país, concentrar em apenas uma semana as palestras do AA. A magistrada explica que, antigamente, por determinação judicial, os réus deveriam frequentar uma unidade do AA semanalmente, durantes seis meses. Dessa vez, dezenas deles foram intimados a comparecer ao curso e conhecer a filosofia dos 12 passos em apenas cinco dias.
 
Segundo a magistrada, o comparecimento ao curso é condição para extinção do processo com julgamento do mérito sem discussão para absolvição ou condenação. Dessa forma, o réu permanece primário, com nome limpo e com direito a pagar fiança responder o processo em liberdade.
 
“Nosso principal objetivo é conscientizar o condutor flagrado dirigindo alcoolizado e mudar a mentalidade de que não faz mal tomar um golinho, ir para o happy hour, e depois dirigir. As duas práticas são lícitas, beber e dirigir, mas não podem ser conjugadas. Embriaguez no volante é um crime de médio potencial ofensivo e tem pena de seis meses a três anos de detenção”, explicou a juíza.
 
Para o mestre de obras J.C.S., de 33 anos, a inciativa foi muito boa. Ele foi pego em uma blitz da Lei Seca há um ano e meio e estava frequentando o AA há cerca de dois meses. “Eu trabalhava fora e todo sábado tinha que vir para a reunião do grupo. Poder cumprir tudo em uma semana é melhor”. J.C.S. acrescentou que se reconheceu em muitos depoimentos ao longo da semana, que está há três dias sem beber e que espera não colocar mais bebida alcóolica na boca. “Aprendi que é preciso evitar o primeiro gole. Hoje sou uma nova pessoa”, afirmou.
 
Já o trabalhador rural L.G.M., de 58 anos, se envolveu em uma pequena colisão e chegou a ser preso. “Na hora eu pensei: e se mato alguém? Então resolvi parar e já não bebo há três anos. Errar todo mundo erra, o importante é reconhecer o erro”, revelou. Sobre o curso, disse que é bom, abre a mente, ensina e mostra o que realmente o álcool faz na vida de uma pessoa.
 
O mecânico G.F.L., de 31 anos, não chegou a frequentar o AA uma vez por semana. Ele foi intimado direto para o curso de cinco dias e compareceu. “Eu me identifiquei. Hoje eu reconheço que sou alcoólatra e por isso estou sem beber há dois anos, desde quando fui pego na blitz. Muitas vezes eu preferi a bebida, mas agora vejo que existem escolhas melhores”, considerou.
 
O coordenador do AA em Mato Grosso, L.J., explicou que durante a semana os participantes conheceram como funciona o programa de recuperação. “Ele tem 36 princípios, sendo 12 passos, 12 tradições e 12 conceitos. Nessa semana, estamos passando para os participantes desse seminário como funcionam os 12 passos, o que eles nos orientam e como praticamos, por meio do relato de companheiros. O propósito é jogar uma semente para que, quem tem problemas com álcool, saiba que existe uma solução”, frisou.
 
“A aceitação foi fantástica e eles estão comparecendo disciplinadamente às palestras. Sabem que é uma oportunidade única de pagar a conta com a justiça e permanecer com o nome limpo. Dirigir alcoolizado não oferece segurança a ninguém e, com o curso, esses condutores passam a compreender a insensatez e a conduta criminosa que é somar álcool e direção”, finalizou a magistrada.
 
 
Ana Luíza Anache
Assessoria de Comunicação CGJ-MT
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