Ex-dependente de drogas palestra no Jecrim de VG
Larissa de Borba Costa tem 26 anos, há dois anos está livre das drogas, e na manhã desta quarta-feira (4 de março) foi até o Juizado Criminal Unificado (Jecrim) de Várzea Grande conversar com cerca de 20 pessoas, entre pais e usuários. Segundo a jovem, as pessoas se curam de uma doença quando ajudam a curar outros. Por conta disso resolveu contar sua história de vida.Ela se tornou usuária em 2009, quando tinha vinte anos e uma filhinha, à época com apenas dois anos. O início de tudo foi a curiosidade em conhecer a maconha e a facilidade em consegui-la com os amigos. Daí para as drogas mais pesadas, como a cocaína, foi questão de semanas. Os próximos seis anos foram jornadas paralelas de uso excessivo e de luta contra as drogas.
“Quando a gente está usando, acha que pode controlar tudo, mas a droga mostra um mundo que a gente sonha e pode ter por apenas momentos. Por isso é fácil a recaída. Quando você para de usar, se depara com o mundo real, e vem a vontade de se drogar de novo. É aí o momento em que você tem que persistir”, ressaltou.
A palestra faz parte do projeto Estação Terapêutica e Preventiva, desenvolvida pelo Jecrim, e busca tratar as pessoas envolvidas com drogas e também as famílias delas, pois o juizado entende que antes de ser punir o usuário, é necessário buscar a cura. Em Mato Grosso, a ideia nasceu com o juiz Mário Kono, no Jecrim de Cuiabá, e foi aproveitada pela juíza Amini Haddad, em Várzea Grande. Hoje o projeto é comandando pelo juiz Mirko Vicenzo Giannotti.“É necessário conscientizar as famílias, pois a falta de conhecimento faz com que os próximos se tornem co-dependentes. Assim como aqueles que convivem com fumantes e são fumantes passivos. Se você trata a família, trata também a pessoa que possivelmente deixará de ser usuária, e o resultado será positivo para todos. A família é a essência de tudo. Não importa a classe, o dinheiro, o que importa são os princípios repassados”, explicou Giannotti.
Todos os que foram intimados a participar do evento assistiram a um vídeo educativo sobre o assunto e passaram também por audiências com o magistrado.
Keila Maressa
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