Grupo de apoio completa seis anos com festa
O Grupo de Apoio e autoajuda ‘Unidos no Amor’ do programa Amor Exigente, que funciona no Juizado Especial Criminal de Cuiabá (Jecrim) e acolhe familiares de viciados em entorpecentes e álcool, completou seis anos com muita alegria. Com sorriso no rosto e muitos aplausos, a platéia lotada acompanhou palestra sobre os efeitos da droga na família e show da dupla de comediantes Nico e Lau.
A professora aposentada Alice Roberta Araújo da Cruz, 60 anos, compartilhou a sua história. Ela luta há 20 anos pela recuperação do filho único, de 37 anos, que usa pasta-base de cocaína desde os 17 anos. Ela é adepta do Amor Exigente enquanto o filho dela participa dos Narcóticos Anônimos (NA). Alice conta que o grupo foi essencial para ela se reerguer do fundo do poço. “Ao ver meu filho nas drogas tive um sentimento muito grande de perda e de impotência e o grupo foi uma tábua de salvação no meio do mar. Você agarra com todas as forças e sabe que vai se salvar ao ver que não está sozinha nessa luta”, explica.
Ela conta que as pessoas chegam ao grupo acabadas emocionalmente, fisicamente e financeiramente, porque “a doença do ente querido é arrasadora, o mal-estar da abstinência faz com que o viciado tenha recaídas e tudo isso acaba com a relação familiar”. Alice lembra que o que mais destrói o emocional e a autoestima das mães é que elas se sentem culpadas pelo que acontece com os filhos, mas quando chegam ao grupo o sentimento muda.
“Não há receita pronta, mas há uma troca de experiências, uma mãe dá força para a outra superar a situação difícil que está vivendo, compartilha soluções que deram certo com outras pessoas”, salienta.
Ela diz que recomenda o grupo não só às pessoas com familiares em dependência química, mas a todos que possuem na família um ente querido com qualquer tipo de desvio de caráter e de conduta. “O grupo mudou muito a minha vida!”, garante.
A coordenadora regional do Amor Exigente, Maria Mercedes C. Ramos, conta que o grupo foi idealizado pelo coordenador do Jecrim, juiz Mário Roberto Kono de Oliveira, que se sensibilizou com o sofrimento dessas mães que sofriam ameaças e lesão corporal dos próprios filhos e resolveu ajudá-las de alguma forma. Ela destaca que o público-alvo do Amor Exigente não é só os familiares dos drogaditos, mas também educadores e jovens que desejam mudar esse tipo de comportamento. “Esse é um programa de proteção social. Aqui a mãe aprende a lidar com o filho, a amá-lo mesmo com todas as dificuldades e a estabelecer limites”, observa.
No grupo os participantes lidam com espiritualidade, oração, estudo dos princípios e, ao final, partilham experiências. Em Cuiabá são sete grupos funcionando em bairros e horários diferentes para melhor atender às famílias. Os grupos se reúnem uma vez por semana por duas horas.
O palestrante e coordenador estadual de Políticas Sobre Drogas da Secretaria Estadual de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), Néio Lúcio Monteiro Lima, destaca que o uso de drogas destrói o usuário, a família, a comunidade e prejudica também o Poder Público, que tem que investir recursos nos centros de tratamento, no sistema prisional e na segurança pública. Por isso, ele ressalta ser essencial que a família se envolva e participe dessa recuperação. Para ele, o Poder Judiciário se mostra sensível e não cuida mais só dos seus processos ao criar este tipo de grupo de ajuda. “Aqui a família recebe o que precisa para se reconstruir no seu aspecto socioafetivo, religiosos e moral”, avalia.
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