Mulheres conquistam espaço no Judiciário
No decorrer do século XX, a mulher foi conquistando espaço na vida política brasileira por meio de marcos importantes, como o direito ao voto, em 1932, e a promulgação da Lei 4.121, de 1962 (Estatuto da Mulher Casada). Com a publicação da Constituição Federal de 1988, o artigo 5º dispôs sobre o direito e a garantia fundamental da igualdade de gênero: “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”.
Nos dias atuais, não só no Judiciário, mas em todo serviço público houve o aumento da quantidade de mulheres, que, além de ocuparem cargos em todos os níveis hierárquicos, fazem jornada dupla, ou até tripla, acumulando mais de uma função. No Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), segundo levantamento da Coordenadoria de Recursos Humanos (CRH), aproximadamente 65% do contingente de servidores da instituição são mulheres, já que há 3061 mulheres e 1726 homens.
Para a diretora-geral do TJMT, Suseth Terezinha Metello Taques Lazarini, a participação da mulher no mercado de trabalho tem apresentado sensível evolução, desde a década de 70. No âmbito do Poder Judiciário, o cenário não é diferente, a mulher está inserida nas ações estratégicas e nos projetos. “Especialmente nesta gestão, a força feminina está representada em várias áreas de atuação do TJMT, como, por exemplo, pela vice-presidente, desembargadora Clarice Claudino da Silva, pela corregedora-geral, Maria Erotides Kneip, acompanhadas das magistradas e servidoras que movimentam a engrenagem da Justiça com força, coragem e determinação, sem jamais perder a sensibilidade tão própria da alma feminina”, pontua.“O que observamos é que a produção das mulheres na maioria das vezes é maior, assim como o comprometimento”, afirma Mari Teresinha Nogueira, gestora-geral do Fórum de Sinop (500 km ao norte de Cuiabá). Na unidade judiciária 90% dos servidores são mulheres e, para a gestora-geral, o rendimento dos trabalhos se deve a esse percentual.
A servidora mais recente do TJMT é Lourinne Silva Coelho das Neves, efetiva desde maio de 2013. Graduada em Direito, a jovem de 25 anos está na segunda pós-graduação. Atualmente, é assessora da vice-diretoria geral do TJMT e se diz honrada em fazer parte do quadro de servidoras do Judiciário mato-grossense. “As mulheres lutaram durante anos para conquistar espaço e hoje temos mulheres importantes ocupando cargos de destaque, como a presidente do país e as desembargadoras na diretoria do TJMT. Antigamente esses cargos eram predominantemente ocupados por homens”, observa.
Isabel Cristina Miranda, que é técnica judiciária da Comarca de Cáceres (225km a oeste em Cuiabá), lembrou um fato interessante. Em março 1994 havia seis juízas no município, as hoje desembargadoras Clarice Claudino da Silva, Nilza Pôssas de Carvalho e Serly Marcondes Alves, a juíza Helena Maria Bezerra, a juíza Flávia Catarina de Amorim Reis e a juíza Margarete da Graça Spadoni, e desse ano em diante houve o crescimento da participação feminina em todas as áreas do Direito.
Em Água Boa (730km a leste de Cuiabá), 75% do total de servidores do Fórum são mulheres. A gestora-geral, Eliane Ruff Rebelatto, no cargo há quase 11 anos, destaca o grande potencial de comunicação das mulheres. “As mulheres são mais detalhistas, dedicadas e organizadas. Conseguem se comunicar mais fácil por não terem vergonha de perguntar quando têm alguma dúvida”, acredita Eliane.
Para a gestora-geral do Fórum de Dom Aquino (166km ao sul de Cuiabá), Rosilei Reis Lima Manduca, “as mulheres têm maior sensibilidade e paciência por conta do espírito maternal e usam esse sentimento no uso de atribuições diárias para atender e ouvir as pessoas que procuram o Judiciário”.Fabiana Gil
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