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 12/03/2015   15:57 

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Ribeirinhos são voluntários em projeto

Por trás do Projeto Ribeirinho Cidadão, além dos voluntários que compõem a caravana, como médicos, juízes, defensores, dentistas, jornalistas, entre outros profissionais, estão moradores do Pantanal, profundos conhecedores da região, e que sem eles o projeto se tornaria quase inviável. São os pantaneiros, que nasceram e cresceram ali, entre corixos, rios e baías, que sabem navegar em um cenário de beleza rara, porém muito traiçoeiro.
 
No Pantanal não há placas, não existe qualquer tipo de sinalização, e transitar no meio da água, no meio de aguapés, galhos e árvores, exige conhecimento e experiência. Para a caravana chegar até as comunidades os pirangueiros (que pilotam os barcos) são fundamentais.
 
Entre os voluntários está Pedro Santana Bueno, 54 anos, o “Pedro Paca” como é conhecido na região. Assim que as chalanas aportam às margens do Rio Cuiabá para ir até a comunidade de São Pedro de Joselândia, lá está ele em seu barco esperando para guiar a equipe. Pelas próximas duas horas, Pantanal adentro, o que vale é a experiência que a vida lhe deu.
 
Após 15 minutos navegando a água desaparece. O que tem pela frente é um rio de aguapés. Os integrantes da equipe olham um para o outro se questionando: e agora? Como vamos seguir? Com um belo sorriso no rosto ‘seo Pedro’ desce do barco e fala: “Calma gente, é só afastar os aguapés”. E nestas horas a experiência pantaneira é tudo. Com muita habilidade ele vai afastando as plantas aquáticas e puxando o barco. Alguns metros mais a frente a água volta aparecer e o trecho se torna navegável.
 
Questionado sobre como consegue gravar o caminho, já que são vários “caminhos” formados pela água, ele novamente solta um sorriso e responde: “A gente grava tudo aqui, na cabeça. Marcamos o caminho por uma árvore, uma moita, um tronco caído. Estas são nossas placas aqui”.
 
Depois de duas horas os primeiros barcos chegam a São Pedro de Joselândia. No escuro, os olhos da equipe são os olhos do piloteiro, que com a água no joelho puxa o barco o mais próximo possível do barranco, para que todos desçam com segurança, pois no local existem muitas arraias.
 
Além de guiar a caravana, ele, juntamente com outros voluntários da comunidade, ajuda a descarregar os equipamentos que serão montados para atender a população. São computadores, impressoras, cadeira de oftalmologista, medicamentos, e mais uma série de aparatos utilizados pela equipe durante o projeto.
 
Em terra, entra em cena outro personagem importante para que esta história possa prosseguir e ter um final feliz. O voluntário José Antônio dos Santos Filho, 58 anos, conhecido como “Zé Antônio”, começou a trabalhar muitos dias antes de o Ribeirinho chegar até a comunidade. A tarefa dele é chamar os moradores, principalmente das comunidades mais distantes, para receber os atendimentos prestados pelo projeto.
 
“Procuro ajudar no que posso. As pessoas aqui são carentes de tudo. Este projeto é muito, mas muito importante para todos nós. Muitos dias antes da equipe chegar nós começamos a anunciar. Usamos a nossa rádio comunitária para avisar, vamos nas igrejas, na escola e até de casa em casa se for preciso. O importante é que todos recebam atendimento”.
 
Para facilitar o trabalho de médicos, enfermeiros, juiz, defensores públicos e os demais integrantes da caravana, a comunidade coloca tudo à disposição. Como o acesso é difícil, em razão da chuva, o melhor meio de locomoção são os cavalos pantaneiros. Mas tem ainda charrete, caminhonete, trator, moto e até mesmo um quadriciclo, que o proprietário cedeu gentilmente para transportar uma médica da caravana até a casa de alguns moradores que, em razão da doença, não podiam se locomover.
  
A dona de casa Pamela Silva, 32 anos, que reside em frente ao posto de saúde de São Pedro de Joselândia, não pensou duas vezes antes de emprestar a varanda de seu bar para abrigar a equipe do Ribeirinho Cidadão que estava fazendo atendimento do Bolsa Família. “Esse trabalho é muito bom para nossa comunidade. Se eu posso ajudar um pouco, por que não contribuir? Não custa nada”.
 
“Aqui todo mundo quer ajudar, porque sabe a importância deste projeto para nossa comunidade”, ressalta Zé Antônio, que conseguiu reunir moradores de quatro localidades: São Pedro de Joselândia, Lagoa de Algodão, Pimenteira e Ponte do Mutum.
 
Balanço – A oitava edição do projeto Ribeirinho Cidadão, que este ano ocorreu de 19 de fevereiro a 6 de março, conseguiu alcançar seu objetivo e levar cidadania e esperança a cerca de 5.421 ribeirinhos que vivem às margens do rio Cuiabá, no Pantanal mato-grossense. Em 15 dias, a iniciativa desenvolvida pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Defensoria Pública e parceiros realizou aproximadamente 11 mil atendimentos e procedimentos jurídicos, médicos e sociais.
 
 
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