Presidente prestigia concurso de redação da OAB
O presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, desembargador Paulo da Cunha, participou na noite de terça-feira (28 de abril) da premiação do concurso de redação “Mulher contemporânea: desafios e conquistas”, realizado pela Ordem dos Advogados do Brasil (subseção de Várzea Grande).O concurso contou com a participação de vários estudantes do terceiro ano do ensino médio das escolas localizadas no município, por onde os profissionais da subseção passaram proferindo palestras sobre o tema e motivando os alunos a participarem.
O desembargador Paulo da Cunha destacou a importância de se debater temas como este, principalmente abordando a questão da violência contra a mulher. Ele citou como exemplo a campanha nacional Justiça pela Paz em Casa, idealizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Mato Grosso foi o estado que mais realizou sessões do Tribunal do Júri durante a campanha, realizada de 9 a 13 de março. Ao todo, foram 33 julgamentos de crimes dolosos contra vida em que as vítimas foram mulheres. “Mato Grosso se destacou como o estado que mais júri realizou de assassinatos de mulheres. Não gostaríamos de ter sido o primeiro, mas fomos. Por isso, a relevância de levar esta discussão para dentro das salas de aula. E devemos ir além, pois não é somente a violência física que nos preocupa, mas todo tipo de violência praticada contra a mulher”.
O presidente lembrou que a própria ministra do STF, Carmem Lúcia Antunes Rocha – idealizadora da campanha - no encerramento da semana da Justiça pela Paz em Casa contou que ao defender sua tese de mestrado, no dia da apresentação teve que ouvir de um dos integrantes da banca examinadora a seguinte frase: “Infelizmente vou ter que dar 10 para uma mulher”. “Isso também é uma forma de violência, a discriminação”, afirmou Cunha.
Ele citou ainda a desembargadora aposentada Shelma Lombardi Kato, a quem Paulo da Cunha classificou como um ícone da magistratura. “Participei com ela, na década de 90, da jurisprudência da igualdade. Ela fez um grupo de estudo para disseminar e colacionar jurisprudências dos nossos tribunais que discriminavam as mulheres, muitas delas extremamente machistas”.
Paulo da Cunha enalteceu o trabalho dos professores, profissão considerada por ele importantíssima, pois é a “que lapida diamantes para termos uma sociedade melhor. Estes alunos aqui estão sendo lapidados, serão brilhantes no futuro. É assim que construiremos uma sociedade mais igualitária. Não desanimem professores, eu sei que o salário não é o que deveria ser, mas os senhores têm uma missão divina, que é lapidar estes diamantes”.A presidente e a vice-presidente da OAB Várzea Grande, Flávia Petersen Moretti e Alexandra de Moura Nogueira, respectivamente, explicaram que as palestras ministradas fizeram parte do projeto Março Sempre Mulher. “Também visamos fomentar a leitura e a escrita, oportunizando o reconhecimento de talentos da comunidade local”.
A estudante Caroline Cardoso Soares da Silva, 17 anos, estudante do 3º ano do colégio Jaime Veríssimo de Campos, ganhou o primeiro lugar no concurso. “Eu achei muito importante participar do concurso, pois foi uma oportunidade de poder escrever sobre um assunto que gosto e considero importante. Na minha avaliação, a mulher tem ocupado mais o seu espaço na sociedade, porém o preconceito ainda é grande, pois na maioria das vezes ela ainda recebe menos que os homens. Outro ponto que destaquei na minha redação foi com relação à violência. Para mim, a violência contra mulher só irá diminuir o dia em que as mulheres tiverem pleno conhecimento de seus direitos. Ai sim elas vão dar um basta, não vão deixar passar e vão denunciar”.
A juíza Amini Haddad Campos, auxiliar da Corregedoria-Geral da Justiça e diretora da Secretaria de Gênero da Associação dos Magistrados Brasileiro, juntamente com a vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (Seccional de Mato Grosso), Claudia Oliveira, participaram da solenidade.
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