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 18/05/2015   15:59 

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Adolescentes têm voz e vez em audiência pública

A audiência pública realizada na manhã desta segunda-feira (18 de maio) no Tribunal de Justiça de Mato Grosso para discutir o sistema socioeducativo no Estado colocou no debate os principais atores deste processo: os adolescentes em conflito com a lei. Eles falaram dos principais problemas, das dificuldades e da falta de investimento nas unidades, tanto as que abrigam meninas quanto meninos.
 
A eles foi dada a palavra. Em pé, com o microfone nas mãos, o adolescente M.F., 16 anos, pela primeira vez pôde falar para representantes do Executivo, Judiciário, Legislativo (federal e estadual), Ministério Público, Ordem dos Advogados do Brasil e sociedade civil organizada o que eles precisam ter dentro do sistema socioeducativo para de fato serem recuperados e reinseridos na sociedade.
 
“Acreditamos que a medida socioeducativa de internação provisória faz a gente pensar e refletir sobre nosso comportamento, com o objetivo de mudarmos. Algumas coisas na unidade ajudam a gente nesse processo, mas outras não são positivas. Eu penso que nós passamos muito tempo trancados, sem atividades. O que queríamos mesmo era sair de lá com emprego certo, encaminhados para o mercado de trabalho”, destacou o adolescente.
 
Ele, em nome dos outros, pediu também cursos profissionalizantes dentro da unidade. “Quando sairmos de lá temos que saber fazer alguma coisa. A maioria de nós só consegue emprego em lava a jato. Se o Senai estivesse dentro da unidade com seus cursos técnicos seria muito bom para nós. Temos que sair da unidade com vaga garantida na escola, pois temos muita dificuldade em conseguir, tanto pela época do ano, quanto pelo preconceito”.
 
Os menores gostariam de ter acesso a cursos de artesanato e de participar de campeonatos e jogos esportivos. Eles avaliam que os momentos de religiosidade também são importantes e poderiam se repetir mais vezes, porque afirmam que ajuda na recuperação.
 
Outra reclamação é com relação ao contato com os familiares, que eles julgam ser pouco, só aos finais de semana. Os adolescentes solicitaram ainda a visita de menores de idade, irmãos e irmãs. “Eu sinto muita falta dos meus irmãos menores. É muito difícil ficar longe deles. Tem seis meses que estou aqui, a saudade é grande”, afirma A.M.S., 17 anos, que cumpre medida por roubo a mão armada e é natural de Lucas do Rio Verde.
 
Ele diz que a distância com a família o fez refletir. “Eu sei que eu errei. Mas estou pagando pelo meu erro. As más companhias, a falta de emprego, de dinheiro, me levaram para este caminho que eu não quero mais seguir. Eu sofro, minha mãe sofre quando vem me ver e isso me deixa triste. Quero sair daqui e voltar estudar, ficar bem com a sociedade. Queria ter um emprego, por isso, acho os cursos dentro da unidade importantes. Eu tenho um sonho, fazer contabilidade, meu sonho não vai ficar para trás”.
 
A adolescente J.M.S., 16 anos, disse que o sistema socioeducativo precisa melhorar muito, para recuperar de fato os menores em conflito com a lei, principalmente com relação a cursos. “Ficamos muito tempo sem fazer nada. Tem cinco meses que estou na unidade. Vim parar aqui por roubo a mão armada. Influência dos amigos e das más companhias. Mas estou cumprindo a medida socioeducativa. É muito difícil perder a liberdade. Este tempo já foi o suficiente para eu refletir sobre o que fiz. Não quero mais isso para mim. Quero seguir outra vida, estudar e fazer faculdade de psicologia. A minha técnica que me levou a esta escolha, esta assistência psicológica me ajuda mais”.
 
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