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 21/05/2015   14:45 

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Audiência busca auxiliar dependentes químicos

 
“Fui uma dessas felizardas a fazer parte do programa do Jecrim, a ser cuidada, orientada e aproveitei a oportunidade para no dia de hoje eu estar aqui passando essa experiência e mensagem de fé, força e esperança e dizer que é possível ter uma vida diferente”. Com essas palavras, Luana Doranty de Souza, de 29 anos contou sua experiência de vida aos presentes na audiência coletiva realizada pelo Juizado Especial Criminal Unificado de Cuiabá (Jecrim), na manhã desta quinta-feira (21 de maio).
 
Por 13 anos ela usou todos os tipos de drogas. Hoje, há quase dois anos, está ‘limpa’, como dizem. E conforme ela mesma conta, entre idas e vindas, foi graças ao Juizado Criminal, que sempre a ajudou e direcionou para os órgãos competentes, que ela está bem hoje.
 
“A minha experiência não é diferente das outras pessoas que passaram por essa doença. A minha família soube que o juizado orienta e direciona o doente até fazer o tratamento. Hoje eu sou um exemplo. Ontem eu era apontada, fechavam as portas para mim. É emocionante de ver e sentir que atualmente vivo uma realidade diferente daquela de dois anos atrás. Agora eu tenho dignidade, respeito e amor próprio e é o que me faz permanecer na luta. É o que me leva a fazer depoimentos para tentar levar a minha experiência a outras pessoas. Agradeço muito a Deus, a minha mãe e ao juizado. O Jecrim foi extremamente atencioso com a minha vida e ele é uma porta de esperança que a família e o próprio dependente veem”, contou.
 
O juiz titular do Jecrim, Mário Roberto Kono de Oliveira disse que a importância de se realizar essa audiência coletiva é dar um norte não só para os dependentes, mas também para seus familiares. “É sabido que cada dependente químico de droga lícita ou ilícita, além de ser considerado dependente pela Organização Mundial de Saúde, ele também adoece a sua família”, ressaltou o magistrado.
 
Nessa audiência, que também acontecerá no período da tarde, os parceiros do juizado trabalham em rede para oferecer a eles e aos seus familiares uma atenção maior para suas necessidades, que vão desde internação até mesmo frequência em comunidades terapêuticas e grupos de autoajuda.
 
“Após ser feita a primeira parte dessa reunião, que é de forma coletiva, será realizado um trabalho individual pelos psicólogos do Núcleo Psicossocial do próprio juizado. Por meio dessa conversa é feita triagem, conforme o caso de cada um, e em seguida o encaminhamento para os parceiros que são Narcóticos Anônimos, Alcoólicos Anônimos, Centro de Atenção Psicossocial (Caps) e Adauto Botelho para tratamento clínico. Os familiares são encaminhados para associações e grupos como o Al-Anon, Amor Exigente”.
 
Uma das ações do Jecrim durante a audiência coletiva foi a realização de palestra com profissionais capacitados. Conforme informou o magistrado, muitas vezes a pessoa sequer conhece o problema que ela está entrando quando começa a usar drogas. “Quando você traz pessoas que já passaram pela mesma situação, e por isso são experientes, que contam sintomas e consequências deste envolvimento com droga, muitos jovens acabam se identificando e despertando para o problema”, relatou Kono.
 
Pela manhã, o palestrante foi o médico psiquiatra da Unidade 3 do Hospital Adauto Botelho, Josemar Honório Barreto. Durante a palestra, ele falou de dependência química, das drogas existentes e do álcool, que segundo ele é a pior droga existente porque é licita. Também explicou que essa dinâmica com jovens é uma das melhores ações a se oferecer, porque além de prevenção, que é algo importantíssimo, se faz também o início de um tratamento.
 
“Aqui se faz a justiça terapêutica. Ao invés de colocar um dependente químico ou um alcoólatra que cometeu algum crime menor na cadeia, ele vai para uma unidade de tratamento. Isso é de grande importância”, confirmou Barreto. O médico disse ainda ver com bons olhos essa ação do Jecrim, uma vez que a população não tem muitas oportunidades sobre a tratativa do tema. “Só na semana antidrogas fala-se muito sobre o assunto e depois ninguém fala mais. Ás vezes no carnaval sobre alcoolismo. Aqui as pessoas vão ficar sabendo mais sobre álcool e drogas por meio da prevenção”, coonfirmou.
 
No período da tarde serão realizadas mais 50 audiências e também haverá palestra com o especialista em medicina da família, Werley Silva Pires. Os atendimentos acontecerão até as 17h30.
 
O Juizado Especial Criminal Unificado fica localizado na Avenida Getúlio Vargas, nº 450, Centro. Centro Integrado de Assistência Psicossocial (Caps-AD), Grupos familiares Al-Anon e Narcóticos Anônimos são alguns dos parceiros do Jecrim e que estarão presentes no local.
 
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