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 08/06/2015   09:16 

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Apadrinhar uma criança, mais que um ato de amor

Quando decidiu ser madrinha de uma criança acolhida, a enfermeira Sidinéia Santana Brito quebrou uma série de paradigmas ao escolher como afilhada Aline Sebastiana de Moraes, 16 anos, com aparência de 10 e idade mental de uma criança de três. O fato de estar em uma cadeira de rodas, não escutar, não falar e não se alimentar sozinha não foram motivos para impedir que ela apadrinhasse a menina, uma das 32 crianças que vivem atualmente no “Lar da Criança”, em Cuiabá.
 
A história entre as duas começou há um ano, quando Sidinéia começou a trabalhar na instituição e conheceu Aline. Foi amor à primeira vista. “Ela estava sentada na cadeira de rodas quando a vi pela primeira vez. Eu fazia o meu trabalho e sempre que sobrava um tempinho ia ficar perto dela. Aline passou a me reconhecer. Sorria, ficava feliz, fazia uma festa quando eu chegava. Fui me informar para saber o que eu deveria fazer para ser madrinha de Aline”.
 
Desde dezembro do ano passado Sidinéia passou a ter licença da Justiça para levar a menina aos finais de semana para casa. Casada e mãe de quatro filhos, todos adultos, a enfermeira fez as adaptações necessárias na casa para receber Aline, inclusive comprou um berço para evitar que ela caísse da cama.
 
“Quando ela chega em casa é maravilhoso. É uma felicidade para todos nós. Quando tomamos a decisão de apadrinhar uma criança, temos o pensamento que vamos dar muito amor e carinho, mas quem acaba recebendo isso tudo, e muito mais, somos nós”, afirma a enfermeira.
 
A reportagem do Tribunal de Justiça acompanhou a chegada de Sidinéia no Lar para buscar Aline. A madrinha esperou a afilhada, que tinha ido ao médico, por mais de uma hora. Assim que chegou da consulta, as cuidadoras deram banho e arrumaram Aline, que foi ao encontro da madrinha arrumada e cheirosa.
 
Assim que avistou Sidinéia, próximo ao portão do Lar, Aline começou a pular de felicidade no colo da cuidadora. Abriu um lindo sorriso e começou a balançar os braços. O encontro de ambas emociona qualquer um que presencia a cena. São muitos beijos, abraços e sorrisos. Uma troca de amor incondicional.
 
Quando a enfermeira conheceu Aline ela pesava 11 kg, hoje está com 20, ainda assim é possível carregá-la sem grandes dificuldades no colo. “Quando eu a levo para casa não levo cadeira de rodas. A evolução nestes cinco meses foi muito grande. Ela não saia da cadeira, hoje engatinha, fica no nosso colo, é outra realidade”, conta Sidinéia, que gosta de levar a afilhada para andar de bicicleta no parque.
 
O gesto pouco comum de Sidinéia – de apadrinhar uma criança especial - é elogiado por muitos e criticado por outros, que não conseguem compreender este gesto, que vai muito além de um ato de amor. “Tem gente que fala que eu já estava com os filhos criados, porque fui ser madrinha de uma criança que requer tanta atenção. Eu não me importo com isso. Ela é muito especial para nós. Aos finais de semana, quando Aline vai para minha casa, nós a inserimos em tudo. Levamos ao shopping, na casa de amigos, enfim, ela convive conosco normalmente”.
 
Histórico – O diagnóstico médico de Aline é de atraso no desenvolvimento neuropsicomotor e retardo mental. Ela é surda e por isso não fala. A menina foi entregue ao Lar em 29 de junho de 2012, após sofrer maus tratos por parte dos familiares, com quem não mantém mais nenhum tipo de contato. Ela nasceu em Nova Mutum no dia 12 de janeiro.
 
De acordo com a superintendente do Lar da Criança, Marimar Michels, 32 meninos e meninas estão na instituição. Destas, 13 são especiais e oito neuropatas, que precisam de home care 24 horas. Todas acima de sete anos de idade podem ser apadrinhadas.
 
Para ser madrinha ou padrinho de uma criança acolhida é preciso passar pela Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja), da Corregedoria-Geral da Justiça, responsável pelo Projeto Padrinhos.
 
Implantado em 2008, o projeto foi criado como um programa de solidariedade e apoio às crianças e adolescentes acolhidos em instituições públicas. O objetivo é promover a participação de pessoas da sociedade civil, que não têm interesse na adoção ou guarda, mas que desejam “apadrinhar” essas crianças e adolescentes.
 
 
Qualquer pessoa com mais de 18 anos de idade pode ser um padrinho pelo projeto, independente da classe social, profissão, credo, raça ou sexo. Empresas, instituições, escolas, clubes de serviços, entidades de classe e associações também podem apadrinhar menores acolhidos.
 
São apadrinhadas as crianças e os adolescentes com mais de sete anos de idade, que perderam o vínculo com a família biológica ou se encontram em situação de difícil inserção em família substituta.
 
 
O projeto está em andamento na capital e em outras 15 comarcas do Estado: Nova Mutum, Brasnorte, São José dos Quatro Marcos, Chapada dos Guimarães, Alto Garças, Guarantã do Norte, Cláudia, Matupá, Araputanga, Juara, Mirassol D’Oeste, Sapezal, Primavera do Leste, Alta Floresta e Cáceres.
 
 
Para participar do Projeto Padrinhos, o interessado deve procurar a Ceja nas Comarcas do interior ou entrar em contato pelos telefones (65) 3617-3121 e 3617-3191 ou pelo e-mail ceja@tjmt.jus.br. A ficha de cadastro para padrinhos também pode ser preenchida e enviada pela internet.
 
 
Janã Pinheiro
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
(65) 3617-3394/3409