Comarca de Itiquira completa 24 anos de instalação
Há 24 anos, no dia 15 de junho de 1991, foi instalada a Comarca de Itiquira (350 km ao sul de Cuiabá), criada pela Lei nº 5.428 de 09/01/1989, pelo então governador de Mato Grosso, Edison Freitas de Oliveira.
Atualmente Itiquira conta com o trabalho de 15 servidores, responsáveis pela tramitação de cerca de três mil processos. “A Comarca é muito boa. Temos um conselho da comunidade forte e atuante, que, inclusive, trabalhou em conjunto com o Poder Judiciário na reforma e ampliação da cadeia publica municipal, demonstrando que os cidadãos da cidade são compromissados com a causa pública”, revela o juiz diretor do Fórum Marcelo Souza M. Bento Rezende.
Ao longo dos anos, sete juízes passaram pela Comarca, sendo que a desembargadora Maria Aparecida Ribeiro foi a responsável pela estreia da cadeira. Ela conta que a unidade judiciária pertencia a Alto Garças (365 km ao sul da Capital) e representava um grande número de processos de lá. Itiquira é um município extenso e de economia bastante representativa para o Estado. Daí surgiu à necessidade de transformar o município em comarca do Poder Judiciário.
A magistrada conta ainda que, quando era juíza da comarca, cerca de 70 km do caminho até o município era de estrada de chão, então havia certa dificuldade de locomoção. Sobre o início dos trabalhos alí, ela se lembra: “Nós não tínhamos servidores do Tribunal de Justiça. Os primeiros funcionários eram todos emprestados da prefeitura, e só depois fizemos o concurso para servidores”.
Foi por meio deste concurso que o senhor Sebastião Ribeiro da Costa se tornou Oficial de Justiça do Poder Judiciário do Estado. Segundo ele, muita coisa já aconteceu desde o início da comarca. Em suas lembranças, uma se destaca. “Antes de 1996, a classe produtora estava numa situação muito difícil, então, os credores entravam na Justiça com pedido de busca e apreensão das lavouras”.
Segundo Sebastião, aquele foi um período complicado, e, para um Oficial de Justiça, era ainda mais difícil. “Houve um cidadão que entrou com o pedido de tantos números de sacos de soja. O devedor falou que ia cumprir. Alguns dias depois, tinha outro mandado para o mesmo senhor, pra levar toda a lavoura de milho. Fiquei receoso, mas é meu trabalho, então fui levá-lo mesmo assim. Quando cheguei na propriedade, aquele homem ficou furioso. Se levantou e falou: vou ter que começar a matar gente, então vou começar pelo Oficial de Justiça. Precisei de um tempo para acalmá-lo”, revela. Apesar do fato, o servidor conta que a comarca é muito boa e calma.
A desembargadora concorda com o senhor Sebastião, e, sobre o tempo que passou na unidade judiciária, fala com muito carinho. “O período que eu passei lá foi muito bom. Itiquira é uma cidade muito gostosa e eu fui muito bem recebida. Acho que todos os juízes que passam por lá também gostam, porque é uma cidade muito calma e arrumadinha.
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