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 03/06/2015   16:37 

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Justiça viabiliza casamento homoafetivo no CRC

 
Duda e Emerson. Rael e Mauro. Dois casais apaixonados que escolheram trilhar o mesmo caminho pelo resto da vida. A decisão foi selada legalmente, por meio de contrato de união estável, mas que para os noivos representou um verdadeiro casamento, onde padrinhos e amigos presenciaram as juras de amor eterno, troca de alianças, carinho e cumplicidade entre os casais e até o choro de uma noiva emocionada. A cerimônia que selou os relacionamentos seria igual a qualquer outra se não fosse um motivo – ali foram registrados os dois primeiros casamentos homoafetivo masculino do Estado realizado dentro de um presídio, o Centro de Ressocialização de Cuiabá. O evento foi realizado na manhã desta quarta-feira (3 de junho).
 
“Nunca achei que poderia realizar este sonho, ainda mais aqui dentro do presídio, vestida de noiva, com alguém que eu amo e quero compartilhar minha vida toda. Quando eu sair daqui quero vida nova, além da ressocialização, do trabalho honesto lá fora, eu terei uma família para cuidar, um marido para me dedicar. Este casamento realmente transforma a minha vida”, explica Duda Marques, 32 anos, que já se apresenta com o sobrenome do marido.
 
O noivo dela, Emerson Marques (25), ressalta o outro lado da decisão. Ele afirma que não era homossexual antes de ser preso, conta que tem uma filha de seis anos e convivia em união estável com uma mulher. Entretanto, depois de preso foi abandonado pela então companheira. “Foi um pouco difícil no início. Poucas pessoas nos aceitam quando decidimos mudar e as críticas são grandes. Não é fácil você assumir a condição de gay, mas hoje é um dia especial para mim. Eu amo a Duda e carrego comigo a certeza de que quero ficar com ela para a vida toda”, destaca o noivo.
 
Eles se conheceram dentro do presídio assim que Emerson foi preso, há um ano e seis meses. Um dia eles se viram, trocaram olhares e começaram a conversar despretensiosamente. Mas o interesse de um pelo outro foi crescendo e eles começaram a namorar. Casados, agora eles garantem direitos legais como visita 
íntima duas vezes por semana. Eles também poderão escolher morar juntos na mesma cela. Fora do presídio também existem direitos garantidos, como adoção, pensão por morte de um dos cônjuges, direitos de dependentes em plano de saúde, entre outros.
 
Mais discretos, Rael da Silva Sizi e Mauro Lúcio de Miranda, que estavam muito ansiosos pela cerimônia, também se 
conheceram dentro do presídio.
 
“O casamento homoafetivo que ocorre hoje dentro do CRC é uma forma de humanizar estas pessoas que se amam e também de garantir a dignidade e respeito entre si. Eles, como qualquer pessoa, têm o direito de uma relação afetuosa, duradoura e estável. Essas situações na verdade já existem, o que estamos fazendo é garantir que eles possam usufruir de seus direitos, previstos em Lei”, explica o juiz da Vara de Execução Penal, Geraldo Fidélis, um dos 
convidados do casamento.
 
Também presente, o secretário de Estado de Justiça e Direitos Humanos, Márcio de Oliveira Dorilêo, ressaltou que o casamento é uma forma democrática de oferecer acesso aos direitos e não tem nada de polêmico. “Vivemos em uma sociedade plural e o casamento homoafetivo é uma conquista. É a materialização de um momento histórico em que Mato Grosso garante a cidadania das pessoas presas que são do mesmo sexo”, garante.
 
O casamento contou com outros convidados, dentre eles o presidente da Associação de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais de Cuiabá (ALGBT), Clóvis Arantes, advogados, servidores da Justiça, além de toda a população homossexual que está abrigada na Ala Arco-íris.
 
 
 
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