Câncer de mama: agentes recebem orientação
“Meu ex-marido dizia que meu seio mutilado era horrível”, conta a advogada Cláudia Luna, de 33 anos, que passou por um diagnóstico de câncer de mama praticamente sozinha. Ela diz que na época tinha medo até de se olhar no espelho, mas hoje está feliz e de bem com a vida.A cabeleireira Dulcineia dos Santos, de Salvador, também sofreu com a falta de apoio do companheiro. Além de superar os desafios inerentes à doença, ela teve que se livrar das agressões por parte do ex-marido, que a submeteu à violência doméstica ao longo do tratamento. Com o suporte da mãe dela e das filhas, denunciou o ex- marido e levou a vida com alegria. Porém, um tempo depois, o câncer atingiu os pulmões e ela não resistiu.
As declarações dessas mulheres fazem parte da exposição fotográfica “De Peito Aberto – a autoestima da mulher com câncer de mama, uma abordagem humanista”, que está sendo realizada entre os dias 19 de setembro e 04 de outubro, na praça de alimentação do Pantanal Shopping. De autoria da jornalista Vera Golik e do fotógrafo Hugo Lenzi, a mostra com as imagens e relatos de mais de 50 homens e mulheres que passaram pelo câncer de mama viaja por todos os cantos do país.
Justiça Comunitária - Aproveitando a vinda da exposição à Capital, o programa Justiça Comunitária do Tribunal de Justiça de Mato Grosso solicitou a advogada Ana Emília Sotero que apresentasse a exposição e proferisse uma palestra aos agentes comunitários do programa. O objetivo é qualificá-los para que eles possam estar preparados para atender a população com informações seguras e atualizadas.
“Falta informação em todos os lugares. E trazer os agentes comunitários para esse ambiente é extremamente importante, porque eles estão em contato direto com a população e são como multiplicadores que levam informação e conhecimento a população. Falamos não apenas da questão da violência contra as mulheres, mas também dos cuidados com a saúde para homens e mulheres”, acrescentou Ana Emília.
Para Rafael Alves Cristiano, agente comunitário, a palestra superou as expectativas. “Nos deparamos com uma exposição muito bonita e com a força de vontade dessas pessoas de superar esse obstáculo que é o câncer de mama. A Dra. Ana Emília nos mostrou ainda que grande parte dessas mulheres também é vítima de violência doméstica, precisa de um apoio e é aí que nós entramos. Agora vamos começar a passar orientações sobre os direitos da mulheres e sobre a doença, quais exames fazer e a quem procurar”, frisou o agente.
A agente comunitária Nilza Amaral dos Prazeres também achou excelente participar do projeto. “Nós somos um canal de informação direto com a comunidade e toda qualificação nos prepara para contribuir mais e de uma forma melhor. De casa em casa, de porta em porta ou nos mutirões, queremos levar conhecimento e informação de qualidade para todos”, finalizou Nilza. Violência doméstica - Responsável por trazer a exposição para Cuiabá, advogada e militante de políticas para mulheres, Ana Emília Sotero, conta que 70% das mulheres com câncer de mama são vítimas de violência doméstica. “Infelizmente esse dado alarmante é verdadeiro. A mulher com câncer de mama geralmente perde a mama, o cabelo, a libido e às vezes até a fertilidade, o que faz com que muitos companheiros as abandonem ou as submetam a agressões psicológicas ou físicas”, destaca Ana Emília.
Apoio Familiar - Mas, na exposição também tem histórias que seguem o caminho contrário. É o caso de Alessandra Ziukevicius, coordenadora de esportes de São Paulo, que encontrou no marido Cleber a força para seguir em frente. Quando soube da doença da esposa, ele fez um curso de técnico em enfermagem para ter condições de cuidar da esposa da melhor maneira possível.
“As pessoas que passam pela exposição tem se emocionado muito. Ou porque estão passando pelo processo ou porque já tiveram ou tem alguém da família doente. Semana passada mesmo uma senhora que está com câncer de mama disse que a exposição a encorajou a enfrentar a doença. Não existe presente maior para nós, que defendemos os direitos das mulheres, que essa demonstração de emoção e de superação de homens e mulheres que por aqui passaram”, salientou a advogada.
Segundo Ana Emília, outro ponto que ganhou destaque na exposição foi o caso do construtor curitibano Amadeu da Costa Monteiro, que teve câncer de mama aos 64 anos. Após passar pelo estigma da doença, hoje, aos 84 anos, ele incentiva homens e mulheres a se examinarem e se cuidarem.
“Homens e mulheres não estão livres de terem a doença. Embora em menor proporção, os homens também tem as glândulas mamárias. A única diferença é que eles não as desenvolvem como nós. Mas, eles também tem que ter o cuidado e procurar atendimento médico”, observou Ana Emília.
A cirurgiã dentista Carolina Campos, de 25 anos, estava passeando pelo shopping quando viu a exposição e se emocionou com as imagens. “As fotos e frases de impacto me atraíram bastante, porque tenho vários casos de câncer na família. Sei da importância do apoio dos parentes e amigos numa hora como esta. O que mais me chamou a atenção foi poder ver como ficou a vida dessas mulheres depois de terem passado pela doença. É uma lição de vida”, afirmou Carolina.
Mariana Vianna
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
(65) 3617-3393/3394/3409











