Socioeducativo: alunos participam de Olimpíada
“Se a educação sozinha não transformar a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. A frase do educador Paulo Freire reflete a esperança de quatro adolescentes do Centro Socioeducativo de Cuiabá – Complexo Pomeri, de encontrar na educação uma oportunidade para mudar de vida. Eles participam da 11ª Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) e mostram que já começaram a caminhar nesta direção. Alunos da Escola Estadual Meninos do Futuro, que funciona dentro da unidade socioeducativa, R.G.S.R., G.R.P.S. e L.G.A.F., de 16 anos, e C.C.S., de 15 anos, foram classificados para a segunda fase da competição, que será disputada no dia 12 de setembro. De acordo com o diretor Anísio José Guimarães, esta é a primeira vez que estudantes da escola participam da olimpíada. “Foi uma surpresa o interesse dos alunos, percebemos que realmente eles querem estudar e fazer cursos”, revela o diretor.
Ao todo, 12 adolescentes da unidade participaram da primeira fase, em junho. Sete deles se deram bem nas questões objetivas e se classificaram para a segunda e última fase. Três não estão mais no socioeducativo, foram reintegrados à família. “A próxima etapa será de perguntas discursivas e as aulas de matemática estão focadas na revisão do conteúdo e capacitação dos competidores”, salienta a professora Erli da Silva, que trabalha há dois anos na escola.A professora de matemática conta que buscou provas de edições anteriores para auxiliar na preparação dos alunos. “Eles estão empolgados e entusiasmados. Estão focados na olimpíada, estudando bastante”, afirma Erli. Para ela, os alunos do socioeducativo que disputam a competição buscam mais a ajuda do professor que os alunos de fora da unidade. “Espero que se saiam bem e que continuem com essa vontade de estudar para assim conseguirem mudar de vida”, ressalta.
Esse é o principal objetivo dos meninos: mudar de vida. Para G.R.P.S., participar da competição é também uma oportunidade de dar orgulho para a família. Ele conta que não gostava de estudar, estava afastado da escola e sem pegar no caderno há mais de três anos. Há oito meses no centro, ele aprendeu a gostar da sala de aula. “Estou ansioso para fazer a prova e dar a volta por cima. Através dos estudos quero ter uma profissão”, enfatiza.L.G.A.F. conta que já participou de outras edições da olimpíada, mas que nunca havia passado para a segunda fase. “Meu objetivo agora é terminar os estudos e fazer faculdade de engenharia mecânica”, considera o aluno que está há quatro meses no Pomeri. Já R.G.S.R., está há um ano e oitos meses na Escola Meninos do Futuro. “Não imaginava passar na primeira fase, agora vou dar o meu máximo, me dedicar bastante e continuar estudando”, diz.
O caçula da turma, C.C.S., conta que nunca gostou de matemática e que os professores da escola despertaram esse interesse nele. “Foi aqui dentro que aprendi a gostar. Já tinha participado de outras edições e até passado para a segunda fase, mas não segui em frente. Hoje a meta é ganhar uma bolsa para seguir com os estudos. Desistir, nunca! Vou levar para a rua o que aprendi aqui, vou mostrar para a minha família e para a sociedade que vou conseguir dar a volta por cima”, decreta.
De acordo com o juiz da 2ª Vara Especializada da Infância e Juventude de Cuiabá, Tulio Duailibi Alves Souza, a tendência é que os alunos da Escola Meninos do Futuro sejam cada vez mais incentivados e estimulados a participar de eventos como esse. “Não é comum ver adolescentes em conflito com a lei, em estado de interação provisória ou não, conseguirem uma conquista como essa. A gente torce por esses meninos, para que reflitam sobre as atitudes cometidas e invistam nos estudos, proporcionando um futuro melhor para eles e para a família”, argumenta o magistrado.
O responsável pela escola, Anísio Guimarães, compartilha do sonho de um futuro melhor para ao adolescentes. “Hoje mostramos que há educação aqui no socioeducativo, e a prova disso é que nossos alunos estão classificados na olimpíada. Eles gostam de aprender e respeitam a escola. Tenho esperança de esses meninos tenham um futuro melhor ao sair daqui”, finaliza o diretor. Saiba mais - A 11ª Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas é uma realização do Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) com apoio da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM). A competição, que é promovida com recursos do Ministério da Ciência e Tecnologia e Inovação (MCTI) e do Ministério da Educação (MEC), tem como objetivo estimular o estudo da matemática e revelar talentos na área.
A primeira edição foi realizada em 2005, com mais de dez milhões de participantes. Em 2015, alunos de 80 escolas de Cuiabá participam da segunda etapa da competição. O resultado final será divulgado dia 27 de novembro. A premiação inclui 500 medalhas de ouro, 1.500 medalhas de prata, 4.500 medalhas de bronze e até 46.200 certificados de Menção Honrosa, além de bolsas de Iniciação Científica Jr do CNPq.
Para mais informações acesse https://www.obmep.org.br/.
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