Autoridades prestigiam lançamento no Jecrim de VG
O lançamento do projeto LAR - Liberdade, Amor e Responsabilidade contou com ao apoio e a participação de diversas autoridades nesta terça-feira (29 de novembro), no Juizado Especial Criminal e da Fazenda Pública de Várzea Grande (Jecrim-VG). A convite da coordenadora da iniciativa e do programa ‘Justiça em Estações Terapêuticas e Preventivas’, Amini Haddad Campos, representantes dos poderes Judiciário e Executivo prestigiaram o evento que teve abertura de uma feira cultural com exposição de artesanatos e a palestra ‘Justiça Terapêutica-Preventiva, Direito Sistêmico e Constelações Familiares’. Em nome da presidência do Poder Judiciário Estadual, a corregedora-geral da Justiça, desembargadora Maria Erotides Kneip, afirmou que a iniciativa é valorosa e que a Justiça está cada vez mais aberta a novas ferramentas porque a sociedade é extremamente dinâmica. “O tempo urge e exige retomada de posições, utilização de novas ferramentas, sistemáticas e condutas para conseguir a pacificação social. Só assim os conflitos se resolvem, olho no olho”, defendeu.
Ao citar o filósofo belga François Ost, a corregedora reforçou que é preciso eliminar os juízes Júpiter, aqueles legalistas que estão no topo de uma pirâmide, em um local sagrado, aplicando as leis e os códigos. Para ela, é preciso fazer ressurgir os juízes Hermes, que são participativos, dialógicos e atuam num campo jurídico com uma combinação infinita de informações que não cabem em códigos ou em processos simplesmente. “Que esse projeto consiga restabelecer vidas e reestruturar pessoas. Assim, o Poder Judiciário estará verdadeiramente cumprindo o seu papel democrático. Parabéns a todos os atores do sistema de justiça envolvidos na construção e reconstrução das famílias”, finalizou Maria Erotides.
A responsável pela Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cemulher), líder da campanha Justiça pela Paz em Casa e corregedora eleita para o biênio 2017-2018, Maria Aparecida Ribeiro, também participou do evento e destacou a importância do resgate da dignidade da pessoa humana por meio de iniciativas como a justiça terapêutica. “Toda vez que falamos em amor, paz e felicidade, algo mais forte acontece em nossos corações. Eles se acalmam, e se sentem protegidos”, frisou a magistrada. Estabelecendo uma relação entre o projeto e a Paz em Casa, que tem mais uma etapa ao longo desta semana, a desembargadora reforçou a importância de acolher as pessoas. “Elas precisam de nós”, assegurou. Para a prefeita de Várzea Grande, Lucimar Campos, é preciso que os poderes trabalhem unidos e engajados para fortalecer a vida humana, para levar bem-estar e amor às pessoas que passam pelos mais diferentes problemas além da droga e da violência contra a mulher. Já o promotor de justiça Joelson de Campos Maciel, representante do Ministério Público na solenidade, ponderou sobre a necessidade da volta às origens para se tornar uma pessoa melhor e colocou o olhar feminino como o grande diferencial do projeto. “A construção das estruturas interiores vai fazer a diferença para o resto da vida dessas pessoas”, disse.
A coordenadora do LAR, Amini Haddad Campos, explica que o projeto representa a terceira fase do programa ‘Justiça em Estações Terapêuticas e Preventivas’, desenvolvido há três anos pelo Jecrim-VG. Além da feira cultural com exposição de artesanatos feitos por dependentes químicos, familiares e instrutores das oficinas oferecidas pelo Núcleo Psicossocial (Nups), o projeto prevê a capacitação das equipes da unidade judiciária, formada por voluntários e estudantes de cursos de graduação do Univag nas áreas de psicologia, assistência social, educação física, odontologia, ciência e tecnologia.
Segundo a juíza, o Jecrim lida com famílias em situação de vulnerabilidade social e trabalhar com a constelação familiar vai possibilitar a ampliação da atividade já desenvolvida e a construção social de uma nova etapa, que põe fim a um passado trágico e permite realizações futuras. “É imprescindível em lares desestruturados que a gente possa chamar a responsabilidade individual, que a pessoa possa perceber a sua existência, atuação e conduta e que, portanto, o primeiro passo seja dado a partir dela”, ressaltou Amini, enfatizando que o objetivo é alicerçar horizontes e não somente capacitar as equipes. “O LAR representa mudanças reais de vida, de famílias que estavam destruídas e que renasceram com amor e fé”, afirmou.
Para capacitar as equipes e apesentar essa nova ferramenta de trabalho, a juíza Jaqueline Cherulli foi especialmente convidada a falar sobre ‘Justiça Terapêutica-Preventiva, Direito Sistêmico e Constelações Familiares’. Conforme a magistrada, o trabalho que já é realizado em outras unidades do Judiciário pretende contribuir para melhorar o índice de recuperação no Jecrim-VG, evitar a reincidência e, consequentemente, o ajuizamento de novas ações. “A essência da constelação é colocar luz nas questões que as pessoas não querem enxergar e que causam os problemas, visando resolver essas situações”, explicou, acrescentando que Mato Grosso é um dos 15 estados brasileiros que utilizam essa metodologia e que ela realmente dá certo. Também participaram do evento a desembargadora Antônia Siqueira Gonçalves Rodrigues, o presidente da Associação dos Magistrados Mato-grossenses (Amam), José Arimatéa Neves Costa, o juiz Jamilson Haddad Campos, a promotora de justiça Lindinalva Rodrigues, a secretária municipal de Assistência Social de Várzea Grande, Kathe Maria Martins, o vereador Joãozito de Barros e o diretor da área de Conhecimento de Ciências Sociais Aplicadas do Univag, professor Peter Wilhelms.
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Ana Luíza Anache | Fotos: Otmar de Oliveira (Agência F5)
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