Ir para o conteúdo principal
Selo de Transparência
Logo CNJ

 14/04/2016   17:59 

Compartilhe: 

III Fonamec: mediação familiar é tema de palestra

Com o tema “Mediação familiar: um importante instrumento para a transformação dos conflitos, dos relacionamentos e da própria Justiça de família”, a juíza Vanessa Aufiero da Rocha, coordenadora do Cejusc da Comarca de São Vicente (SP), abriu os trabalhos, no período da tarde, do III Fórum Nacional da Mediação e Conciliação (Fonamec), que está sendo realizado no Tribunal de Justiça de Mato Grosso, nos dias 14 e 15 de abril.
 
A magistrada iniciou sua fala fazendo um elogio ao Poder Judiciário do Estado. “O Tribunal de Justiça de Mato Grosso vem se destacando no cenário brasileiro pela maneira com que olha para as práticas autocompositivas. É com muita alegria que eu participo do Fonamec, que é muito mais que um encontro para debater ideias e propostas, é um encontro de almas, com trajetórias diferentes, mas conectadas com o mesmo propósito de construir uma sociedade melhor”.
 
Conforme ela, os conflitos fazem parte dos relacionamentos, principalmente com relação às famílias, já que cada pessoa é única, tem sua história, seu temperamento, sua composição genética. Nos diversos relacionamentos, as diferenças individuais quanto às percepções e necessidades emergem, pois cada pessoa forma a sua própria percepção e tem necessidades num determinado momento. Essas diferenças nas relações interpessoais tornam-se as bases dos conflitos.
 
“O problema é que as pessoas não conseguem resolver seus conflitos e procuram o Poder Judiciário para isso. Transformam o processo em um verdadeiro campo de batalha. A decisão justa para a pessoa é ela ter razão e tirar a razão da outra parte. O fato é que a ação em si é apenas um fragmento do conflito. Quando olhamos apenas para o conflito em si e não para os conflitos subjetivos, dificilmente conseguiremos resolver o problema”, afirma a palestrante.
 
É exatamente aí que entra a mediação, ela não vê apenas os aspectos visíveis do relacionamento, mas também os invisíveis, os que demonstram afeto. “Precisamos enxergar as emoções que permeiam as relações humanas e que são espantadas no processo. Muitas vezes o processo envolvendo questões de família é como o “Mito da Caverna”, as pessoas vêm apenas sombras, é preciso enxergar o aspecto subjetivo das coisas. Os olhos vêem o que a mente está preparada para receber”.
 
Na visão da magistrada, a mediação não é só uma forma de solução pacífica de conflitos, ela busca o resgate da dignidade humana. “Ela (a mediação) convida as pessoas a serem protagonistas dos seus próprios conflitos. Convida cada um a olhar para dentro de si e ver as belezas que cada ser humano carrega. A mediação retira do mediando tudo aquilo que não é necessário, principalmente o julgamento”, destacou a juíza, citando o líder pacifista indiano, Mahatma Gandhi: “Seja a mudança que você deseja no outro”.
 
Para ela, a mediação torna visível um mundo interior que existe dentro de cada ser humano. “A mediação tem o poder de tratar o ódio, o medo e a raiva com amor. Devemos focar mais nas semelhanças que temos com as pessoas do que nas diferenças. Devemos ver mais o que nos une, do que o que nos separa. Precisamos estabelecer relações mais toleráveis uns com os outros, porque as nossas necessidades, no fundo, no fundo, são universais”.
 
A juíza encerrou a palestra reforçando a ideia de que a mediação é muito mais que um método de transformação de conflitos, é um novo paradigma. “A mediação estimula os diálogos e não os monólogos, ela trabalho o cuidado e não a ajuda. Busca uma solução que atende os seus interesses, mas o do outro também”, finalizou.
 
Leia mais sobre o Fonamec:
 
 
 
 
 
Janã Pinheiro/ Fotos: Carol de Vita (F5)
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
(65) 3617-3394/3409