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 05/04/2016   18:23 

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Poder Judiciário viabiliza UTI pediátrica

 
O Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio da 1ª Vara Especializada da Infância e Juventude de Cuiabá, está viabilizando a entrada em funcionamento da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica do Hospital de Câncer (HCanMT). Intermediada pela juíza Gleide Bispo Santos, uma parceria entre a diretoria do HCanMT e a Secretaria de Estado de Saúde vai permitir que o projeto da UTI se torne uma realidade, beneficiando não apenas os mato-grossenses como também pacientes de estados vizinhos e até da Bolívia que são atendidos pela unidade.
 
Na tarde desta terça-feira (5 de abril), a magistrada visitou as instalações do HCanMT e conheceu a área que será reformada para instalação da UTI pediátrica. De acordo com o diretor presidente do hospital, Laudemi Moreira Nogueira, serão construídos 10 leitos em uma área de 412m², onde funciona o antigo auditório. “A obra será custeada pelo Instituto Ronald McDonald, com doações arrecadadas junto à sociedade por dois anos durante a Campanha Mc Dia Feliz. O recurso, na ordem de R$ 822 mil, já está na conta do hospital e o início da obra foi autorizado pelo instituto. A reforma começará ainda em abril e a previsão é de seis meses de duração”, contou.
 
Gleide Bispo Santos explica que, em uma audiência com o secretário de Saúde Eduardo Luiz Conceição Bermudez na semana passada, ele se comprometeu a equipar a UTI com recursos do executivo estadual. “O Poder Judiciário mais uma vez participa como ator na discussão das necessidades e demandas do público infanto-juvenil”, defendeu a magistrada. A juíza conta que a ideia partiu de uma ação civil pública proposta pela Defensoria Pública por iniciativa das mães de crianças e adolescentes em tratamento no HCanMT, que muitas vezes precisavam ser transferidos para outros hospitais e nem sempre recebiam tratamento especializado.
 
“Inicialmente, a intenção era que o governo construísse uma UTI pediátrica para atendimento de crianças vítimas de câncer. Contudo, prontamente aceitou a proposta de investir no Hospital de Câncer, uma unidade de saúde privada que atende 97% dos pacientes pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Por outro lado, o hospital tinha essa necessidade mesmo antes da ação judicial e trabalhava na intenção de arrecadar recursos para concretizá-la”, argumentou Gleide. Para o presidente Laudemi Nogueira, a ação Defensoria Pública reforçou a certeza de que o “pleito do hospital era verdadeiro” e vai permitir que ofereçam a estrutura completa para o tratamento: ambulatório, internação e, no futuro, UTI pediátrica.
 
De acordo com o diretor presidente da unidade, o fato do Poder Judiciário ter acolhido o pedido da Defensoria e da juíza constantemente expedir liminares determinando a internação de crianças em UTIs de outros hospitais, deixou evidente para o Executivo a real necessidade desse serviço. “A parceria intermediada pelo Judiciário representa uma grande conquista não somente para hospital, mas sobretudo para as crianças em tratamento e seus familiares, que certamente terão o sofrimento amenizado. Tendo essa ala dentro do hospital, a qualidade do atendimento irá melhorar inclusive sob o aspecto da humanização, pois evitaremos a remoção desses meninos e meninas em ambulâncias”, considerou.
 
Segundo Laudemi, a diretoria do HCanMT trocou a área inicialmente destinada para construção da UTI pediátrica. “Seria necessário um investimento maior e mais tempo para que ficasse pronta. Optamos por reformar uma parte da ala antiga e por instituir a unidade próximo aos consultórios. Isso refletirá em um custo menor, inclusive com a equipe médica, já que os profissionais dos consultórios poderão auxiliar nas UTIs. O projeto já foi elaborado e está aprovado”, relatou.
 
A primeira fase é a reforma e a segunda é a aparelhagem da UTI. “Com tudo pronto, partimos para uma terceira etapa, que é o credenciamento e habilitação da unidade pelo Ministério da Saúde para atendimento pelo SUS e recebimento de recursos do Governo Federal para operar”, acrescentou o presidente.
 
Dados – Conforme a coordenadora do Departamento de Pediatria do HCanMT, Suely Araújo, são atendidos pela ala pediátrica crianças e adolescentes de 0 a 18 anos. Em média, são acolhidos 65 casos por mês para tratamento e registrados 77 novos casos por ano. A unidade conta com 19 leitos para internação e a taxa de ocupação é de aproximadamente 80%. “Em torno de 60% dos pacientes são portadores de leucemia, depois temos os tumores cerebrais e linfomas. A UTI será fundamental para aumentar a efetividade do tratamento”, enfatizou.
 
 
 
Ana Luíza Anache
Assessoria de Comunicação CGJ-MT
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