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 30/05/2016   09:22 

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Adoção: amor construído a cada dia

O professor Admilson Mário de Assunção e o gastrônomo Paulo Augusto Rodrigues estavam juntos, em um relacionamento, há cerca de dois anos quando decidiram aumentar a família. Esperaram mais seis anos até conquistar a tão sonhada estabilidade financeira para dar o grande passo. Em agosto de 2015, tornaram-se pais do Vítor Hugo Rodrigues de Assunção, de 10 anos, e do Alejandro Rodrigues de Assunção, de 8 anos. Agora a casa está cheia, assim como os corações estão cada dia mais repletos de amor.
 
“A casa mudou demais, hoje ela tem vida. Antes éramos só os dois, então era uma casa mais fria, organizada, limpinha. Hoje não, é uma casa em que a cama está desarrumada e coisas estão fora do lugar porque há duas crianças vivendo com a gente. E nós estamos muito felizes com isso”, afirma Admilson. Ele conta que nesses últimos nove meses tudo está diferente. “O coração também aumentou. No nosso caso couberam dois meninos, que são irmãos naturais, e fazemos questão de dizer isso para as pessoas”, explica.
 
Para o professor, o amor é construído. “Na verdade, quando você olha uma criança você pode sentir afeto, carinho e pensar: é essa. Mas o amor vem com a convivência. E conviver com eles é muito gostoso, porque são carismáticos e carinhosos. Sabe o que é todo dia você chegar em casa e ter alguém te esperando? Ouvir: pai, que bom que você chegou, estava com saudade, deixa eu falar como foi a escola. Percebemos que eles precisam do nosso carinho, amor e proteção. Aí não tem como você não construir esse amor. Nós estamos muito felizes com o Alejandro e o Vítor porque todo dia nós aprendemos com eles. A gente mais aprende do que ensina. É uma troca muito bonita quando a gente está aberto para adoção”, defende.
 
Hoje, a família constrói uma nova história, juntos. “O processo de adoção até que foi rápido. Depois da habilitação, quando entramos na fila, em um mês recebemos a primeira ligação. Fomos conhecer o perfil e a história das crianças, vimos fotos e depois marcamos a visita no lar. A primeira pergunta que eles fizeram é se teriam um quarto só para eles, televisão, carro, se iriam passear e viajar. A resposta foi sim. E quando eles chegaram, a casa se encheu de alegria. Como não tínhamos a possibilidade de ter filhos biológicos, vimos na adoção o caminho para realizarmos esse sonho e percebemos a importância desse ato de amor, um encontro entre corações de pessoas, crianças e adultos, que querem ter uma família”, acrescenta Paulo.
 
Os quatro participaram nesta quarta-feira (25 de maio), Dia Nacional da Adoção, de um movimento pela causa, no Parque Mãe Bonifácia, em Cuiabá. Junto a servidores do Poder Judiciário Estadual e parceiros, eles se mobilizaram para mostrar a importância da adoção e de se evitar a institucionalização de crianças e adolescentes. Guiados pela corregedora-geral da Justiça de Mato Grosso, desembargadora Maria Erotides Kneip, os participantes distribuíram folhetos, orientaram as pessoas sobre o processo de habilitação de pretendentes e caminharam pelo parque.
 
“As instituições de acolhimento trazem um cuidado padronizado e a criança precisa de um cuidado personalizado. Que a gente possa viver o dia de hoje, refletindo sobre cada uma das crianças que acorda de madrugada nos abrigos sem ter colo de mãe. Quem é mãe sabe o que é um filho gritar de noite, você correr, pegar no braço e dizer: estou aqui. Precisamos sim desse carinho individualizado”, destacou Maria Erotides durante o Movimento pela Adoção. Para a corregedora, o tempo de espera nas instituições “é extremamente maléfico e traz consequências cruéis para a vida das crianças e adolescentes”. Segundo ela, muitos têm dificuldades de relacionamento e atraso no desenvolvimento motor e na linguagem.
 
A desembargadora mais uma vez ressaltou que os laços de consanguinidade não garantem o afeto e que a adoção é, em primeiro lugar, uma atitude de distribuição de afeto. “Nós precisamos lutar por essas crianças que estão fora do direito fundamental de convivência familiar. Que a nossa caminhada não seja em vão e que no dia 31 de dezembro deste ano não tenhamos mais em Mato Grosso nenhuma criança em acolhimento institucional”, conclamou. O Estado atualmente possui cerca de 580 crianças e adolescentes acolhidos, sendo apenas 75 aptos à adoção.
 
A atividade encerrou a programação do mês da adoção e contou com a participação da desembargadora Maria Aparecida Ribeiro, do juiz auxiliar da CGJ-MT Luiz Octávio Saboia, além dos servidores de todos os departamentos da corregedoria. O Movimento pela Adoção foi realizado em parceria com a Secretaria de Estado de Trabalho e Assistência Social (Setas), Associação Mato-grossense de Pesquisa e Apoio à Adoção (Ampara), Assembleia Legislativa (ALMT), Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente de Mato Grosso (CEDCA-MT), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MT).
 
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Ana Luíza Anache | Fotos: Leandro Maia (Agência MKS)
Assessoria de Comunicação CGJ-MT
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