PJ ajuda a inaugurar ala pediátrica em Cuiabá
O Poder Judiciário de Mato Grosso foi um parceiro fundamental para reforma da ala pediátrica do Pronto Socorro Municipal de Cuiabá, inaugurada na manhã desta quarta-feira (11 de maio). A obra foi viabilizada pela juíza da 1ª Vara Especializada da Infância e Juventude da capital, Gleide Bispo Santos, que determinou o cumprimento de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado entre o Ministério Público e a Prefeitura, intermediou a negociação com o executivo e viabilizou parcerias para a reforma e o funcionamento da unidade. Foram investidos R$ 5,5 milhões na obra, recursos provenientes da Prefeitura, do Governo do Estado e do Governo Federal. A nova ala pediátrica funciona no 3º andar do hospital, tem 1234m² e capacidade para 40 leitos: 10 de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) – dois destinados ao isolamento, cinco de semi UTI e 25 de enfermaria. O espaço terá ainda brinquedoteca, área para atividades culturais, lactário, local de convivência para os pais e sala de aula para atividades e acompanhamento pedagógico. A ambientação segue o padrão de hospitais infantis considerados referência no país, de forma a promover a humanização do local.
O custo mensal está estimado em R$ 2 milhões para funcionamento da ala, que conta com equipamentos modernos e obedece a requisitos de uma unidade de alta complexidade, como piso especial e ar-condicionado central. Parte dessa despesa será paga pelo Estado. “Esta é uma obra que a sociedade cuiabana e mato-grossense desejava há muito tempo. E o Estado se fará presente no custeio, porque muitas pessoas que são atendidas aqui vêm do interior. Não interessa para o cidadão de onde vem o dinheiro, ele deseja ser bem atendido”, afirmou o governador Pedro Taques. A juíza Gleide Santos considerou a realização de um sonho a nova ala pediátrica. “Nós precisávamos muito de leitos de UTI pediátrica, a cidade estava carente, todos os dias tínhamos que buscar leitos para crianças. Hoje, podemos dizer que vai diminuir significativamente o número de processos judiciais, que as crianças terão atendimento de qualidade e, sobretudo, humanizado”, destacou, acrescentando que a o artigo 227 da Constituição Federal diz que a criança e o adolescente são ‘prioridade absoluta’.
A magistrada disse ainda que um convênio com a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) vai transformar a unidade em hospital escola. “Teremos aqui estagiários e professores de oito cursos da universidade que vão contribuir para aumentar a qualidade dos serviços prestados e melhorar significativamente o acolhimento das crianças e adolescentes” observou.
O prefeito Mauro Mendes ponderou que essa passa a ser a maior e mais importante ala pediátrica do estado, com um padrão de qualidade encontrado nos melhores hospitais brasileiros. E salientou que esses novos leitos vão diminuir consideravelmente a judicialização. “A partir do momento em que você oferece um serviço público de qualidade, disponível, não há porque a tutela do judiciário para resolver essa necessidade que o cidadão tem de saúde pública em Mato Grosso”, enfatizou. Mauro Mendes explicou ainda que, com a inauguração do novo Pronto Socorro, prevista para 2017, pretende transformar o prédio atual em Hospital Infantil. “Será estrategicamente um hospital voltado ao atendimento de todas as crianças do estado, em todas as especialidades”, contou.
Parceria – A iniciativa do judiciário mato-grossense e da juíza Gleide Santos foi bastante elogiada. “Quero cumprimentar o Poder Judiciário de Mato Grosso, a doutora Gleide e todos os magistrados, e dizer que não adianta ficar na neutralidade. O magistrado tem que ser imparcial, mas tem que participar, porque a saúde é um dever de todos e um direito de todos”, observou Pedro Taques.
“A 1ª Vara da Infância foi fundamental para a entrega dessa ala. Sem ela, isso jamais teria se tornado realidade. O judiciário sempre está ao lado do profissional da classe médica porque, muitas vezes, quando não conseguimos adquirir qualidade ou atender a necessidade do paciente, nós contamos com a justiça. Porém, o que chamou a atenção nesse projeto foi a postura da doutora Gleide. Ela foi além, não foi só juíza, tomou parte do projeto, e isso para nós será inesquecível”, argumentou a pediatra Debora Gouget, representante dos médicos da ala pediátrica.
Ana Luíza Anache | Fotos: GCom
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