Condutores da tocha olímpica levam paz e esperança
A iniciativa de compartilhar sonhos, emoções, conhecimento e de levar a mensagem de paz para crianças e adolescentes acolhidos pelo projeto Vida Nova, em Várzea Grande, vale ouro. E a medalha vai para cinco atletas de Mato Grosso, mesmo que amadores, que carregaram a tocha olímpica na semana passada, durante a passagem da chama da Rio 2016 por Cuiabá. Eles se uniram para espalhar amor, esperança, alegria e proporcionar um sábado (25 de junho) diferente para a garotada. Meninos, meninas, crianças, adolescentes e adultos. Ninguém ficou de fora. Teve gente que ouviu dizer que a tocha estava na casa lar e chegou até lá para conferir de perto. Réplicas? Não! Eram cinco tochas oficiais, brancas quando fechadas e com um colorido à brasileira quando abertas. O design, especialmente pensado para os jogos no Brasil, apresenta formas do Pão de Açúcar e da calçada da praia de Copacabana.
C.E.N., de 15 anos, gosta de esportes e têm preferência declarada pelo futebol. Ele considerou “uma oportunidade única, que poucas pessoas têm” poder pegar na tocha olímpica e tirar uma fotografia para guardar de recordação. A P.A.N., de 13 anos, também não perdeu a chance de registrar. “Eu queria ter visto a passagem da tocha pelas ruas da cidade, mas não puder ir. Agora que ela veio até aqui, achei muito legal da parte dos condutores”, disse a adolescente que pretende acompanhar a competição esportiva pela TV. Para o juiz da Vara Especializada da Infância e Juventude da comarca de Várzea Grande, Carlos José Rondon Luz, a iniciativa é interessante pelo reflexo que causa nos jovens. “Ela desperta a esperança de coisas melhores relacionadas ao esporte. Com essa atitude, eles que têm uma historia de vida difícil, conseguem almejar uma possibilidade diferente para o futuro. E o esporte tem esse papel fundamental de despertar sonhos, interesses e vontade de fazer algo bom para sociedade”, defendeu.
A ideia de levar as tochas olímpicas às casas lares foi da servidora do Poder Judiciário de Mato Grosso Ana Flávia Marcelino de Barros, de 35 anos, que atua na 12ª Vara Criminal do Fórum de Cuiabá. Ela foi selecionada por um dos patrocinadores do evento, em um concurso com o tema ‘Minha galera é ouro’. Na ocasião, ela narrou como foi uma viagem que fez com a família para o nordeste e como é bom estar rodeada de pessoas que ama.Ana Flávia conta que a paixão pelo esporte vem de família e que jogou basquete durante quatro anos. “Foi um período gostoso, em que aprendi a trabalhar em equipe, conviver com pessoas diferentes e ter disciplina, além de me manter longe de coisas que não são boas como bebida e fumo. Sonhava em ser a Hortência ou a Paula e quando ganharam o mundial em 94 pra mim foi um marco. Infelizmente não consegui manter a vida de treino e acabei focando nos estudos, mas aprendi muita coisa com o esporte”, contou.
Sobre a oportunidade de carregar a chama olímpica no revezamento na capital mato-grossense, ela garante que foi emocionante. “Foi um evento único. Passa tão rápido que até agora estamos meio bobos. Acho que ainda vamos permanecer com essa sensação por alguns dias, de encanto com tudo que está acontecendo, olhando o que está sendo divulgado, tirando fotos com as pessoas, levando a tocha por aí”, relatou, destacando a importância de plantar a semente do esporte nas crianças.
À Ana Flávia se juntaram Demis, 40 anos, Carlos, 34 anos, Cleiton, 16 anos, e Karen, 30 anos. Todos participaram de concurso e foram selecionados por patrocinadores para participar do evento. E como ganharam as tochas de presente, nada melhor do que levar para o maior número de pessoas esse ‘troféu’, uma verdadeira aula de solidariedade.
“Foi uma experiência incrível, acho que nunca mais na minha vida terei uma sensação dessas. A gente cresce praticando atividade esportiva, vendo na televisão e pensa: isso nunca vai acontecer comigo. De repente você está ali, acendendo a tocha. Ninguém imagina que a tocha fica com a gente. Quando descobrem, pedem para tirar foto. Então mesmo depois do evento você leva um pouco desse espírito olímpico para as pessoas”, considerou Carlos Hendrigo, diretor executivo de uma empresa esportiva.
Demis Rogério Rodrigues Costa, funcionário público da Prefeitura de Cáceres, têm a noção exata de que eles escreveram o nome na história dos jogos apesar de haver torcida contra. “Muita gente critica, mas por falta de conhecimento. O Brasil passa por dificuldades, luta contra a corrução, sou solidário à greve dos servidores. Mas a gente não pode viver só isso. O mundo não tem que parar por isso. Precisamos viver outras coisas e tentar trazer esperança para o que está desacreditado e isso não é fácil”, argumentou o professor que é um entusiasta de eventos como esse, pois já foi voluntário nos Jogos Pan-Americanos de 2007, Copa do Mundo Fifa 2014 e estará também nos Jogos Olímpicos de 2016.
“Gosto desse clima e fico muito chateada com as críticas. O pessoal na internet tem muita raiva, ódio e parece que não sabe compartilhar alegria. Criticam porque não somos atletas e estamos conduzindo, aí eu explico para que foi criado o revezamento e por que a nossa tocha é branca, pra simbolizar a paz. Sendo atleta ou não, todos têm que ter oportunidade. Por isso a minha tocha é para eu levar em diferentes lugares para que as pessoas entendam o que ela representa”, enfatizou a bióloga Karen Regina Domingo. E o caçula da turma, Cleiton Veloso, encerra. “As pessoas não acreditam que você será escolhido, especialmente eu que vim do interior. Mas o primeiro passo é tentar”, ensinou o estudante de Pontes e Lacerda, que se atreveu a participar e foi selecionado.
Saiba mais – A chama olímpica é um importante símbolo dos Jogos. Representa a paz, a união e a amizade. A tocha, por sua vez, é usada para passar a chama de um condutor para o outro durante o revezamento até o acendimento da pira na cerimônia de abertura.Ao longo de 95 dias, 12 mil pessoas participam do revezamento da Tocha Rio 2016. Elas têm a missão de conduzir a chama Olímpica pelo Brasil, envolvendo todo país no clima dos Jogos.
Na rota, estão mais de 300 cidades e os 27 estados do país. Um total de 20 mil quilômetros em terra e 10 mil milhas aéreas em trechos das regiões Norte e Centro-Oeste, entre Teresina e Campo Grande – sem que o fogo se apague.
Cada condutor leva a chama por cerca de 200 metros – vale lembrar que o que é passado no revezamento é a chama Olímpica, acesa na Grécia, e não a tocha. A parada-final da chama é a cerimônia de abertura, no Maracanã, onde a pira Olímpica é acesa, dando início aos Jogos.
O que os 12 mil condutores têm em comum? São pessoas que fazem a diferença, seja no esporte ou em suas comunidades. Saiba mais sobre a história da tocha aqui.
Ana Luíza Anache (com informações do site oficial dos Jogos Olímpicos – Rio 2016)
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