Agentes socioeducativos são capacitados
Servidores do sistema penitenciário e socioeducativo da Comarca de Rondonópolis (212 km ao sul de Cuiabá) vão participar, durante toda a manhã do próximo sábado (16 de julho), de uma palestra sobre Ética no Trabalho. O bate-papo faz parte da grade curricular do Ciclo de Formação e Valorização desses profissionais, promovido pelo Poder Judiciário e lançado no último sábado (9 de julho), no auditório do Tribunal do Júri na comarca. A primeira apresentação foi sobre autoestima.A próxima palestra, com três horas de duração, vai traçar os princípios éticos para a convivência em grupo e nas relações de trabalho. O objetivo é melhorar a convivência em grupo dos agentes do sistema prisional.
Todo o ciclo de palestras possui carga horária de 20 horas/aula e vai trabalhar diversos temas no decorrer de sete encontros, sempre aos sábados. A finalidade é contribuir para melhor desempenho dos profissionais do sistema prisional em geral. A proposta visa oferecer ferramentas de reflexão para a elevação da autoestima profissional e pessoal, além de instrumentalizar os agentes para serem mais resistentes a frustrações, para responder a críticas adequadamente e a enfrentar os obstáculos e desafios do cotidiano do cárcere com mais segurança e motivação.
A juíza titular da 4ª Vara Criminal (de Execução Penal), Tatyana Lopes de Araújo Borges, conta que o projeto de qualificação surgiu para atender a um anseio dos próprios servidores das unidades prisionais, que também sofrem as consequências do aprisionamento, pois trabalham em regime de plantão, por 24 horas. “Atualmente temos muitos agentes em tratamento psicológico, em decorrência destes malefícios”, constata.
A magistrada avalia que o primeiro encontro foi um sucesso. “Os agentes penitenciários se sentiram valorizados durante o evento, o que ajudará no processo de ressocialização inclusive dos recuperandos”, observa.
Programação do Ciclo
Conforme o cronograma atual, o ciclo de formação ainda vai oferecer palestra sobre Saúde do Corpo, no terceiro encontro, programado para 23 de julho. Na palestra, serão apresentados hábitos saudáveis, simples e do dia a dia, que previnem doenças e melhoram a qualidade de vida e do trabalho. No quarto encontro (30 de julho), o assunto será Saúde e Convivência Familiar. O objetivo é fazer com que os profissionais reflitam sobre o valor da família.

Já no quinto encontro (6 de agosto), o tema da palestra será Relações Interpessoais. A ideia é fortalecer a automotivação e autopercepção dos servidores, permitindo-lhes maior harmonização entre os objetivos individuais e da equipe de trabalho. No sexto encontro (13 de agosto), o assunto será Direito Penal. A palestra vai fomentar nos servidores a importância dos conhecimentos acerca da legislação que norteia e regulamenta os procedimentos no exercício de sua função.
No sétimo e último encontro (20 de agosto), os agentes serão presenteados com o tema “A evolução do sistema penitenciário de Mao Grosso”.
Trabalho perene
A juíza garante que, mesmo após os sete encontros do Ciclo, esse trabalho junto aos agentes não vai parar por aí. “Após essa formação, a intenção é continuar com o acompanhamento psicossocial dos agentes penitenciários, por meio de um projeto definitivo”, atesta.
Lançamento de livro
Durante a abertura do Ciclo de Formação, no último dia 9 de julho, também foi lançado o livro “Os vícios e as nulidades do julgamento de Jesus Cristo”, de autoria da agente penitenciária Suziene Cavalcante. Ela é bacharel em Direito e o livro é uma adaptação do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC).
Na obra, Suziene analisa os direitos processuais penais hebraico, romano e brasileiro. Sem abordar a questão religiosa, ela faz pesquisas sobre como ocorreu o maior julgamento da história, de Jesus Cristo, e à luz das leis vigentes à época e do nosso Código de Processo Penal ela analisa as falhas e vícios que tornariam nulas todas as fases processuais da condenação.
O prefácio do livro é assinado pela juíza Tatyana. “Convido o leitor a se debruçar nesta obra, seja qual for a sua fé ou religião, pois se trata de uma ótima oportunidade para se conhecer a base do direito Hebraico, Romano e Processual Brasileiro, bem como todas as fases do maior e mais injusto julgamento de todos os tempos”, diz trecho do prefácio.
Glaucia Colognesi
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
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