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 31/08/2016   16:34 

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Estação TJ recebe Habel Dy Anjos com sua viola

O dedilhar da viola-de-cocho abriu a entrevista do músico e coordenador de Ensino de Graduação do curso de Licenciatura em Música do Departamento de Artes da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Habel Dy Anjos, no programa ‘Estação da Arte’, que integra a programação da rádio web Estação TJ, nesta quarta-feira (31 de agosto).
 
O mineiro de Uberaba contou muitas de suas histórias para a radialista Maíra Matos e para a jornalista Cristina Azevedo. E sua trajetória musical começou bem cedo, aos 11 anos, ainda em Minas Gerais. “Minha vida profissional é resultado de um problema de saúde, o qual me impedia de realizar atividades mais aceleradas. Para ocupar meu tempo, meu pai, que também era músico, me deu um violão e rapidamente aprendi a tocar. Como descobri essa aptidão logo passei a dar aulas em conservatórios da cidade”, relata Habel.
 
Mais crescido, ele cursou filosofia e na sequência partiu para São Paulo, onde fez a faculdade de música e tocava na noite paulistana. Contudo, a conselho de uma tia, em 1987, veio para Cuiabá, onde morava um primo. E quando chegou à capital mato-grossense se apaixonou pelo ‘jeito cuiabano’ quando viu um pescador tirar um ‘pintado’ do rio. “Fiquei maravilhado com a cena e decidi que aqui era meu lugar”.
 
Devido ao currículo que possuía, Habel foi convidado para reger a Banda Municipal de Cuiabá. Paralelamente montou um coral infantil para o Sesc. Quase no fim de daquele ano, teve seu primeiro contato com a até então, desconhecida por ele, viola-de-cocho, por meio do encontro com cururueiros. No ano seguinte passou a compor o quadro de professores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), local em que montou um projeto de divulgação da viola-de-cocho porque estava caindo em desuso.
 
“Quando entrei na instituição fiz um compromisso pessoal que era difundir a viola-de-cocho, uma preciosidade de instrumento que é essencialmente mato-grossense. Assim como levar aonde quer que fosse a cultura tão rica que nosso Estado possui”, enfatiza.
 
Nos 29 anos vividos em Mato Grosso, Habel contribuiu muito para a disseminação da arte musical regional no País e em cidades europeias como Paris (França) e Lisboa (Portugal). Na bagagem ele levou as experiências como educador, músico, produtor, pesquisador, palestrante e conferencista. O artista renomado também é produtor e arranjador musical de 19 CDs sobre a cultura regional. E tem na escrita outra paixão, tanto que já publicou quatro livros. “A riqueza do nosso povo chegou ao outro lado do mundo. O museu do Louvre, por exemplo, expõe uma viola-de-cocho, que eu doei quando fui me apresentar lá”.
 
Em reconhecimento a Mato Grosso, Habel compôs músicas que exaltam o Estado, a formosura da mulher pantaneira, fez o hino à bandeira de Mato Grosso e dos municípios de Campo Verde, Mirassol D’Oeste e Santa Terezinha. “A viola me encantou porque é algo simples, até rústico e tem uma sonoridade linda, que permeia do popular ao erudito. Com ela compus a música ‘Minha terra é aqui’, canções sacras e vários hinos. Fui aplaudido de pé, em Paris, quando usei a viola-de-cocho para tocar o hino nacional da França”.
 
O músico destaca que se sente agradecido pela abertura do espaço na rádio institucional. “É importante que um órgão público da dimensão do Tribunal de Justiça se proponha a resgatar a cultura mato-grossense. Abra espaço para que os jovens conheçam o que há de melhor na cultura de raiz, até porque ter acesso à cultura é conhecer o passado para fazer o elo com o futuro. Esta é uma bonita oportunidade de levar o fazer popular aos mais longínquos pontos do planeta”.
 
Do extenso acervo musical de Habel Dy Anjos, destacam-se obras como a ‘Sinfonia pantaneira’, ‘Uma melodia histórica’, entre outros trabalhos expressivos. E ele não para, no dia 9 de outubro, a partir das 20h, o Teatro da UFMT será o palco de lançamento do CD ‘Flor Morena’, de Gê Lacerda, o qual ele fez os arranjos musicais e produziu. Outro trabalho previsto para este ano é a gravação de um concerto com a Banda do Corpo de Bombeiros em que será utilizada a viola-de-cocho.
 
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Viviane Moura
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
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