Mulheres debatem violência em roda de conversa
Jane, Ana Paula, Leia, Odilza e Dilma: protagonistas da roda de conversa ‘Cabeça de Mulher’, realizada na quarta-feira (17 de agosto), no auditório Cloves Vettorato, em Cuiabá. Mulheres de iniciativa, que pediram a palavra, deram depoimentos, fizeram perguntas e conduziram o bate-papo. Cidadãs conscientes de seus direitos e da extrema necessidade de combater e colocar fim ao ciclo da violência doméstica e familiar contra a mulher. Guerreiras, ex-vítimas, amigas de vítimas. A ação da campanha Justiça pela Paz em Casa, promovida pelo Poder Judiciário por meio da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cemulher) e da Corregedoria-Geral da Justiça de Mato Grosso (CGJ-MT), contou com a parceria do Núcleo de Ações Voluntárias (NAV) do Governo do Estado.
De um lado, mulheres dos clubes de mães, líderes sindicais, de associações e comunitárias, assistentes sociais e servidoras. Do outro, autoridades que trabalham diretamente com casos de violência, magistrados, representantes do Executivo, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MT), da Defensoria Pública e da Polícia Judiciária Civil. No fim, um gostinho de quero mais. Uma plateia desperta, ávida por falar e ouvir, que se comprometeu a continuar o papo no próximo sábado, no bairro Pedra 90.
“Nós promovemos essa interação justamente com objetivo de conscientizar as mulheres dos seus direitos, orientá-las a como proceder e a quem procurar caso se sintam agredidas auxiliá-las a recuperar a autoestima e a dignidade humana e, sobretudo, encorajá-las a denunciar”, explicou a líder da campanha desembargadora Maria Aparecida Ribeiro. Para a corregedora-geral da Justiça, desembargadora Maria Erotides Kneip, esse é um dos papéis do Judiciário, “a manutenção dos direitos fundamentais e da igualdade de direitos entre homens e mulheres”. A tarde começou com a apresentação do documentário ‘De Volta Pra Casa’, que relata a vontade de um homem retornar à família após sair da prisão por um crime da Lei Maria da Penha. O longa, que é resultado de um projeto de extensão da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), traz depoimentos de vários presos, agressores, machistas. Porém, um deles pensa diferente, em sair do Centro de Ressocialização de Cuiabá (CRC) para reconquistar sua família, seu lar.
A partir daí, começaram os questionamentos e relatos. Maria Aparecida Ribeiro ponderou que a violência doméstica impera em todas as classes sociais e que é preciso unir esforços para dizimar essa praga. O secretário de Segurança Pública Rogers Jarbas disse que já está providenciando a instalação de uma delegacia de atendimento a mulher com funcionamento 24 horas. A primeira-dama do Estado e coordenadora do NAV, Samira Martins, pontuou a importância de fortalecer a amiga a lutar contra o ciclo da violência e de divulgar que isso não é normal, e sim um crime.
A corregedora Maria Erotides destacou que o trabalho doméstico não feminiliza o homem, que o álcool não cria agressores e que a cultura do silêncio em casos de violência contra a mulher precisa acabar. A defensora pública Rosana Barros ressaltou os avanços da Lei Maria da Penha, e que a roda de conversa estava cumprindo com o artigo 8º da lei, de fomentar o debate. E o juiz Jeverson Quinteiro, da 2ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, salientou a necessidade de mostrar às mulheres a força que elas têm e muitas vezes desconhecem. A urgência do estabelecimento e fortalecimento de uma rede de atendimento e proteção às mulheres é um consenso de todos. O interesse na implantação de políticas públicas para vítima e agressor, no tratamento psicológico e no empoderamento da mulher também. O desejo de reduzir os índices de violência é premente. Para que isso aconteça, as atividades da campanha seguem até o próximo sábado (20 de agosto), na capital.
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Ana Luíza Anache | Fotos: Tony Ribeiro (Agência F5)
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