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 27/09/2016   14:47 

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Jovens esperam ter futuro melhor após curso

R.S.M., de 22 anos, está vendo no curso ‘Técnicas de manuseio de materiais elétricos e manuais’ uma oportunidade de melhorar de vida. “Espero resgatar a dignidade, credibilidade e confiança para seguir um novo caminho. Essa é a primeira oportunidade que me foi dada e não posso perder. Quero aproveitar tudo isso”, afirmou o usuário de droga atendido pelo Núcleo Psicossocial (Nups) do Juizado Especial Criminal Unificado (Jecrim) de Cuiabá, que é um dos 35 participantes da capacitação oferecida em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), até o dia 4 de outubro. O jovem, que tem experiência como pintor, mecânico e vendedor, espera se profissionalizar.
 
O mesmo acontece com S.F., de 35 anos, que pretende se aperfeiçoar no ramo de pintura. “Tenho esperança de que o mercado de trabalho se abra para que eu continue a vida trabalhando. Hoje estou desempregado e espero que o curso melhore essa situação para que eu possa ajudar minha família. Ter um emprego e um salário vai ajudar bem na minha casa”, afirmou ele, que mora com a mãe e dois irmãos. Essa também é a expectativa do Poder Judiciário, que promove mais uma ação social em benefício dos jovens usuários de substâncias psicoativas atendidos pelo Nups, com baixa ou nenhuma qualificação técnica, desempregados ou em situação de trabalho informal, com baixa prospecção profissional, vulnerabilidade social e econômica.
 
Para o coordenador da Comissão sobre Drogas Ilícitas do Tribunal de Justiça, desembargador Marcos Machado, essa a parceria entre o Jecrim e o Senai é extremamente positiva. “Quero crer que a inserção do terceiro setor na atividade jurisdicional é um dos mais profícuos caminhos que o juiz tem para estabelecer a retaguarda e possibilitar que o dependente químico tenha uma inserção social. É preciso ter alternativas, apenas advertir os jovens ou obrigá-los à desintoxicação não é suficiente. Ele precisa ter uma atividade laborativa, um aprendizado, uma capacitação”, argumentou o desembargador, destacando a carência de profissionais qualificados como eletricistas, pintores e pedreiros no mercado.
 
O juiz titular do Jecrim, Mário Roberto Kono de Oliveira, conta que a ideia do curso profissionalizante partiu de uma reunião com instituições públicas parceiras. “Essa parceria representa uma oportunidade de a Justiça trazer algo a mais para a sociedade, um extra, e não se limitar ao julgamento. É uma forma de colaborar para que a sociedade possa melhorar, especialmente com relação àqueles que fazem uso de droga ou que por algum motivo ficam excluídos. Por meio de um curso profissionalizante estamos auxiliando-os a recuperar a dignidade para que possam ter uma atividade lícita. Esse é um passo do caminho para reinserção, contudo, ainda há muita coisa a ser feita”, analisou o magistrado.
 
Segundo Mário Kono, a dependência do álcool e da droga é uma doença e o primeiro passo é a recuperação. “Hoje, vocês que participam do curso nos dão uma grande alegria. Ficamos com receio e, ver a sala lotada, é uma grande vitória para todos nós. Vemos pessoas comprometidas em mudar de vida, e o que estamos oferecendo a vocês é essa chance. Desejamos que sigam seus caminhos, sintam-se orgulhosos, saiam profissionais e mais vencedores ainda”, declarou o juiz na aula inaugural do curso.
 
E a juíza substituta Lúcia Peruffo complementou: “Estamos aqui para iniciar uma etapa bastante significativa para todos e estou muito honrada de poder acompanhar de perto esse trabalho que vai proporcionar uma mudança de vida. Este é um marco para a história de Mato Grosso e dessa administração do Tribunal de Justiça”. Os juízes ainda destacaram o trabalho realizado pelos servidores do Jecrim, especialmente do Nups, para que o curso se tornasse realidade.
 
De acordo com o assistente da Secretaria Escolar do Senai, Aureliano Vieira, esse é um projeto piloto e a expectativa é de um grande trabalho em conjunto com o Judiciário. “Esse é um curso inicial, com a possibilidade de formação continuada e de inseri-los em outros cursos de diferentes áreas de qualificação como construção civil e gestão. Após essas 20 horas-aula teremos condições de identificar os talentos e despertar os interesses para determinadas áreas de atuação, encaminhando-os para continuar com os estudos especificamente”, explicou.
 
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Ana Luíza Anache/ Fotos: Tony Ribeiro (F5)
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