Judiciário visita escola mais antiga de Cuiabá
Os olhos dos alunos acompanhavam a cartilha enquanto o técnico judiciário Neif Feguri Neto falava sobre o funcionamento dos juizados especiais e sobre a diferença entre as causas cíveis e criminais. O interesse era evidente na tarde de quinta-feira (8 de setembro), durante a visita do programa ‘Nosso Judiciário’ ao Colégio Liceu Cuiabano ‘Maria de Arruda Muller’, a instituição pública de ensino mais antiga e tradicional da capital. A palestra para quase 500 alunos foi realizada no anfiteatro da escola, cujo prédio é tombado pelo Patrimônio Histórico do Estado. Divididos em duas turmas, os estudantes puderam conhecer um pouco mais do Poder Judiciário Estadual. Eles receberam do técnico judiciário Antonio Cegati a cartilha ‘Como funcionam os juizados especiais’ e aprenderam quais demandas devem ser levadas ao juizado cível e quais podem ser levadas ao criminal, como entrar com uma ação no cível ou levar um caso ao criminal, etapas do processo e as penas aplicadas no juizado especial criminal.

Para a aluna Thayná Oliveira, de 17 anos, a palestra foi bastante instrutiva. “Normalmente ficamos de fora dessas questões e por isso é bom quando alguém se propõe a nos explicar”, disse. O que mais chamou a atenção dela foi o direito de buscar a justiça como consumidora, quando compra um produto que vem com defeito ou há atraso na entrega. Breno Moreira Souza, de 18 anos, conta que não tinha nenhum conhecimento sobre o Poder Judiciário. “A palestra clareou bem as ideias, especialmente com relação às atribuições dos juizados. É importante para nós, jovens, termos essa consciência”, defendeu.
A professora de Língua Portuguesa Ivete Ferra Conca elogiou a cartilha pela praticidade e acessibilidade da linguagem e o programa por aproximar o Judiciário da comunidade escolar. “É uma iniciativa de suma importância, pois na sala de aula percebemos que há um distanciamento da realidade dos estudantes quando falamos em Justiça. Espero que o projeto persista”, defendeu. Para a educadora, a parceria com as escolas é necessária principalmente por ajudar a combater a criminalidade. “Muitos cometem delitos por desconhecer regras de convívio em sociedade”, afirmou.
A estudante Rayssa Santiago, de 17 anos, já está se preparando para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Ela, que pretende fazer o curso de Direito, disse que realmente muitos cidadãos desconhecem seus direitos e deveres. “Vocês vieram aprimorar o nosso conhecimento, agora sabemos a quem procurar. É sempre bom ter uma orientação profissional para sanar as nossas dúvidas”, salientou.
O palestrante Neif Feguri Neto destacou ainda que a conciliação é o ponto forte dos juizados, que todos têm direitos iguais na justiça, que ninguém está acima da lei, e que o judiciário está de portas abertas para todos. “Só não procura a Justiça quem não quer”, frisou. O idealizador do programa ressaltou ainda a missão do ‘Nosso Judiciário’ de aproximar a instituição da população. O Colégio Liceu Cuiabano foi a 37ª escola pública a receber o programa desde a sua implantação, em 2015. Leia mais:
Ana Luíza Anache | Fotos: Tony Ribeiro (Agência F5)
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