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 23/10/2017   13:56 

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“Bem de Família” certifica participantes

A Vara Especializada da Violência Doméstica do Fórum de Várzea Grande entregou os certificados aos participantes da primeira turma do projeto “Bem de Família”. Durante seis meses, sete acusados de violência doméstica participaram de reuniões, acompanhados por psicólogos e assistentes sociais. A solenidade de entrega foi realizada na última quinta-feira (19 de outubro).
 
De acordo com a proposta, os acusados de agressão têm que participar do projeto e em caso de falta precisam apresentar atestado para justificar a ausência e não voltar para a prisão.
 
O projeto é desenvolvido desde maio deste ano com foco voltado para o agressor. Atualmente, 94 homens divididos em dois grupos integram o programa que trabalha diversos temas. “As atividades são voltadas para a mudança de comportamento, para conscientização dessa violência que foi praticada e tentando tirar essa imagem de que o outro sempre é o culpado. O agressor tem que se ver implicado naquela relação conflituosa para conseguir transpor e mudar o comportamento com o foco de não reincidir, não voltar a apresentar violência de novo no lar”, explicou a psicóloga do projeto Kátia Araújo.
 
Para a assistente social, Aparecida Castro Soares, a avaliação desta primeira etapa do projeto é positiva, levando em conta que a maioria dos participantes conseguiu concluir o curso. “Nós iniciamos o projeto em maio deste ano e estamos finalizando a primeira fase com 7 participantes. No sentido quantitativo, a avaliação foi interessante e no sentido qualitativo também. Durante os últimos encontros as falas desses agressores foram outras, diferentes do início do projeto”, destacou.
 
A alternativa, idealizada pelo juiz titular da Vara de Violência Doméstica de Várzea Grande, Eduardo Calmon de Almeida Cézar para promover a Justiça Restaurativa, propõe que os agressores, além de responder o processo na Justiça, também participem de encontros coletivos que são realizados uma vez por mês e tem também como objetivo promover a paz no lar. “Hoje, estes agressores têm condições de retornarem aos lares pacificados. Esta iniciativa é importante porque traz uma nova consciência, uma nova cultura da paz para o lar, faz com que o agressor possa reconhecer os atos que praticou com a interação multidisciplinar da equipe de assistentes sociais e psicólogos, pronta para orientá-los”, ressaltou o magistrado.
 
“Eu acredito que esse tipo de projeto em que chama o agressor para repensar a sua atitude, só ajuda, porque esse agressor, amanhã ou depois, pode vir a reconciliar com essa vítima ou até mesmo procurar uma nova companheira”, observou a defensora pública, representante das vítimas em juízo, Tânia de Matos.
 
Um homem de 30 anos, que preferiu não ser identificado foi um dos sete participantes a concluir o projeto. Casado há 1 ano e nove meses, ele afirma que no começo foi difícil se ver como agressor. “Os encontros são bons, porque, além de falar sobre a Lei Maria da Penha, até então totalmente desconhecida por mim, trata também sobre o respeito entre o homem e a mulher e sobre a saúde do homem, que é muito importante neste processo. O curso também foi importante por focar basicamente no agressor, um tratamento para que o caso não volte a acontecer”, definiu.
 
Hoje, o homem diz que o projetou mudou a sua vida. “Às vezes a gente se perde no que é o relacionamento, acha que briga é normal e com os encontros começamos a entender que as agressões também envolvem violência psicológica, financeira, são vários tipos de agressões”. Para ele, o Bem de Família veio para ajudar a salvar as famílias. “Ajuda a restituir. Hoje graças a Deus eu e minha esposa temos paciência um com o outro. Consegui entender o que estava errado em mim e assim manter o meu casamento”.
 
Mára Santos
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
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