Estação da Arte recebe o ator Ivan Belém
O encontro desta quarta-feira no programa Estação da Arte na rádio web do Tribunal de Justiça de Mato Grosso foi com o ator, humorista e autor mato-grossense Ivan Belém. O artista bateu um papo descontraído com a jornalista Cristina Azevedo e a radialista Maíra Matos.Natural de Barão de Melgaço, Ivan defende a cultura cuiabana e faz questão de destacar o sotaque da terra. Completando 40 anos de carreira, o ator se diz feliz por ter uma trajetória de sucesso em Mato Grosso. “É muito bom ter essa oportunidade para valorizar a nossa cultura, porque esse trabalho que eu faço há 40 anos bebe nas fontes da cultura popular cuiabana e mato-grossense, lança um olhar sobre o nosso modo de ser e de falar, sobre as questões que afligem o povo, proporcionando um pensamento crítico e levando alegria para a nossa população”, define Ivan Belém.
Uma das interpretações mais conhecidas do ator e humorista é ‘Creonice’, criada na década de 90, junto com uma personagem de Liu Arruda, um dos ícones da cultura no Estado na época. “A Creonice nasceu junto com a comadre Nhara e serviu de contraponto, já que Nhara é uma cuiabana escrachada, com forte sotaque cuiabano. Já a Creonice é loura, cuiabana da classe media, que viaja para o Rio de Janeiro nas férias e acha que é carioca, mas tem um pé no quintal cuiabano e ela se trai muito, quer ser comportada, mas é uma cuiabana do pé rachado”, conta Ivan.Para Belém, trabalhar com Liu Arruda foi um aprendizado. “Liu Arruda representou uma escola não só para mim, mas também para uma série de atores, comediantes mato-grossenses. Aprendi muito com ele, formamos uma dupla durante 10 anos, fundamos o Gambiarra, que foi o primeiro grupo de teatro de rua de Mato Grosso. Foi um período muito bacana”, lembra o ator.
Ivan Belém teve dois livros publicados e o segundo “Liu Arruda, A Travessia de Um Bufão” lhe rendeu o prêmio Mato Grosso de Literatura. “Este livro foi resultado da minha tese de doutorado em que eu conto a história de Mato Grosso na década de 1980 particularmente”.Satisfeito com a oportunidade dada pelo Tribunal de Justiça para divulgar o seu trabalho, Ivan Belém afirma que é uma iniciativa muito importante. “Vejo de forma positiva, porque aproxima e contribui para o diálogo entre o Poder Judiciário e a classe artística, populariza a arte. Entendo que o Tribunal está prestigiando quem faz cultura no Estado. Só tenho a parabenizar e agradecer”, finalizou o artista.
Mára Santos
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