TJMT promove ciclo de palestras sobre autismo
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso promoveu nesta sexta-feira (7 de abril) o evento ‘Autismo – O poder da família, os tratamentos integrativos e a inclusão escolar’. Com diversas palestras a respeito do Transtorno do Espectro Autista (TEA), a ação foi destinada a servidores, agentes de saúde, educadores, pais e famílias que lidam com o transtorno. Participaram do ciclo de palestras 175 pessoas.
O evento contou com a colaboração de nove palestrantes, que trataram dos mais variados assuntos relacionados aos sintomas, tratamentos, características, compreensão e direitos da pessoa com autismo.
A médica pediatra Mônica Zago Nochi palestrou sobre as características imunológicas, metabólicas e gastrointestinais do autismo, que culminam na neuroinflamação e alteram o comportamento dos pacientes.
“Hoje em dia por meio de estudos foi criado um novo paradigma sobre o espectro autista. Sabemos que as pessoas têm uma suscetibilidade genética e esse gene pode ser ou não ativado por fatores ambientais. Dentre esses fatores, está a alimentação. Nós temos uma alimentação repleta de agrotóxicos, conservantes, corantes, alimentos industrializados, intoxicações no meio ambiente, poluição no ar, mercúrio nas águas, medicamentos antibióticos que alteram nossa flora intestinal e nossa defesa e muitas vacinas que usam como conservante o mercúrio. Toda essa carga tóxica em contato com o paciente que tem essa suscetibilidade genética pode ativar o gene e manifestar os sintomas fechando o diagnóstico do autismo”, explicou a médica.
O conhecimento dos fatores ambientais relacionados ao autismo foi de grande importância para a professora Elza Marques, que trabalha na Creche Escola Estadual Maria Eunice Duarte, e lida diariamente com crianças autistas. “Temos que saber lidar com essa criança. Quanto mais aprimoramos nosso conhecimento, melhor para trabalhar com essa criança. Nós temos que buscar conhecimento. Estou apaixonada pelas palestras, já fiz um filme mental de como lidar e identificar crianças nessa situação”, frisa a professora.
O advogado Rodrigo Guimarães começou a atuar na defesa dos direitos dos autistas porque seu primo tem o transtorno e a família enfrentava dificuldades para ter acesso a estes direitos. Em parceria com a Associação de Amigos do Autista de Cuiabá (AMA), ele foi convidado para palestrar sobre o tema.
“Falta muita informação e apoio. Quando meu primo foi diagnosticado, falaram que ele não teria uma vida e as possibilidades que ela oferece. Infelizmente muitos pais não conhecem seus direitos e perdem essas oportunidades de construir uma vida melhor para seus filhos”, esclarece.
Um dos direitos que Guimarães divulgou na palestra é a Lei Municipal 5.898/2014, do município de Cuiabá, que garante aos pais de crianças autistas a redução de 50% da jornada de trabalho, se ela for igual ou superior a 35 horas semanais. Além disso, o advogado instruiu os pais de crianças autistas a procurarem seus direitos no caso de negativa de matrícula em escolas ou creches, falou sobre os descontos de IPI, IPVA e ICMS na compra de veículo para a família e o saque do FGTS ativo para pais de autistas que trabalham pelo regime da CLT.
A diretora-geral do TJMT, Claudenice Deijany F. de Costa, ressalta o papel socializador da instituição que vai muito além do sentenciamento de conflitos que chegam à Justiça e está previsto no Planejamento Estratégico 2015-2020. “Uma das visões do Poder Judiciário é ser reconhecido pela sociedade como um poder célere, eficaz e acessível. Esse evento vem aperfeiçoar a intenção de valorizar as ações inclusivas. Sabemos que esse é um transtorno que ocorre em muitos lares e o Poder Judiciário não pode ser visto como um simples homologador de conflitos e sim como um ente que participa na socialização e conscientização a respeito da problemática desse transtorno”.
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Mylena Petrucelli
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
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