Iniciadas ações da semana de doação de medula
Mato Grosso possui atualmente 59 mil cadastrados no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome), entidade coordenada pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), mas ainda são necessários outros 10 mil para diversificar o acesso ao banco de dados que garante o transplante a quem precisa. Como forma de incentivar ações sobre o tema, o Hemocentro de Mato Grosso em parceria com a Assembleia Legislativa promoveu uma audiência pública, nesta terça-feira (23 de maio), para divulgar a Semana Estadual de Conscientização da importância da Doação de Medula Óssea, que se estende até o dia 28 deste mês.
Foi graças a uma campanha informativa que a jovem Juliana Duarte decidiu ser doadora, há cerca de dois anos. “Eu ouvi falar sobre a doação de medula em Rondonópolis e por incentivo de alguns amigos me cadastrei. Para minha surpresa logo fui chamada, me senti muito feliz por ter salvo uma vida. E se novamente precisarem de mim, eu doo mais uma vez”.
Um gesto semelhante ao de Juliana pôs fim à luta do policial militar, Robson Trindade, que aos 25 anos de idade foi diagnosticado com aplasia de medula óssea e tinha como única alternativa de cura, o transplante medular. “Felizmente em pouco tempo consegui fazer a cirurgia, foram 22 dias. Desde que soube da doença tinha a esperança de que conseguiria o transplante. Hoje tenho uma segunda mãe, minha doadora, que vive no Paraná. Por causa da vontade de ajudar daquela mulher que nem me conhecia eu estou curado e realizei o sonho de me graduar”, fala agradecido.
Cadastramento - E para se tornar doador de medula é muito fácil, segundo a diretora do Hemocentro, Silvana Salomão. “Para se cadastrar no Redome é preciso preencher requisitos básicos, como ter idade entre 18 e 55 anos e boa saúde. Atendendo a essas condições, basta se apresentar na unidade de captação de doadores do Hemocentro que fica localizado na Rua 13 de junho, 1.055, Bairro do Porto, em Cuiabá, portando um documento com foto. O funcionamento é de segunda à sexta-feira, das 7h às 17h30”, explica.Após o cadastramento, é feita a coleta de 4 mls sangue para o exame HLA (Histocompatibilidade), que serve de base para o cruzamento de informações genéticas de doadores e receptores. A partir daí é que se identifica a compatibilidade para a doação. Esses dados são disponibilizados a todo o País, não há como fazer doação específica para uma pessoa. A compatibilidade é de 1 para cada 100 mil cadastrados no Brasil.
Mitos e verdades - Para desmistificar questões sobre a doação de medula óssea, o médico hematologista e especialista em transplantes, Luiz Fernando Bouzas, esclarece que o procedimento de doação é bastante simples. “O doador não passa por uma cirurgia, como muitos pensam. A grosso modo é feita punção com agulha adequada no osso da bacia, de onde é tirado o líquido medular que se assemelha ao sangue. O volume colhido é de no máximo 15% e a retirada não causa qualquer comprometimento à saúde do doador. A medula se regenera em 15 dias”.O paciente que é transfundido recebe a medula sadia como se fosse uma transfusão de sangue.
O transplante pode ser indicado para o tratamento de aproximadamente 80 doenças, a exemplo de aplasias, mielomas, linfomas e doenças autoimunes.
Atualmente há 4, 3 milhões de cadastrados no Redome, com 850 pacientes em busca de doador não aparentado.
Ganhos - Os primeiros resultados da conscientização sobre a temática começaram a surgir. Nesta terça-feira (23), o administrador de empresa, Eduardo Dallastra se tornou doador de medula óssea. “Decidi me tornar doador por acompanhar casos de conhecidos que precisaram de transplante. A partir daí me deu vontade de colaborar de alguma forma. Resolvi fazer minha parte e ter a oportunidade de salvar uma vida. Não gosto de tirar sangue, mas foi mais tranquilo do que imaginei. Não tenha medo, venha doar você também”.Mais informações sobre a doação de medula óssea, entre em contato com o Hemocentro pelo telefone: (65) 3623-0044.
Viviane Moura/Fotos: Otmar de Oliveira (F5)
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