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 13/06/2017   09:05 

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Madeira apreendida pelo Juvam vira móveis no CRC

A parceria entre o Juizado Volante Ambiental de Cuiabá (Juvam) e o Centro de Ressocialização de Cuiabá (CRC) transforma madeira ilegal apreendida em móveis. Com essa iniciativa, os recuperandos da unidade prisional têm a oportunidade de reduzir o tempo de pena a partir do trabalho prestado.
 
No CRC, 70 apenados trabalham na produção de mesas e cadeiras para escolas públicas. Eles também confeccionam outros tipos de móveis, como camas, armários, suporte para plantas e até oratórios.
 
O diretor do Centro, Winkler de Freitas explica que a parceria existe há um tempo e tem dado muito certo. “Há um interesse muito grande dos recuperandos em fazer parte desse projeto. Eles entram com a mão de obra e a matéria-prima é a madeira doada pelo Juizado Volante Ambiental, o Juvam. Muitos vêm para a marcenaria sem saber como manusear a madeira e saem daqui profissionais”.
 
A remição de pena é o benefício concedido aos recuperandos que se interessam em participar do projeto. “Além de sair do presídio com uma profissão, eles têm também a remição de pena, ou seja, a cada três dias trabalhados na marcenaria eles reduzem um dia de pena”, explicou o diretor ressaltando que para esses reeducandos é uma satisfação muito grande. “Eles estão trabalhando em vez de estar ociosos dentro de uma cela, o que causa revolta e transtorno”, acrescentou.
 
A iniciativa tem o apoio do juiz de Execuções Penais Geraldo Fernandes Fidélis, que acompanha de perto o desempenho dos recuperando inclusos no projeto.
 
Participante do projeto, Josias Barbosa está na unidade há 11 meses. Condenado a 22 anos de reclusão por roubo a mão armada, ele levou para o Centro de Ressocialização a profissão de marceneiro. Josias divide o conhecimento com os colegas que trabalham na indústria de móveis. “Eu tinha experiência com operação de máquinas usadas em marcenarias para a confecção de móveis e agora estou aperfeiçoando meu aprendizado trabalhando na indústria do CRC e ensinando meus colegas que desejam aprender”.
 
Outro recuperando, Rubens Alves de Lima, condenado há 16 anos por homicídio, já cumpriu mais de três anos da pena e há pouco mais de um ano ajuda na fabricação de móveis. “Para mim essa oportunidade é um começo de vida. Quero me restabelecer na sociedade. Voltar a ter a confiança das pessoas que eu perdi por causa do crime. Mesmo que eu não exerça essa profissão, aqui dentro tenho algo que ocupa a minha cabeça”.
 
Doação - A madeira utilizada na confecção dos móveis é oriunda de apreensões por transporte ilegal, em muitos casos, sem o Documento de Origem Florestal (DOF) e Guia Florestal (GF), emitidos pelo Ibama e pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema).
 
Só em 2016 foram apreendidos 4.700 m³ de produto florestal bruto e processado, incluindo madeira em toras nativas, serrada, beneficiada, resíduo para geração de energia e outros produtos. Conforme os órgãos responsáveis pela fiscalização, esse volume equivale a aproximadamente 150 caminhões com capacidade para 30 m³ cada.
 
Segundo o conciliador do Juvam, Alexandre Corbelino, as madeiras são doadas se comprovados os indícios de crime ambiental por meio da condenação e assim declarado o perdimento do produto. “A madeira deverá ser utilizada em projetos que são apresentados perante o Juvam que envolvem propostas socioambientais, bem como interesse do Poder Público e entidades beneficentes. O juiz declarando o perdimento dessa madeira, ela está apta a atender aos pedidos de doação que chegam até o Juizado. No momento estamos transformando madeira apreendida em carteiras para escolas públicas”, concluiu Corbelino.
 
Mára Santos
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
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