Visita ao Dutrinha estabelece ações para liberação
Interditado desde fevereiro de 2015, o Estádio Presidente Dutra, mais conhecido como ‘Dutrinha’, recebeu na manhã desta quarta-feira (12 de julho) um grupo de força-tarefa para discutir melhorias e acessibilidade que culminem na reabertura do local. As ações foram pensadas a curto, médio e longo prazo e devem começar na próxima semana com a liberação do campo para partidas de futebol sem a participação da torcida, já que esta parte do espaço não está interditada pela Justiça Estadual Mato-grossense. Antes, porém, é necessária a autorização do Corpo de Bombeiros.A participação da torcida nos jogos deve ser permitida em fevereiro de 2018, com a abertura do campeonato mato-grossense de futebol. Até lá, serão providenciadas as reformas necessárias para garantir o acesso ao público, conforme determinação judicial. Já a revitalização de todo o estádio e entorno são ações mais demoradas, que precisarão de um projeto de impacto financeiro e da região.
A liberação do estádio integra as ações da comemoração dos 300 anos de Cuiabá (2019). De acordo com o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Rui Ramos Ribeiro, a revitalização do espaço, dentro dos limites de segurança, é uma ação urgente. “Eu já me considero cuiabano e a liberação do Dutrinha é um anseio da população cuiabana. O espaço é uma das identidades da cidade, tombado pelo patrimônio público e símbolo de nossa terra. Hoje conhecemos as condições físicas e foi possível ver in loco todas as anotações feitas pelo Juizado do Torcedor que subsidiaram a interdição. Mas o prefeito da cidade, Emanuel Pinheiro, já se comprometeu a iniciar as mudanças necessárias”, destacou. O estádio foi fechado depois de um jogo entre o Luverdense e o Mixto, após uma invasão ao campo. A decisão foi proferida pela juíza titular do Juizado do Torcedor em Cuiabá, Patrícia Ceni, que apontou, entre outras coisas, a necessidade de levantar o muro de proteção do estádio para evitar invasão do local; troca ou melhorias no alambrado que impeçam a invasão do campo; reforma da fiação elétrica que está precária e com fios expostos; acessibilidade nos portões de entrada e saída do estádio e nos banheiros; fechamento das juntas de dilatação (encontro das placas de concretos), já que em algumas cabem um pé dentro, podendo causar acidentes; e ainda reforma ou substituição do guarda corpo da parte superior da arquibancada para evitar que pessoas caiam.
“Não estamos pedindo mudanças por estética do Dutrinha, pelo contrário, como o espaço é tombado como patrimônio público, nem poderiam ser feitas essas mudanças. O que queremos é que os jogos possam ser realizados com segurança e acessibilidade à população. O encontro de hoje foi para reafirmar a necessidade de adequações, o que o prefeito entendeu e se comprometeu a providenciar, principalmente as medidas mais urgentes para a utilização do campo do estádio, que não foi interditado pelo Juizado”, afirmou.
O prefeito Emanuel Pinheiro destacou que o convite aos magistrados se deu para demonstrar a intenção da prefeitura em promover melhorias para o estádio. “Esse encontro foi muito positivo e daqui já saímos com ideias principais das ações que devem ser tomadas para liberar o estádio. Um povo apaixonado por futebol como o cuiabano não pode ficar privado desse lazer. O espaço é nosso e deve ser usado. Aqui já assisti a shows do Tim Maia e também já vi grandes atletas jogar como é o caso do Pelé e do Garrincha. Por isso estamos trabalhando para manter a parceria com o Judiciário de Mato Grosso, que foi o primeiro poder a sair à frente na ação de 300 anos de Cuiabá”, ressaltou. Algumas das ações para cumprir a medida imposta pelo Juizado do Torcedor já saíram definidas do encontro. O secretário de Cultura, Esporte e Turismo do município, Francisco Vuolo, ressaltou que as primeiras medidas consistem em passar um cronograma dos jogos já marcados para a juíza analisar as necessidades de cada jogo; apresentar um projeto de readequação e recuperação emergencial do estádio para a magistrada; e ainda dar o pontapé no projeto de 300 anos em relação ao Dutrinha e entorno.
“A população anseia pela liberação do nosso miniestádio. Atualmente, para se realizar um jogo na Arena Pantanal não fica por menos de R$9 mil, isso porque o espaço é grandioso e gasta-se com iluminação e gramado, entre outras coisas. O custo do Dutrinha para jogos pequenos será cerca de 20% desse valor, viabilizando a realização de muitos mais jogos”, concluiu.
Também participaram da visita o deputado estadual Allan Kardeck e o presidente da Federação Mato-grossense de Futebol (FMF), Aron Dresch.
Keila Maressa/ Fotos: Otmar de Oliveira (F5)
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