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 10/08/2017   09:19 

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Debatedores pedem base aérea e políticas públicas

Grande parte dos debatedores na audiência pública “Zona de Fronteira – Tráfico de Drogas e o Crime Organizado”, em Cáceres (a 225km de Cuiabá), defendeu a instalação de uma base aérea em Mato Grosso e a criação de políticas públicas especialmente voltadas para a prevenção. O major da Polícia Militar Danilo Segóvia Moreira foi o primeiro a falar. “Aqui na região, diferentemente de Mato Grosso do Sul, o tráfico aéreo é muito forte. Acreditamos que 90% da droga que atravessa a nossa fronteira sejam por avião, sendo arremessadas em pistas clandestinas”, argumentou, destacando ainda a efetividade do trabalho integrado entre as forças de segurança.
 
O juiz Geraldo Fernandes Fidelis Neto, da 2ª Vara Criminal de Cuiabá, reforçou que a integração é fundamental, bem como ações preventivas e repressivas. Segundo o magistrado, pessoas aliciadas para fazer o serviço de “mula” chegam a receber R$ 100,00 por 1kg de droga trazida da Bolívia. Para ele, as bases aéreas instaladas atualmente em Campo Grande (MS), Vilhena (RO) e Anápolis (GO) não conseguem cobrir a fronteira mato-grossense. “Essa luta precisa ser abraçada pela bancada federal. Que a consulta pública possa levar esse eco para Brasília”, conclamou.
 
O senador José Antonio Medeiros disse estar lutando para que essa demanda seja atendida. Esclareceu que a questão financeira é um grande impedimento e que está à disposição. “Essa audiência com certeza é um marco histórico com relação à segurança no nosso Estado. Não temos outro caminho, já passamos da hora de fazermos alguma coisa”, enfatizou. O vereador Rosinei Neves da Silva, que também é investigador de polícia, apresentou um projeto para instalação da Guarda Mirim em Cáceres, “em benefício dos jovens que desde cedo são cooptados pelo crime organizado”. Conforme Rosinei, ele será destinado a 40 crianças e adolescentes de 11 a 16 anos, matriculados na rede pública, com objetivo de contribuir com a inclusão social, geração de emprego e renda, prevenção e diminuição da violência.
 
O procurador do Ministério Público Federal Felipe Antônio Abreu Mascarelli lembrou que o Brasil está em guerra contra o crime organizado, a corrupção e a miséria. Defendeu que a população não tem bons exemplos e que é preciso haver uma mudança de cultura para que o país saia dessa situação. “Temos que investir em educação de qualidade ou então não chegaremos a lugar algum. Precisamos transformar essa indignação em ação. Se não começarmos a fazer algo hoje, não teremos mais país em 10 anos. Espero que essa audiência traga medidas efetivas principalmente na área de prevenção”, considerou.
 
O acadêmico de Psicologia Fábio de Luque contou que entrou para o mundo das drogas com nove anos de idade e lá ficou até os 14, que foi internado para desintoxicação e que hoje está livre. Ele defendeu a implantação de uma unidade de esporte e lazer em Cáceres, que possa ajudar na prevenção e na recuperação de jovens. O jornalista José Carlos Teixeira ponderou que não é preciso reinventar a roda e que há bons exemplos no Brasil para serem seguidos. “Precisamos dar atenção à nossa população, que não está pendendo para o lado do mal, mas que é tentada a todo o momento”, disse.
 
Resultados – Após os debates, a desembargadora corregedora Maria Aparecida Ribeiro fez a entrega oficial de 500 cartilhas doadas pelo Poder Judiciário de Mato Grosso para reativação do Programa Educacional de Resistência às Drogas (Proerd) na comarca. O material foi entregue à Polícia Militar, atendendo a um pedido da juíza Alethea Assunção Santos. A retomada do programa foi um dos resultados da audiência. As outras deliberações foram:
 
• oficiar ao Governo de Mato Grosso a reativação do Gabinete de Gestão Integrada de Fronteira (GGIF);
• oficiar às autoridades do executivo e do legislativo dos municípios do polo de Cáceres a necessidade de investimentos em Educação, buscando inclusive a realização de programas sociais;
• a Corregedoria-Geral da Justiça vai promover esforços para a criação da Vara Especializada de Tráfico de Drogas;
• levantar junto as autoridades os reais motivos que impedem a implantação de uma base aérea no Estado.
 
Encerramento – A corregedora Maria Aparecida Ribeiro ainda agradeceu a toda equipe responsável pela organização do evento, às autoridades bolivianas pelo comparecimento e participação e à Unemat por ter cedido o espaço. “Agradecemos a todos que permitiram que a Corregedoria-Geral da Justiça realizasse mais uma atividade em prol da dignidade da pessoa humana”, finalizou.
 
O desembargador Marcos Machado, coordenador da Comissão Especial sobre Drogas Ilícitas do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, concluiu os trabalhos. “Ultrapassamos muito o objeto da audiência. Acho oportuno o movimento proposto pelo Judiciário e a criação de uma vara especializada na região. Nossa intenção é dar as mãos para as demais instituições não apenas fazendo o que nos cabe, mas fortalecendo a luta na região de fronteira. Saio com um sentimento muito maior de esperança e de crença de que verdadeiramente conseguiremos fazer. A palavra tem poder. Que a partir de hoje consigamos estabelecer um diálogo com consciência, responsabilidade e desejo de mudar esse cenário”, encerrou, parabenizando a CGJ-MT pela inciativa.
 
 
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Ana Luíza Anache | Fotos: Tony Ribeiro (Agência F5)
Assessoria de Comunicação CGJ-MT
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