Entidades expõem trabalho executado na fronteira
Representantes do Grupo Especial de Segurança de Fronteira (Gefron), Delegacia de Repressão aos Crimes de Fronteira (Defron), Exército, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal fizeram as exposições iniciais na audiência pública que debateu “Zona de Fronteira – Tráfico de Drogas e o Crime Organizado”, na cidade de Cáceres (a 225km de Cuiabá). As entidades foram convidadas pela Corregedoria-Geral da Justiça de Mato Grosso (CGJ-MT), para apresentar o trabalho realizado na região fronteiriça.
O tenente-coronel José Nildo Silva de Oliveira falou sobre “Fronteira Oeste de Mato Grosso – Brasil X Bolívia e a atuação do Gefron”. Segundo o expositor, o Estado faz limite por quase 1.000km com a Bolívia, sendo 750km de fronteira seca e 233 km de fronteira fluvial. “As peculiaridades nessa região são o vazio demográfico, carência de infraestrutura, conflitos agrários, refúgio de criminosos em assentamentos, tráfico de drogas utilizando ‘mulas’, entre outros”, revelou.
José Nildo de Oliveira explicou ainda que o Gefron foi criado há 14 anos com a missão de fazer policiamento preventivo e repressivo, que o efetivo é de 140 policiais, e o grande ganho na atuação contra o tráfico foi a instituição da patrulha volante, atualmente responsável por 90% das apreensões. Conforme o coordenador do grupo, as ocorrências típicas atendidas são tráfico, roubo e furto de veículos, receptação e descaminho. Por último, apresentou indicadores de eficiência e calendário de atividades.

O major Wanderson Mota de Almeida, do 2º Batalhão de Fronteira, explanou sobre “O Exército Brasileiro na faixa de fronteira” e trouxe dados do Fórum Nacional Brasileiro de Segurança Pública que apontam 278.839 assassinatos no país de 2011 a 2016, enquanto na Guerra da Síria morreram 256.124 pessoas no mesmo período. Além disso, segundo ele, o Brasil é o segundo maior consumidor de drogas no mundo, atrás somente dos Estados Unidos.
O palestrante também apontou os investimentos da instituição na região de fronteira, a missão das forças armadas em conformidade com a Constituição Federal, a Operação Ágata e o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron). “Quando estiver pronto, esse sistema de monitoramento de fronteira será o maior do mundo”, afirmou, acrescentando que apesar de o controle da fronteira ser difícil, o Exército está cada vez mais presente, contribuindo para a paz nacional no território.
Cinthia Gomes da Rocha Cupido, da Defron, enfatizou os benefícios da união de esforços no combate ao crime organizado em Cáceres. “Se eles estão se organizando, precisamos nos organizar também”, ponderou. Conforme a delegada, são atribuições da Defron crimes praticados por organizações criminosas na região de fronteira. Ela falou sobre os municípios abrangidos, efetivo, estrutura do núcleo de inteligência e operações realizadas.
O delegado Adair Gregório, da delegacia da Polícia Federal de Cáceres, reforçou a vantagem da integração entre as polícias, esclareceu as atribuições da PF, os tipos de crimes investigados, e os municípios atendidos. “A polícia sozinha não resolve. Investimento na prevenção é fundamental, e por isso é preciso ter apoio de órgãos públicos como Poder Judiciário e Ministério Público, sociedade e governo. A polícia é o último obstáculo entre a sociedade e a criminalidade”, afirmou.
O inspetor chefe da 3ª delegacia da Polícia Rodoviária Federal (PRF) de Cáceres, Lucinei Buss, demonstrou a missão da instituição, a estrutura na fronteira mato-grossense, possibilidades, limitações e principais resultados. E encerrou propondo uma reflexão com o pensamento do filósofo chinês Sun Tzu: “Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece mas não conhece o inimigo, para cada vitória ganha sofrerá também uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalhas...”.











