Nupemec certifica 182 mediadores judiciais em MT
O Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec) do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) realizou na manhã desta segunda-feira (21 de agosto) solenidade de entrega de certificados a 182 mediadores judiciais do Estado de Mato Grosso, que a partir de agora se tornam oficialmente auxiliares da Justiça. A cerimônia de entrega foi realizada no Auditório Gervásio Leite, na sede do TJMT, em Cuiabá. Segundo a presidente do Nupemec, desembargadora Clarice Claudino da Silva, a solenidade de hoje representa um momento de grande realização. “Esse é um marco muito valorizado pelo Nupemec porque é resultado de muito esforço, muita busca para aprimorar e certificar as pessoas que estão em condições de prestar um serviço de boa qualidade para a sociedade. Quando a gente olha a estatística de que quase três mil pessoas já foram capacitadas, parece pouco fazer a certificação de quase 200 dessas pessoas. Mas não é. As sementes têm que ser espalhadas em abundância em um primeiro momento para que o maior número possível possa cair em solo fértil. Quase 10% daqueles que foram capturados num primeiro momento já estão prontos para dizer para a sociedade ‘olha, eu compreendo essa ferramenta, ela é valiosa e estou pronta para colaborar com vocês’. Isso é muito alvissareiro e me dá uma alegria imensa como cidadã, especialmente enquanto membro do nosso Tribunal de Justiça, que não tem poupado esforços para investir na política de tratamento adequado dos conflitos”.
Ainda conforme a magistrada, o foco do Poder Judiciário é promover uma mudança de cultura, e não apenas a busca pela redução do número de processos em trâmite. “Nós só teremos uma sociedade mais fortalecida no diálogo, na pacificação social, com esse estímulo de que eles próprios se valham dos métodos autocompositivos antes de partir para o embate judicial propriamente dito. E como consequência natural isso tende a reduzir o número de processos, mas não é o foco, e sim consequência desse trabalho de envergadura muito maior que é o de levar paz, outro olhar para o cidadão, para que ele possa refletir sobre qual o melhor meio de solucionar seus conflitos de interesse”.Em Mato Grosso, a atividade profissional de mediador já está regulamentada. A Lei nº 10.555, sancionada pela Assembleia Legislativa no dia 19 de junho deste ano, versa sobre a regulamentação das atividades e a remuneração dos mediadores, alçados como auxiliares da Justiça do Poder Judiciário de Mato Grosso.
De acordo com o presidente do TJMT, desembargador Rui Ramos Ribeiro, o Nupemec está de parabéns pelo trabalho feito desde 2011. “Estamos todos nós muito esperançosos no sucesso desse trabalho para coroar todo o esforço que o Judiciário vem fazendo ao longo de alguns anos. Será um grande avanço para a sociedade perceber maior facilidade na resolução de conflitos que poderiam estar permeando a vida de muitos. Acabar com a cultura da judicialização é um excelente instrumento para nós nos tempos de hoje. Ainda que tenhamos pessoas resistentes às modificações, a desembargadora Clarice Claudino efetua um excelente trabalho nessa área e certamente a modificação desse cenário será facilmente percebida pelo jurisdicionado. Isso só nos traz ganho”.
Já o coordenador do Nupemec, juiz Hildebrando da Costa Marques, ressaltou que a cerimônia de hoje representa um marco importante para a história do núcleo e para a história da mediação e conciliação em Mato Grosso. “A formação do mediador representa uma maratona e os que estão aqui são vitoriosos, pois chegaram até o fim e terão o selo do Nupemec de mediadores oficiais. A cerimônia de hoje representa o coroamento de todo um esforço que vem sendo feito desde 2011, quando o Núcleo foi instalado e o esforço não é só nosso, mas o esforço dessas pessoas que abraçaram a causa da mediação e se esforçaram muito para chegar aqui. Todos os dias somos informados de bons resultados porque essa é a grande beleza da mediação. É um método de resolução de conflitos que passa pela transformação das pessoas”, enfatizou.
Na solenidade, a advogada Meire da Costa Marques falou em nome da turma de mediadores judiciais. “Somos auxiliares da Justiça, que honra! Guerreiros, todos nós merecemos sim estar aqui. Somos lutadores na luta da pacificação social, dos métodos adequados de solução de conflitos, na mediação e conciliação, oficina de parentalidade, justiça restaurativa... Tantas coisas maravilhosas que a Resolução 125 do CNJ trouxe. A nossa função não é diminuir número de processos, isso é uma consequência, somos sim atores diretos da pacificação social, atores que vão abraçar a causa! Vamos colocar a nossa mão na massa, mas a partir de agora com reconhecimento. Temos um selo, somos mediadores judiciais auxiliares da Justiça, como o Código de Processo Civil assim veio disciplinar. É um presente para nós esse momento, que veio coroar tudo o que passamos”.
A estudante de Direito Abigail Landherr, mediadora da Comarca de Alta Floresta (803km ao norte de Cuiabá), foi uma das profissionais que recebeu o certificado. “Através da mediação você consegue auxiliar as pessoas a solucionar os conflitos que estão tendo de maneira pacífica e amigável. Após terminar o estágio do curso de mediação fiquei mais um ano no Centro Judiciário de Solução de Conflitos fazendo audiências como voluntária, agora passei no estágio, então estou no cartório distribuidor, mas vou pedir a transferência para o Cejusc porque é minha paixão”, revela.
Já a bacharel em Direito Marlene Cristina Guedes Pires da Silva, mediadora judicial de Barra do Bugres (168km a médio-norte da Capital), afirma sentir-se muito feliz em auxiliar as partes na resolução de seus conflitos. “O curso de mediação trouxe essa capacitação, para a gente realmente entender o interior de cada pessoa, o que cada um procura naquela sessão de mediação e a necessidade de cada parte. Isso nos faz poder ajudar a população em geral na solução dos seus conflitos, o que se torna um benefício muito grande para a sociedade e para o Judiciário também. Hoje eu amo o que eu faço, amo a mediação”. Também compuseram a mesa de autoridades o presidente do Instituto de Advogados de Mato Grosso, Fábio Capilé, e a presidente da Comissão Especial de Conciliação, Mediação e Arbitragem da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Mato Grosso, advogada Nalian Cintra.
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Lígia Saito (texto e fotos)
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